
O verbo "nego", que à época escrevia-se "négo", refere-se à decisão de João Pessoa, governador da Paraíba em 1929, de não aceitar o sucessor indicado pelo presidente da República, Washington Luís. Um acordo entre São Paulo e Minas Gerais garantia que o presidente sempre fosse de um desses Estados, em rodízio. Em 1929, o paulista Washington Luís resolveu quebrar o acerto e indicou outro paulista, o governador Júlio Prestes. Minas rebelou-se e recebeu o apoio do Rio Grande do Sul. A Paraíba, que estava esquecida pelo governo federal, decidiu também rejeitar a decisão do presidente e se unir aos mineiros e aos gaúchos, de acordo com o historiador José Otávio de Arruda Melo, da Universidade Federal da Paraíba.

Primeira bandeira da Paraíba, alterada em setembro de 1930.
João Pessoa enviou então uma mensagem ao Palácio do Catete, no Rio de Janeiro, onde ficava o presidente, protestando contra a decisão. O governador não usou exatamente "nego", mas a palavra ficou como um símbolo. Pouco depois da morte de João Pessoa, assassinado por motivos passionais em 26 de julho de 1930, o governo paraibano, oposição a Washington Luis e Júlio Prestes, propôs a inclusão da palavra nego na bandeira. Ela foi definitivamente alterada em setembro de 1930, às vésperas da revolução que levou Getúlio Vargas ao poder.