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segunda-feira, 24 de maio de 2010

A Inglaterra (novamente) vai ao neoliberalismo: "Governo britânico anuncia cortes de R$ 16,6 bilhões de reais em gastos públicos".


Entre as medidas anunciadas, há um congelamento na contratação de novos servidores públicos e cortes de benefícios sociais.(...) “Pode haver milhares de empregos afetados por isso, pode haver medidas que prejudiquem o crescimento.(...)

LEIA A NOTÍCIA COMPLETA NO SÍTIO DA BBC BRASIL.

Tal qual o final dos anos 1970, quando os ingleses elegeram madame Tatcher em 1979 para primeira-ministra, o novo gabinete conservador anuncia um corte bilionários em... investimentos, infraestrutura, funcionalismo público e gastos sociais.

Naquele ano fatídico, a velha senhora foi acompanhada de sua caricatura masculina, o sr. Ronald Reagan. Ex-ator de filmes de cowboy e que via o mundo como uma daquelas paisagens desoladas de final de tarde onde o mocinho enfrenta o bandido em uma rua deserta, com lufadas de vento soprando montes de areia e de arbustos secos.

Ao mesmo tempo que anunciava cortes de gastos com saúde e educação, Reagan anunciou o seu "Programa Guerra nas Estrelas", inspirado - quem sabe! - no filme já então clássico de George Lucas, que foi às telas em 1977. Construiria um conjunto de satélites com grandes espelhos que, ao identificarem o lançamento de uma bomba nuclear pela URSS, dispararia um feixe de raios laser que destruiriam o artefato em pleno ar!!!

Pelo menos desta vez, os estadunidenses elegeram Obama no lugar dos republicanos de Reagan, Bush, Pallin, McCain e Rumsfeld.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Nick Clegg promete maior reforma política na Inglaterra em 200 anos. A mais importante foi em 1832.


O processo de escolha do primeiro ministro britânico encerrou-se com a aliança entre o Partido Conservador de David Cameron e o Partido Liberal-Democrata de Nick Clegg. Sem ter obtido a maioria absoluta de assentos no parlamento, Cameron ofereceu a Clegg o cargo de vice-primeiro-ministro, obtendo assim as condições para a composição do gabinete. Junto à oferta do cargo, o acordo de reforma do sistema eleitoral que promoverá a passagem do voto distrital para o proporcional, embora a forma final do modelo ainda esteja em negociação [ler o post abaixo, sobre o tipo de voto].

Nick Clegg em entrevista hoje ao jornal inglês THE GUARDIAN, deu a declaração do título deste post, reafirmando a decisão do novo gabinete em encaminhar o processo de mudança do sistema eleitoral. A página do UOL notícias também publicou o release [a cópia] da notícia.

A reforma de 1832, a qual Clegg faz referência, foi feita em meio a uma crise política marcada pelo poder excessivo da Câmara dos Lordes, cujos membros não eram eleitos, mas indicados pela monarquia. A Câmara dos Comuns era em menor número e seus membros eleitos. Também havia uma distorção na proporcionalidade do sistema de representação dos distritos, com grandes cidades possuindo poucos parlamentares e pequenos lugarejos com uma representação superestimada.

Mas havia ainda um outro sério questionamento ao sistema, pois o direito de voto era exercido apenas por quem tinha propriedade ou renda específica. Naquele momento, no século XIX, o direito de voto era acompanhado pelo critério da renda [no Brasil, foi a constituição outorgada de 1824 que criou o 'voto censitário']. O crescente movimento operário pressionava fortemente pela ampliação do direito do voto, pela implantação do sufrágio universal.

Os primeiros movimentos do novo gabinete deverão estar entre o projeto de reforma política e um severo programa de corte de gastos, que na visão conservadora (tanto na Inglaterra quanto no Brasil) significa severíssimas reduções dos investimentos em saúde, educação, infraestrutura, investimentos estatais. Resta ainda a reafirmação da interessantíssima ironia, conforme já escrevi no outro post, do combate dado ao sistema distrital, que é apresentado no Brasil como solução para os problemas do nosso próprio sistema político. A imprensa brasileira [que faz mais política que jornalismo] deixa isso passar em brancas nuvens, finge que não vê.