segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Download de livro raro:"Um judeu errante no Brasil: autobiografia de Salomão Ginzburg" (A Wandering Jew in Brazil), pioneiro dos missionários batistas



Pelo link abaixo você pode baixar o livro "Um judeu errante no Brasil: autobiografia de Salomão Ginzburg", que foi o missionário batista (judeu convertido, como o próprio título indica) que andou pelo interior do Nordeste todo abrindo igrejas na virada do século XIX para o XX, incluindo aí a Zona da Mata pernambucana. Na igreja batista de Nazaré da Mata, interior de Pernambuco, você ainda pode ouvir histórias até do encontro dele com Antonio Silvino, o mais famoso cangaceiro (mais até do que Lampião), que foi contratado por uma padre para matá-lo. A história é também contada no livro.

O texto está em inglês, a primeira edição é de 1922 pela Southern Baptist Convention (EUA); no Brasil foi traduzido em 1931 e impresso pela Casa Publicadora Batista, depois reeditado em 1970 já pela JUERP, e depois não mais reeditado. O reverendo Salomão Ginzburg faleceu em 1927 e seu trabalho foi marcante na fase de implantação de igrejas protestantes que é conhecida como "protestantismo de missão".

DOWNLOAD DO LIVRO EM PDF

Seu diploma de Teologia ainda não foi reconhecido pelo MEC? Abertas as inscrições para convalidação pelo Seminário Batista.


A Faculdade Batista do Paraná em Parceria com o Seminário Teológicco Batista do Norte do Brasil em Recife (STBNB) promoverá o segundo vestibular para seleção de alunos para o curso de Convalidação 2011. O novo vestibular será realizado na 2a quinzena de fevereiro em data a ser divulgada no sítio do STBNB. Veja informações sobre a Convalidação neste site, na seção de cursos ou então ligue para 81-3366-3277.

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

"O Alufá Rufino", de Marcus Carvalho, João José Reis e Flávio Gomes é lançado pela Companhia das Letras


Três dos maiores especialistas na história da escravidão – João José Reis, Marcus J. M. de Carvalho e Flávio dos Santos Gomes – se juntaram para compor "O alufá Rufino" sobre um africano que teve uma trajetória de vida sui generis. Rufino José Maria, nascido Abuncare no antigo reino de Oyó, foi escravizado na adolescência por grupos rivais e levado para Salvador. Após conseguir sua alforria, foi cozinheiro assalariado de navios negreiros e, já adulto, ele consegue chegar ao posto de alufá, guia espiritual dos negros muçulmanos no Recife. O livro demonstra como o tráfico e a escravidão moldaram de modo decisivo este personagem e o mundo em que ele viveu.

Leia um trecho do livro AQUI.

O livro, que foi lançado no último dia 3 em Salvador, leva o foco para os três autores, que já passaram pela RHBN.

Reis, por exemplo, é membro do conselho editorial da “Revista de História da Biblioteca Nacional” e professor titular do departamento de História da Universidade Federal da Bahia. Nascido em 1952, em Salvador, tem um doutorado em Historia pela Universidade de Minnesota. Já recebeu um prêmio Jabuti (de melhor ensaio) pelo livro “A morte é uma festa”. Na RHBN, publicou em agosto de 2008 um artigo sobre um motim em Salvador em 1858 por conta do aumento do aumento do preço dos alimentos. Também escreveu sobre como os quilombolas assombravam o dia-a-dia de senhores e funcionários da colônia. E de como a trajetória dos líderes e devotos do candomblé do século XIX revela que a história das religiões afro-brasileiras é, sobretudo, a de crescente mistura étnica e social.

Gomes também é professor da UFBA. Seu livro “A hidra e o pântano: mocambos, quilombos e comunidades de fugitivos no Brasil” ganhou o Prêmio Arquivo Nacional de Pesquisa. No livro, resenhado pela RHBN, ele resgata histórias da resistência escrava, tendo como cenário as comunidades de fugitivos dos séculos XVII e XIX no Rio de Janeiro, Minas Gerais, Bahia e principalmente Grão-Pará e Maranhão. “No Labirinto das Nações: africanos e identidades no Rio de Janeiro, século XIX”, que ele escreveu com Juliana Barreto Farias, Carlos Eugênio Líbano Soares, esmiúça detalhes de vidas esquecidas e traça um panorama diverso dos africanos no Rio de Janeiro do período.

Já Carvalho é professor da UFPE e escreveu três artigos para a RHBN. O primeiro, ainda em 2006, é sobre Insurreição Praieira de 1848, em Pernambuco “um movimento com muitas faces e significados”. Em 2008, ele escreve sobre outra revolta, a Cabanada, que juntou negros e índios em sangrentas batalhas pela terra no Nordeste pedindo, entre outras coisas, a volta de D. Pedro I. O terceiro texto, já deste ano, mostra uma seita cristã que, no Recife do século XIX, contestava a dominação dos brancos e, para temor das autoridades, ainda ensinava seus seguidores a ler.

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Download dos volumes da Coleção História Geral da África, editada pela Unesco.


Publicada em oito volumes, a coleção História Geral da África está agora também disponível em português. A edição completa da coleção já foi publicada em árabe, inglês e francês; e sua versão condensada está editada em inglês, francês e em várias outras línguas, incluindo hausa, peul e swahili. Um dos projetos editoriais mais importantes da UNESCO nos últimos trinta anos, a coleção História Geral da África é um grande marco no processo de reconhecimento do patrimônio cultural da África, pois ela permite compreender o desenvolvimento histórico dos povos africanos e sua relação com outras civilizações a partir de uma visão panorâmica, diacrônica e objetiva, obtida de dentro do continente. A coleção foi produzida por mais de 350 especialistas das mais variadas áreas do conhecimento, sob a direção de um Comitê Científico Internacional formado por 39 intelectuais, dos quais dois terços eram africanos.

Download gratuito (somente na versão em português):

Volume I: Metodologia e Pré-História da África (PDF, 8.8 Mb)

Volume II: África Antiga (PDF, 11.5 Mb)

Volume III: África do século VII ao XI (PDF, 9.6 Mb)

Volume IV: África do século XII ao XVI (PDF, 9.3 Mb)

Volume V: África do século XVI ao XVIII (PDF, 18.2 Mb)

Volume VI: África do século XIX à década de 1880 (PDF, 10.3 Mb)

Volume VII: África sob dominação colonial, 1880-1935 (9.6 Mb)

Volume VIII: África desde 1935 (9.9 Mb)

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

10 anos em 1 minuto e 23 segundos. Um vídeo que qualquer pai pode fazer.


Durante dez anos, religiosamente, todos os dias, ele fotografou a filha Natalie - praticamente na mesma posição. Depois, juntou as imagens, criou uma passagem acelerada do tempo, e publicou no YouTube. O vídeo se tornou um hit: mais de 830 mil exibições.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

CartaCapital estreia blog sobre o WikiLeaks


A partir desta quarta-feira 8, a jornalista Natalia Viana traz todas as informações sobre os documentos secretos americanos que vazaram na rede. Convidada pelo WikiLeaks para coordenar com a imprensa nacional a publicação dos documentos referentes ao Brasil e escrever reportagens independentes para o site da organização, Natalia alimenta o novo blog de CartaCapital. Visite, divulgue e marque entre seus favoritos:

http://cartacapitalwikileaks.wordpress.com/

domingo, 5 de dezembro de 2010

O Wikileaks lavou a alma do Itamaraty, por Elio Gaspari. Ou, o que houve em Honduras foi um golpe de estado, os EUA apoiaram, o Brasil foi contra.


A PAPELADA do WikiLeaks relacionada com o Brasil prestou um serviço à diplomacia nacional. À primeira vista, apresentou o Itamaraty como inimigo dos Estados Unidos. Olhada de perto, documentou que o governo americano é inimigo do Itamaraty.

Como o vazamento capturou mensagens do canal que liga a embaixada americana ao Departamento de Defesa, o ministro Nelson Jobim ficou debaixo de um exagerado holofote. Exagerado, porém veraz. Em janeiro de 2008, Jobim tratou com o então embaixador Clifford Sobel assuntos que não eram de sua competência, dizendo coisas que não devia.

Sobel, um quadro estranho à diplomacia americana, saído do plantel de empresários republicanos com carreiras políticas fracassadas, qualificou-o como um homem decidido a “desafiar a supremacia histórica do Itamaraty em todas as áreas da política externa”. Em treze palavras, resumiu o objeto do desejo dos americanos: desafiar a supremacia histórica do Itamaraty em todas as áreas da política externa.

O Itamaraty é um ofidiário. Nele há de tudo, mas poucos foram os casos de diplomatas bem colocados que quisessem terceirizar as relações internacionais do Brasil. Já houve diplomata que ia para o serviço vestindo a camisa verde dos integralistas, assim como houve comunista dos anos 50 que, nos 70, trabalhava de mãos dadas com o Serviço Nacional de Informações.

Sempre há quem divirja das linhas da política externa da ocasião mas, noves fora vinganças burocráticas, a máquina une-se quando se trata de defender “a supremacia histórica do Itamaraty em todas as áreas da política externa”.

Essa característica sempre incomodou a diplomacia americana. Pelo poderio e pelo tamanho de sua representação no Brasil, ela busca o fatiamento das “áreas da política externa”. É sempre mais fácil negociar assuntos agrícolas com um ministro indicado por um poderoso deputado que um dia voltará a cuidar de seus interesses. Negociar tarifas em foros internacionais com diplomatas influenciando a posição brasileira é um pesadelo para as delegações americana e europeias. (Salvo em casos raros, como quando Brasília determinou ao chefe da delegação que votasse com os americanos.)

Se dependesse das famosas ekipekonômicas, os Estados Unidos teriam quebrado a resistência brasileira à criação da Associação de Livre Comércio das Américas, a Alca, defendida durante os governos Clinton e Bush. Em 2002, o negociador americano disse que, se o Brasil não aderisse à Alca, teria que vender seus produtos na Antártida. O setor mais organizado (e pecuniariamente desinteressado) da oposição à Alca estava no Itamaraty.

Durante o tucanato, o embaixador Samuel Pinheiro Guimarães dizia que negociar um acordo de livre comércio daquele tipo seria o mesmo que discutir um caminho para o patíbulo e foi demitido da direção do Instituto de Pesquisas de Relações Internacionais do ministério.

O que incomoda o Departamento de Estado é uma diplomacia capaz de impedir que sua embaixada negocie no varejo dos ministérios assuntos que envolvem relações internacionais. Se o embaixador Sobel pudesse tratar temas da defesa só com Jobim, seria um prazer. Os diplomatas brasileiros não decidem todas as questões onde se metem, mas atrapalham. Por isso, um embaixador americano queixava-se dos “barbudinhos do Itamaraty”.

Poucas vezes os “barbudinhos” apanharam tanto como no caso da resistência brasileira ao golpe de Honduras, no ano passado. Graças ao WikiLeaks, conhece-se agora o telegrama enviado pelo embaixador americano em Tegucigalpa, Hugo Llorens, a Washington, três semanas depois da deposição do presidente Manuel Zelaya: “Na visão da embaixada, os militares, a Corte Suprema e o Congresso armaram um golpe ilegal e inconstitucional contra o Poder Executivo”. O texto integral do telegrama é quatro vezes maior que este texto e nele a palavra “golpe” é usada 13 vezes.

O companheiro Obama agasalhou o golpe, Nosso Guia, não.

Leia a integra da coluna de Elio Gaspari na Folha e O Globo

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Especial sobre "O outono da idade média", de Johan Huizinga.


Desde o Renascimento e, mais tarde, o Iluminismo, em línguas europeias como o português, o inglês ou o francês, os vocábulos "medieval" e "moderno", além de definirem duas eras distintas da História, designam uma dicotomia: de um lado, as trevas, o ultrapassado, o atraso; de outro, as luzes, o atual, o progresso. Essa visão de mundo, decretada por humanistas do século 16 e reforçada por filósofos do século 18, trazia embutida a ideia de que, ao deixar a Idade Média, seus valores e seus princípios, a Humanidade alcançava a passarela para um futuro mais justo, democrático e legítimo: a Idade Moderna.

Essa visão dos "medievalismos", cujos fragmentos de preconceito ainda perduram, começou a ser desconstruída pelas mãos do historiador americano Charles Haskins, autor de The Renaissance of the Twelfth Century, de 1927.

Antes dele, porém, outro especialista em história medieval, o holandês Johan Huizinga (1872-1945), já havia traçado em cores a vida, os valores, os hábitos e as emoções naquele período em seu clássico O Outono da Idade Média, que chega na íntegra às livrarias brasileiras, traduzida diretamente de seu idioma original.

Uma das virtudes tácitas de Huizinga em sua obra-prima é sua habilidade de relativizar as "certezas". Virtuoso de sua disciplina, o autor reconhecia as contradições da História, que ajudam, por exemplo, a entender o dualismo medieval-moderno. "É bem verdade que cada época deixa mais rastros de sofrimento do que de felicidade. Suas desgraças se tornam sua história", ponderou. No mesmo trecho, Huizinga apela à convicção "talvez instintiva" para elaborar uma equação: a soma de paz e felicidade destinadas às pessoas não pode variar muito de uma época à outra. "O brilho do final da Idade Média também não passou despercebido: ele sobreviveu na canção popular, na música, nos horizontes quietos da pintura de paisagem e nos rostos sóbrios dos retratos", escreveu, em seu tom romântico e subjetivo.

Raros são os livros de História que se tornam história, assim como poucos são os historiadores lembrados pela posteridade. Esse é o caso de Huizinga e de sua obra-prima.

Publicado em 1919, O Outono da Idade Média (Herfsttij der Middeleeuwen) derrubou as fronteiras que outros pesquisadores haviam construído entre a Idade Média tardia e o Renascimento. Para o holandês, a transição vivida no século 15, um ponto de virada da civilização ocidental, foi muito mais fluida do que supúnhamos. A Idade Média era, sim, um período de fome, doenças, miséria, ódio, mas não apenas isso. Era também tempo de prazeres, de ideais, de arte e de amor.

Para explorar os meandros, as sutilezas, os erros e acertos da obra de Huizinga, o Sabático – que na quarta-feira, em parceria com a editora do livro, a Cosac Naify, promoveu um debate na Universidade de São Paulo com os professores Lorenzo Mammì, Marcelo Cândido da Silva e Tereza Aline Pereira de Queiroz –, propôs um encontro, por assim dizer, histórico. Em Paris, o caderno reuniu o historiador francês Jacques Le Goff, 86 anos, considerado o maior especialista do mundo sobre o tema, e seu ex-orientando brasileiro, o ex-professor da USP Hilário Franco Júnior, de 61 anos. No encontro, realizado no escritório do acadêmico francês, em sua casa, no 19.º distrito parisiense, Le Goff saudou a adoção do título O Outono..., e não o da primeira versão francesa da obra, denominada O Declínio da Idade Média. "Essa é uma leitura estúpida do livro", ressaltou em diferentes momentos.

Admiradores de Huizinga, Le Goff e Hilário travaram um diálogo fascinante e revelador sobre o autor, morto em De Steeg em 1945, durante a ocupação nazista da Holanda. A seguir, a síntese do encontro, marcado pela amizade – e pelo reconhecimento intelectual mútuo.

LEIA A ENTREVISTA NO SÍTIO DO ESTADÃO.

O Outono da Idade Média, finalmente em tradução brasileira pela Cosac & Naify


Grande clássico da historiografia ocidental, publicado em 1919, este livro é a obra-prima de Johan Huizinga (1872-1945), tendo sido lançado em mais de vinte línguas. Pela primeira vez traduzido para o português a partir do original holandês, esta edição é resultado de pesquisas que reestabeleceram o texto original, em 1997.

Raras vezes um período histórico foi apresentado de maneira tão viva e colorida. Aqui, a Idade Média é vista na plenitude de seus contrastes, distante do lugar-comum segundo o qual ela não passaria de uma transição, longa e letárgica, entre o brilho da Antiguidade e do Renascimento. O autor mostra as formas de vida e de pensamento medievais, tal como se expressaram na cultura, na arte, na religião e no pensamento, e também nos modos de expressão da felicidade, do sofrimento, do amor e do medo da morte no dia a dia das pessoas. Huizinga utilizou métodos e fontes históricas pouco usuais em sua época. Combinando a crença no poder revelador da obra de arte e um olhar muito semelhante ao de um antropólogo, ele se tornou um pioneiro do que mais tarde se denominou história das mentalidades. Com 320 ilustrações, o volume inclui ainda uma entrevista com Jacques Le Goff (publicada na edição francesa de 1975) e um ensaio biográfico de Peter Burke.

Leia, abaixo, o depoimento da historiadora Laura de Mello e Souza sobre o livro:

“O outono da Idade Média, de Huizinga, foi o meu primeiro deslumbramento como estudante de história e aspirante a historiadora. Um farol que, há quase 40 anos, orienta meus percursos e me dá ânimo quando penso estar prestes a sossobrar em meio aos modismos, à crise dos paradigmas e às perplexidades que periodicamente assombram os estudiosos das ciências do homem. A História é, acredito, uma forma extraordinária de conhecimento humano, e há outros faróis quase tão elevados como o erguido por Huizinga. Mas penso poder afirmar que ele é, de fato, o mais alto de todos quantos despontaram nos últimos três séculos. A belíssima edição da Cosac Naify agora apresentada ao público brasileiro faz jus a este monumento.”

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Os 100 anos de Rachel de Queiroz.


Quando deitou de bruços no chão da sala de casa para escrever O Quinze sob a luz de um lampião, Rachel de Queiroz já conhecia o melhor da literatura mundial. Filha de intelectuais e gente que lia muito, riscou as páginas do caderno com algumas certezas. Uma delas era não escrever bobagens, "sentimentalismos". A censura da família seria implacável. Afinal, foi a mãe quem tirou das mãos da menina um romance francês água-com-açúcar e tratou de substituí-lo por A cidade e as serras, de Eça de Queiroz. Rachel estava com 12 anos quando a mãe tomou a providência. Aos 19, escreveu O Quinze e surpreendeu o país com um texto maduro, perfeitamente condizente com os ideais modernistas da literatura brasileira dos anos 1920, seco e conciso.

Foto: Eder Chiodetto/FolhapressNascida há exatos 100 anos, em 17 de novembro de 1910, Rachel não tinha ideia da importância do romance escrito para passar o tempo durante um repouso por conta de uma congestão pulmonar. O Quinze se tornaria o primeiro texto modernista brasileiro assinado por uma mulher. Seria celebrado por Mario de Andrade, Manuel Bandeira e toda a trupe moderna. E daria início ao fenômeno editorial que, ainda hoje, perdura por aí. Para aproveitar a efeméride do centenário, as editoras José Olympio e Demócrito Rocha, o Instituto Moreira Salles (IMS) e a Academia Brasileira de Letras (ABL) publicam biografias, ensaios e textos inéditos da menina de Quixadá, além de reedições e exposições.

LEIA A MATÉRIA COMPLETA NO DIÁRIO DE PERNAMBUCO DE HOJE.

domingo, 7 de novembro de 2010

Tânia Bacelar em entrevista ao Diário de Pernambuco: "Há uma imagem deformada do Nordeste".


A professora Tânia Bacelar nem imaginava. Mas, ao escrever o artigo ´O voto do Nordeste: para além do preconceito`, publicado na revista Nordeste e reproduzido por uma infinidade de blogs Brasil afora, antecipou uma resposta - e que resposta - à velha tese que motivou uma nova onda de ataques aos nascidos na área compreendida entre o Maranhão e a Bahia. O texto rebate com fatos e análises o conceito preconcebido de que os nordestinos são um peso para o país e que Dilma Rousseff (PT) só foi eleita presidente porque os eleitores da região votaram em troca do Bolsa Família.

Nesta entrevista, Bacelar, doutora em economia e docente do departamento de Geografia da UFPE, aprofunda sua avaliação sobre os números das eleições no Nordeste. Diz que nos últimos oito anos, a região passou a receber investimentos em áreas estratégicas e que o resultado dessa ´atenção`, é crescimento, movimentação da economia, emprego, oportunidades.

O seu artigo responde à manifestação que ocupou o Twitter na semana passada sugerindo morte aos nordestinos por conta da vitória de Dilma. Como a senhora avalia essa situação?

Acho que esse debate reflete que existe um preconceito realmente e que há uma imagem deformada do Nordeste, principalmente no Sudeste e no Sul. Uma imagem de que o Nordeste é uma região de miséria, que é uma carga, como se não tivesse potencialidades. Isso reflete, primeiro, o desconhecimento da história do país. O Nordeste é o lastro econômico, cultural e político do Brasil. Mas num determinado momento dessa história, os investimentos e a dinâmica se concentraram no Sudeste e o Nordeste perdeu o trem da industrialização lá no século 20.

Quais perdas o país pode ter com posturas desse tipo?

A gente pode perder um dos aspectos pelos quais o país é admirado. Quem já viveu no exterior sabe que uma das características que tornam a nossa sociedade admirada lá fora é a capacidade de conviver com a diferença.

Em que áreas estão os potenciais do Nordeste?

O governo federal retomou o crescimento das universidades públicas. Fez quatro universidades na região. Cidades médias, como Petrolina (PE) e Mossoró (RN), não tinham universidades públicas. As pessoas têm potencial para se desenvolver, mas não têm oferta de oportunidade. Acho que a gente deve discutir onde devemos colocar os novos investimentos e o Nordeste já mostrou que pode dar uma resposta positiva com o pouquinho de mudança que já aconteceu nessa década. É errado achar que tudo o que é defesa de São Paulo é defesa do Brasil e tudo o que é defesa de qualquer outro lugar é ´defesinha` regional. São Paulo é muito importante mas não representa o Brasil. O Brasil é muito mais. A gente precisa balizar melhor esse debate sem deixar de reconhecer a importância de São Paulo. Mas não podemos caricaturar os outros de ser peso, de não ter com que contribuir.

O presidente Lula foi corajoso ao mudar o foco dos investimentos?

Lula teve um atributo muito interessante. Perdeu várias eleições, levou muito tempo se preparando para ser presidente do país e fez as tais caravanas. Eu atribuo essa leitura que ele tem do Brasil à chance que ele teve de conhecer profundamente o Brasil inteiro. Isso muda a cabeça.

Quem votou em Dilma aposta na continuidade do governo. Pelos discursos proferidos até agora por ela a senhora acredita que as políticas de investimento no Nordeste serão mantidas?

Tenho me surpreendido positivamente com ela. Por exemplo, o discurso feito no momento em que ela recebeu a notícia que tinha vencido, considero muito bom. Ela começa falando das mulheres, depois assume o compromisso com a eliminação da pobreza extrema. Diz também ter compromisso com os pequenos empreendedores do Brasil e assume isso. Achei muito bonito, depois de falar da erradicação da miséria, ela ter se lembrado dos pequenos empreendedores. O Nordeste está cheio deles.

As oligarquias deram sua contribuição para o enraizamento desse preconceito, não?

Parte da explicação vem das oligarquias. Para as antigas, ainda bem que elasestão morrendo e perdendo eleitoralmente. Os resultados dessa eleição são um novo baque. É importante lembrar que elas não só existem no Nordeste. Santa Catarina é um ´brilho` de oligarquias. No discurso delas não interessava mostrar potencial. Porque elas se locupletavam da miséria. O discurso reproduzia a miséria. Elas ajudaram a criar o preconceito.

OUÇA A ENTREVISTA NO SÍTIO DO DIÁRIO DE PERNAMBUCO.

LEIA O ARTIGO 'O VOTO DO NORDESTE' NO SITIO DA CARTA CAPITAL.

Programa Consensus debate o Estatuto da Igualdade Racial e o dia da consciência negra.


Hoje à noite estaremos eu e o pr. André Lucena no Programa Consensus, na Rede Estação, canal 14, às 21:30 h, em um debate sobre o dia da consciência negra e o Estatuto da Igualdade Racial. O programa é dirigido pelo pr. Roberval Goes. O reverendo André é advogado e foi candidato a deputado federal pelo PV.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Livro 'Pontes e idéias - um engenheiro fourierista no Brasil', que inclui o Diário de Valthier, será lançado hoje, no Teatro Santa Isabel.


Uma página da história do século 19 será concluída hoje, no Recife. É o lançamento do livro Pontes e ideias - Louis-Léger Vauthier, um engenheiro fourierista no Brasil, da professora Claudia Poncioni. Fruto de pesquisas que a autora empreende na França e no Brasil desde 2004, a obra traz para os dias de hoje um personagem que viveu no Recife de 1840 a 1846 e morreu em Paris, em 1901. O livro completa e amplia os trabalhos pioneiros de Gilberto Freyre, Diário íntimo do engenheiro Vauthier, 1840-1846 (lançado em 1940) e Um engenheiro francês no Brasil (1960).

Vauthier viveu no Recife de 1840 a 1846, época em que fez o projeto do Teatro de Santa Isabel e realizou uma série de obras e ações nas áreas de arquitetura, urbanismo e administração pública. Formado pela École des Ponts et Chaussées, tradicional escola de formação de engenheiros na França, foi contratado pelo presidente de província de Pernambuco, Francisco de Rego Barros, o então Barão da Boa Vista. Doisanos após sua chegada tornou-se chefe da Repartição de Obras Públicas, com amplos poderes sobre todas as obras executadas em Pernambuco - para os dias atuais seria uma espécie de supersecretário de infraestrutura. Entre outras coisas foi responsável pela construção de estradas e pontes, formulação da primeira planta do Recife e elaboração de um projeto urbano destinado a servir de base ao plano diretor da cidade. Em Pernambuco Vauthier também foi pioneiro na introdução de autores do chamado socialismo romântico, pré-marxista, trazendo para cá obras de pensadores como Charles Fourrier (1772-1837).

"A marca que o francês deixou foi de tal porte", afirma Claudia Poncioni, "que hoje é voz corrente no Recife dizer que, depois de Maurício de Nassau, Vauthier foi o estrangeiro que mais influenciou a capital pernambucana". Poncioni nasceu no Rio de Janeiro e hoje é professora do departamento de Estudos Lusófonos da Universidade Sorbonne Nouvelle, na França. O livro que ela lança agora no Recife foi publicado ano passado, na França, pela Michel Houdiard éditeur, com 491 páginas. A edição brasileira é da Companhia Editora de Pernambuco (Cepe) e tem 559 páginas.

O título do livro inspira-se em definição de Freyre, que chamou Vauthier de "engenheiro de pontes e ideias", responsável pela transmissão de técnicas de engenharia e arquitetura, mas também de doutrinas. Estabelecer pontes para a transmissão de ideias foi também uma tarefa desempenhada pela própria Poncioni, que entre a França e o Brasil esteve à frente de ampla mobilização para tirar Vauthier do esquecimento.

Contou para isso com o apoio de instituições e estudiosos. Entre as pessoas que contribuíram para sua pesquisa estão Guillaume Saquet, documentalista da École des Ponts et Chaussées, em Paris, e Georges Orsoni. Juntamente com a autora eles classificaram mais de 2.500 documentos sobre Vauthier, existentes em microfilmes e microfichas, fotografias digitais, livros, manuscritos, recortes de jornal, sites e páginas de internet. O Diario de Pernambuco também participou deste movimento, publicando dois cadernos especiais sobre o engenheiro francês: "A história que a França desconhece e o Brasil esqueceu", de 13 de outubro de 2005, e "Vauthier em Paris", de 3 de janeiro de 2010. Poncioni menciona no livro a contribuição do Diario e reproduz uma das páginas do jornal sobre Vauthier.

Pontes e ideias é composto de três partes: a primeira traz os diários que Vauthier escreveu no Recife e o ensaio "Casas de residência no Brasil", também de autoria dele e hoje bibliografia indispensável para quem estuda a arquitetura brasileira do século 19. Os dois textos têm notas explicativas escritas por Poncioni; a segunda compõe-se de um capítulo biográfico dele e de toda sua produção intelectual catalogada; e a terceira parte traz textos e notas de Gilberto Freyre publicados nas edições da obra dele de 1940 e 1960.

O capitulo "Notas para uma biografia", que consta da segunda parte do livro de Claudia Poncioni, tem 71 páginas que refazem toda a trajetória de Vauthier antes de vir para o Recife e depois do seu retorno para a França, em 1846 - dois períodos que não constavam dos estudos de Freyre. Ao retornar para a França ele teve uma vida marcada por peripécias: foi eleito deputado, envolveu-se num levante contra o presidente (e mais tarde imperador) Luís Bonaparte, foi preso (passou cinco anos na prisão), cassado, exilado e voltou a França só em 1861. Elegeu-se vereador em Paris (renovando seguidamente o mandato de 1871 até 1887) e concorreu (sem sucesso) ao Senado. "Notas para uma biografia" é um capítulo que está pedindo para ser ampliado e virar livro autônomo - trabalho que a autora e seus pesquisadores têm todos os requisitos para executar.

Serviço

Lançamento: Pontes e ideias: Louis-Léger Vauthier, um engenheiro fourierista no Brasil (Cepe),de Claudia Poncioni
Quando: Hoje, às 19h
Onde: Teatro de Santa Isabe
Quanto: R$ 60 (livro)

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Eleição legislativa nos EUA abre corrida presidencial


Em período de baixa aprovação do presidente, urnas definem hoje a nova composição da Câmara - onde os democratas devem perder a maioria que conquistaram em 2008 -, a renovação de um terço do Senado e os governadores de 39 Estados e territórios americanos

O resultado da eleição legislativa de hoje nos EUA deve abrir a disputa pela Casa Branca em 2012. Apesar dos rumores da candidatura alternativa da secretária de Estado, Hillary Clinton, pelo Partido Democrata, o presidente americano, Barack Obama, já se lançou à reeleição. Provável vitorioso na eleição de hoje, o Partido Republicano vê-se em vantagem em relação a 2008.

Mas está dividido. Pelo menos seis pré-candidatos concorrem com a líder do movimento ultraconservador Tea Party, Sarah Palin, pela indicação da legenda.

A eleição de hoje envolve a escolha de todas as 435 cadeiras da Câmara e 37 das 100 vagas do Senado. Além disso, os eleitores de 38 Estados escolherão seus governadores. Os democratas sairão em desvantagem do pleito. Na Câmara, perderão de 50 a 60 cadeiras para os republicanos, que assumirão a presidência da Casa, segundo o instituto Cook Political Report.

O partido de Obama seguramente manterá sua maioria no Senado, Casa controladora das políticas comercial, de defesa e econômica dos EUA. Mas sua presença será reduzida pelas seis a oito cadeiras que passarão a ser ocupadas por republicanos. Hoje no controle de 26 dos 50 governos estaduais, os democratas perderão essa maioria para os republicanos, que tenderão a expandir sua liderança em entre seis e oito Estados.

Durante a campanha, Obama saiu tardiamente em defesa dos candidatos de seu partido, a partir da segunda semana de setembro. Sua movimentação pelo país incluiu discursos em universidades e conversas com vizinhos em quintais de famílias da classe média. Mas a aprovação de Obama, de 45%, continua abaixo da desaprovação, de 47%, segundo o Instituto Gallup. Para um alto funcionário do governo americano, o cenário desfavorável a Obama é apenas momentâneo. "Com as eleições de 2010, o presidente perde no curto prazo. Mas certamente ganhará no longo prazo, com a recuperação da economia e a saída das tropas do Afeganistão", afirmou.

No início de outubro, surgiram rumores em Washington sobre a possível candidatura em 2012 da secretária de Estado, Hillary Clinton. Em 2008, a ex-senadora perdeu a indicação do Partido Democrata para Obama. A Casa Branca desmentiu. Hillary distanciou-se dos comícios. Mas o ex-presidente Bill Clinton, seu marido, saiu em defesa de candidaturas democratas no último mês da campanha. "Hoje, ninguém pode ter a certeza de vencer as primárias dos partidos em 2012", afirmou Michael Barone, analista político conservador. Segundo ele, a incerteza sobre a candidatura republicana será mais corrosiva que no caso dos democratas. Boa parte dos líderes republicanos tentará barrar o projeto de eleição presidencial de Sarah Palin.

Embora não concorra na votação de hoje, Palin foi uma das figuras mais atuantes na defesa das candidaturas republicanas e sairá fortalecida pela exposição pública. Mas sua candidatura pode semear a discórdia no partido. Muitos republicanos creem que ela afastaria parte dos eleitores independentes e beneficiaria Obama.

"Há um sentimento negativo entre os líderes republicanos sobre Sarah Palin. Ela é vista como uma política não qualificada para concorrer à presidência. Muitos tentarão formar coalizões para derrotá-la nas primárias do partido", afirmou Barone.

Para a eleição de hoje, os republicanos conseguiram reverter sua tradicional desvantagem, em relação aos democratas, na arrecadação de recursos. Além do fundo do Comitê Nacional Republicano, estruturas paralelas foram criadas para captar doações, financiar a eleição de 2010 e preparar o terreno para 2012. Karl Rove e Ed Gillespie, ex-conselheiros de George W. Bush, criaram o American Crossroad. Outro grupo similar é o Crossroad GPS. Segundo The New York Times, ambos angariaram um total de US$ 50 milhões. Passadas as eleições, as duas máquinas farão propaganda contra os projetos a ser enviados por Obama ao Congresso.

PARA ENTENDER


A cada dois anos, os americanos vão às urnas para eleger os 435 deputados da Câmara e um terço do Senado (37 das 100 vagas). Outros 39 Estados e territórios escolherão novos governadores. A eleição de hoje pode condenar o presidente Barack Obama a seus dois últimos anos de mandato sem o atual conforto da maioria no Congresso e emperrar a aprovação de projetos importantes.

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segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Dilma se elegeria mesmo sem os votos do Norte e do Nordeste. As duas regiões apenas aumentaram a diferença.


Pessoas descontentes com a eleição da petista Dilma Rousseff atribuíram aos eleitores da região Nordeste peso decisivo no resultado do segundo turno, neste domingo (31). Porém, os nordestinos apenas aumentaram a vantagem que a futura presidente obteve no resto do País. Considerando apenas Norte, Centro-Oeste, Sul e Sudeste, ela somou 1.873.507 votos a mais do que o tucano José Serra.

E, antes que novos discursos discriminatórios - canalizados contra o Nordeste na internet - se direcionem a outro alvo fácil, o Norte, vale destacar que Dilma também ganharia a eleição sem o saldo positivo de 1.033.802 votos com que os nortistas lhe agraciaram.

O Sudeste, idealizado pelos críticos de nordestinos e nortistas como bastião do PSDB, deu à petista 1.630.614 eleitores a mais do que seu adversário. Esta quantidade supera em 839.695 votos a soma das vantagens que Serra teve no Sul, 656.485, e no Centro-Oeste, 134.434.

TERRA MAGAZINE

Embora o candidato tucano tenha acumulado 1.846.036 votos a mais do que Dilma em São Paulo, ele perdeu no segundo e no terceiro maiores colégios eleitorais do País, Minas Gerais e Rio de Janeiro, respectivamente com saldo negativo de 1.797.831 e 1.710.186.

Dilma passa um pito na Globo e dá a sua primeira entrevista como presidente eleita para a Rede Record.

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