sexta-feira, 11 de maio de 2012

Descrição de Timbaúba, São Vicente e Macaparana, em 1913


O texto reproduzido no exemplar n. 8 d'A Serra corresponde ao pedido do então deputado Manoel Borba para que o governo federal construísse uma estrada de rodagem ligando Timbaúba a São Vicente Férrer, aproveitando as verbas dos programas de obras contra a seca. Cruangi é apresentada como excelente para as canas; Timbaúba, São Vicente e Macaparana como ótimas para o algodão; São Vicente também para os cereais.

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domingo, 22 de abril de 2012

O Correio de Timbaúba, editado em 1914







Segundo Luiz do Nascimento, no volume 14 de sua História da Imprensa em Pernambuco, este jornal conseguiu circular até o número 19, entre outubro de 1914 e janeiro de 1916. Trabalhando com a pesquisa sobre os exemplares d'A Serra, o jornal editado por Jáder de Andrade, encontrei em um de seus volumes encadernados, este exemplar do nº 1 do Correio. Detalhe para os anunciantes e para a reclamação acerca da qualidade dos serviços prestados pela Great Western.

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domingo, 8 de abril de 2012

Timbaúba, 133 anos: no início, o algodão e uma rebelião popular


Vista do interior da firma Queiroz & Andrade, acervo FUNDAJ



Quem perguntar em Timbaúba, na Zona da Mata Norte de Pernambuco, sobre o que significa “Mocós” terá como rápida resposta a indicação de um pequeno roedor cuja presença no passado era comum naquelas terras. Os significados deste nome, entretanto, dizem muito sobre o passado da Zona da Mata Norte de Pernambuco, associado ao algodão e a presença de pequenos proprietários, bem como às lutas sociais da Praieira e dos Quebra-Quilos, estas igualmente relacionadas os homens livres pobres da região.

O Dicionário Chorográphico, de Sebastião Galvão, escrito entre 1908 e 1927, nomina diversas serras e lugares do interior de Pernambuco que possuem o nome de ‘mocós’, sem explicitar o significado da palavra. Há delas em Garanhuns, em Bonito, em Pedra, em Gravatá, entre Bezerros e Bonito, e ainda, um riacho que é afluente do rio Ipojuca, no município de Caruaru. No mesmo sentido, na abertura de seu livro de memórias, o velho Gregório Bezerra afirma que nasceu ‘em um sítio chamado Mocós, em Panelas de Miranda’. Em Timbaúba, é a identificação do povoado de ‘Mocozinho, junto à cidade, da qual se pode dizer que é um prolongamento’. Pereira da Costa, nos Anais Pernambucanos, contemporâneo de Sebastião Galvão, associa o nome a um roedor e o dicionário Houaiss acrescenta que ‘mocozal’ é o tipo de serra onde esses animais abundam. Mas, é muito importante ressaltar que mocó é ainda o tipo de algodão conhecido por Seridó, preferido pelas tecelagens inglesas por possuir fibras longas e resistentes.

Pereira da Costa assinala, ainda, duas coisas importantes. Primeiro, uma citação antiga nos “Diálogos das Grandezas do Brasil”, que dizia serem esses pequenos roedores ‘feitos domésticos para combater os grandes ratos, por serem [os mocós] perseguidores deles [os ratos]’. Segundo, que foi esta a inspiração para nomear um jornal redigido pelos praieiros que circulou no Recife na década de 1840, com o título “O Mocó”. Este jornal tinha por epígrafe ‘Fugi, Guabirus, do esperto mocó! Às suas buscas não escapa um só!’. Os praieiros defendiam entre outras coisas, a nacionalização do comércio com a expulsão dos portugueses que monopolizavam esta atividade e chamavam de ‘guabirus’ aos conservadores e partidários dos portugueses, contra quem se rebelaram entre 1847 e 1850. Mocó era, portanto, um pequeno animal, que unido aos seus iguais, não temia enfrentar os guabirus. Epígrafe melhor não poderia haver.

Em 1847 foi exatamente isso que os habitantes de Mocozinhos, núcleo original da cidade de Timbaúba, fizeram, em um levante contra o ‘fazendeiro português’ que monopolizava o comércio e a compra do algodão produzido na região, radicado naquelas terras desde meados da década de 1820, onde se dedicou a principal atividade econômica da mata seca, o cultivo de algodão. Um potentado local que construiu riqueza em torno do ouro branco e montou uma casa de descaroçamento, diversificando seus investimentos. Sebastião Galvão registrou em seu Dicionário a expansão das propriedades e do poder de Guimarães, ‘pisando direitos impunemente e expelindo da terra quem o desagradasse, chegando ao desassombro dos crimes’. Pereira da Costa também foi direto: ‘fazia leis consuetudinárias, conspurcava o direito dos fracos, desterrava uns e assassinava a outros’. Os pequenos proprietários da região encontraram, depois de muito tempo e opressão política, uma fissura no mando que o Guimarães de Timbaúba exercia, levando-os à reação. Esta ocorreu em meio aos protestos que os praieiros conduziram na capital contra o monopólio dos portugueses sobre o comércio. Guimarães foi morto por um tiro, em meio a uma turba, em sua loja de fazendas no final de 1847. Os mocozinhos puseram fim ao que julgavam ser um gigantesco guabiru a roubar-lhes e ameaçar-lhes o cotidiano.

Pensar no termo 'Mocós' como um nome que remete a uma rebelião popular que põe fim ao mando político de um oligarca e ao controle econômico deste sobre os proprietários e pobres do lugar é algo, sem dúvida, memorável. Mocós como nome da melhor fibra de algodão produzida em Pernambuco também é significativo da história econômica local, representando uma época em que a cana dividia espaço com outros produtos agrícolas. Entretanto, a memória social do lugar perdeu tais significados à medida que avançava o século, na esteira da longa decadência do algodão. Mesmo o brasão da cidade foi modificado, pois no original, o escudo representativo do município era ladeado por um ramo de algodão e outro de cana, passando a ser desenhado na década de 1960 com dois ramos de cana de açúcar. A expansão das usinas de açúcar reforçou a concentração de terras, a decadência do algodão e dos pequenos proprietários e banguezeiros, reforçando um processo de pauperização e concentração de renda tão bem denunciada e retratada por Manuel Correia de Andrade, Josué de Castro, José Lins do Rego e outros intelectuais. Mas isso já é outra história.

Timbaúba, 133 anos de emancipação política





As imagens acima são da Revista de Timbaúba, publicada em 1932, quando a prefeitura comemorou 50 anos de instalação da Câmara Municipal.

 Capa do Informador de Timbaúba

 Loja A Violeta, à Praça Carlos Lyra, n. 19

 Igreja de Mocós
 
 "Confortável residência do dr. José de Araújo Pereira"

 Engenho Bela Vista, do cel. Álvaro Xavier de Morais Coutinho

 "Gente bonita de Timbaúba"

Igreja Matriz, depois de reconstruída, apenas com uma torre

 "Igreja Protestante", atual Igreja Congregacional

 Praça Carlos Lyra



Este outro conjunto de imagens são do Informador de Timbaúba, editado em 1937.

sexta-feira, 2 de março de 2012

Programa Consensus sobre Missão Integral da Igreja

consensus Missão Integral.m4a


No programa estamos eu, o prof. Hely Ferreira (presbiteriano), o pr. Valdeci (batista), com apresentação do pr. Roberval Góis. Discutimos as relações entre igreja e sociedade, atuação dos políticos evangélicos, políticas de defesa da família.

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Centenário da eleição Dantas Barreto vs Rosa e Silva


No dia 5 de novembro de 1911, Pernambuco assistiu a uma das eleições mais acirradas de sua história, com a disputa entre o general Dantas Barreto e o conselheiro Rosa e Silva, que controlava a política estadual há dezesseis anos. Rosa e Silva formou-se advogado pela Faculdade de Direito do Recife e construiu a sua carreira política na última década do império pelas mãos do conselheiro João Alfredo, de quem chegou a ser ministro da justiça, servindo ao gabinete que apresentou e aprovou o projeto da abolição da escravidão. Convertido à república, criou o Partido Republicano em Pernambuco e foi eleito vice-presidente de Campos Sales no período 1898/1902. Construiu uma hegemonia inconteste sobre a política estadual, onde indicou e elegeu quatro governadores: Correia de Araújo, Gonçalves Ferreira, Sigismundo Gonçalves e Herculano Bandeira. Em 1901, Rosa e Silva comprou o Diário de Pernambuco, que ao mesmo tempo em que serviu à consolidação de sua influência, abrigou um grupo de jovens colaboradores que teriam papéis relevantes na cultura e política nacional nas próximas décadas, a exemplo de Gilberto Freyre e Assis Chateaubriand.

A eleição do marechal Hermes da Fonseca para a presidência em 1910, entretanto, mudou as relações entre a presidência e os estados, já que aquele alimentava o projeto de centralizar o poder e reduzir a força das oligarquias, ‘salvando’ os estados do atraso que estas representariam. Sua política ‘salvacionista’ provocou conflitos, intervenções e substituições de vários grupos políticos pelo país nos dois anos seguintes. Aqui, o general Dantas Barreto, natural de Bom Conselho e veterano de Canudos, vislumbrou a oportunidade de disputar o governo depois que foi nomeado Ministro da Guerra, passando a ser o depositário das esperanças de vitória das oposições. A candidatura de Dantas ganhou as ruas e forçou o conselheiro a disputar pessoalmente as eleições. Na campanha dantista, viagens pelo estado, comícios, o envolvimento das classes médias e populares com promessas de mudanças políticas e econômicas. Na defensiva, a tática rosista envolveu manobras políticas no melhor estilo da Primeira República. Rosa e Silva orientou a renúncia do governador Herculano Bandeira, provocando a posse de Estácio Coimbra no comando do estado e a antecipação do pleito, reduzindo o tempo da campanha.

Consumada a eleição, Rosa venceu por uma margem de cerca de mil votos, mas foi derrotado em Recife. Como era comum, seguiu-se a batalha pelo reconhecimento dos resultados na Comissão Verificadora de Poderes, formada por deputados e com o papel de confirmar a licitude das apurações e resultados. Dantas não acatou a derrota e denúncias de fraudes corriam de lado a lado, mas o controle da máquina política por Rosa e Silva deveria garantir a ratificação dos resultados. Seguiram-se vários episódios de violência pelo estado, inclusive com o empastelamento do Diário de Pernambuco. Apoiados pelo presidente da república, pelo exército e grupos populares, os dantistas tomaram o Recife. Estácio Coimbra, sem condições de resistir, retirou-se para seu engenho em Barreiros. No dia 18 de dezembro, uma Assembleia Legislativa com apenas um terço dos seus representantes efetivou o reconhecimento das eleições, anulando diversas urnas, invertendo os números e dando a vitória a Dantas Barreto, que tomou posse como novo governador.

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Falecimento de Euclides Nascimento, fundador da FETAPE e da CONTAG

Conhecido por sua trajetória de luta, voltada para o homem e a mulher do campo, morreu neste 26 de dezembro, vítima de uma parada cardíaca, Euclides Nascimento, carinhosamente conhecido como Chiquinho. Fundador e ex-presidente da Fetape, ele acompanhou o surgimento do movimento sindical rural pernambucano, na década de 60, sendo um líder-fundador dos primeiros sindicatos rurais deste estado.


Euclides integrou uma geração que organizou o movimento sindical em torno da 'luta pelos direitos', batendo-se pela construção e reconhecimento de direitos trabalhistas para os trabalhadores rurais em todo o país. Para as gerações atuais e urbanas, até a década de 1960 a forma majoritária de pagamento do trabalhador do campo era um vale que só podia ser usado nas mercearias dos próprios engenhos, fazendas e usinas, o tristemente célebre 'barracão'. Simplesmente não se tratava sequer de uma relação capitalista, já que não ocorria a circulação monetária. O primeiro estado do Brasil que fez uma lei para proibir o barracão foi Pernambuco, em 1962, após o Acordo do Campo, celebrado no primeiro mandato de Miguel Arraes entre sindicatos, fornecedores de cana, usineiros e governo. 

Euclides Nascimento, José Francisco e José Rodrigues constituíram o trio que organizou o sindicalismo rural no estado e no Brasil, através da criação da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (CONTAG), com apoio da Igreja Católica. Em 1979, organizaram a primeira grande mobilização de trabalhadores rurais, marcando as grandes 'campanhas salariais' da década de 80. 


AQUI, você pode baixar a revista feita pela FETAPE nos 40 anos da fundação da entidade, em 2002. 




terça-feira, 22 de novembro de 2011

Elio Gaspari - Um plano para 2012: ler sobre a China


Quando chega o fim do ano surgem os projetos: emagrecer, fazer exercícios, segurar as compras. Para 2012 algumas pessoas podem acrescentar outro: entender o que está acontecendo com a China. Quem gosta de opinar sobre assuntos internacionais e acha que não precisa, pode fazer um teste: liste cinco cidades chinesas e cinco políticos chineses vivos.

Tratando-se da segunda economia do mundo e do maior parceiro comercial do Brasil, vale a pena. O problema é como começar. Na primeira confusão entre Guangzhou e Fuzhou, ou entre Hu Jintao (o atual presidente) e Xi Jinping (seu provável sucessor), a pessoa desiste. É duro, mas, visto da China, o Brasil, onde Rousseff é Dilma e Guido é Mantega, também não é fácil.

Para quem quiser remediar a lacuna, o livro "Sobre a China", do ex-secretário de Estado americano Henry Kissinger, é um bom remédio. Na realidade, são três livros num volume. O primeiro é um passeio pela história e cultura do Império do Meio. Ensina coisas assim: "Os chineses nunca produziram um mito de criação cósmica. Para eles, o universo foi criado por eles". Essa civilização que se vê como o centro do mundo passou por 150 anos de humilhações, com fomes e guerras que consumiram 100 milhões de pessoas. Quem tiver saído dessa parte confundindo Zeng Guofan com Wei Yuan, não deve se preocupar. No século 20 ficará mais à vontade.

O segundo livro conta a essência da virada ocorrida nos anos 70, quando Mao Zedong aproximou-se do Ocidente. Como Kissinger foi um personagem relevante nesse jogo, sua narrativa é rica, até quando reconhece seus erros, produzidos pela ignorância. Por exemplo: como os vietcongs jamais se renderiam, eram invencíveis e Mao falava sério quando dizia que não tinha medo de uma guerra nuclear.

A terceira parte de "Sobre a China" é a mais valiosa. Kissinger, que fez mais de 50 viagens a Pequim, constrói um cenário no qual a incompreensão do Ocidente e o nacionalismo chinês serão fatores de futuras tensões. Quando o companheiro Obama vai à Ásia acertar alianças estratégicas e militares, sabe que estimula o receio do Império do Meio de se ver cercado pelos "demônios estrangeiros".

Ao final do livro, como um mandarim, Kissinger lembra a situação europeia de 1907, quando um diplomata inglês fez um trabalho sobre as relações com a Alemanha. Nessa época, os dois países eram grandes parceiros comerciais, e tudo o que o kaiser fazia era visto em Londres como uma ameaça estratégica. Em Berlim havia o mesmo sentimento em relação aos ingleses. Sete anos depois, começou a Grande Guerra. Kissinger apresenta esse risco com extrema cautela. Seu interesse é mostrar que existe o perigo do "desfecho infeliz".


Você pode baixar e ler o 1° capítulo AQUI, no sítio da Editora Objetiva.

domingo, 20 de novembro de 2011

Os eleitores castigam nas urnas aos partidos no poder durante a crise

Os eleitores não perdoam. Desde que começou a crise, os partidos no governo vem caindo nas urnas sem importar que sejam conservadores ou progressistas. Desde maior de 2010, os governos de cinco países da Europa perderam as eleições gerais e em alguns casos com os piores resultados das últimas décadas.

Desde o ano passado, Reino Unido, Holanda, Irlanda, Portugal e Dinamarca mudaram as cores políticas de seus governos como castigo pela crise econômica. Os trabalhistas de Gordon Brown colheram nas eleições de 06 de maio de 2010 os seu pior resultado desde 1983 frente aos conservadores de David Cameron. O líder do Partido Trabalhista demitiu-se depois das eleições gerais.

Na Holanda, o então primeiro-ministro Democrata-Cristão Jan Peter Balkenende perdeu nas urnas 20 cadeiras no parlamento e registrou uma queda de eleitores que não havia sofrido nos 23 anos de vida de seu partido, a Democracia Cristã. Pela primeira vez em 92 anos, um liberal assumiu o governo neerlandês. 

Os resultados das eleições gerais da Irlanda em fevereiro deste ano confirmaram a queda do Fiana Fail, partido dominante na política irlandesa desde a independência, que foi castigado pela profunda crise econômica e financeira que vive o país há três anos. Deixou de ser o partido mais votado e foi ao terceiro lugar, com 24% dos votos.

O Partido Socialista Português não havia conhecido resultado pior nos últimos 20 anos, antes das últimas eleições de junho. O primeiro-ministro demissionário, José Sócrates, foi o grande derrotado com 28% dos votos, frente aos 38% do Partido Social-Democrata, e anunciou sua demissão como secretário geral do PS.

Em setembro, os eleitores da Dinamarca acabaram com 10 anos sucessivos de governos de centro-direita apoiados pelo populista Partido Popular Dinamarquês. O bloco opositor de centro-esquerda, encabeçado pela social-democrata Helle Thorning-Schmidt, ganhou as eleições gerais ao obter os 50,3% dos votos, frente aos 48,9% da direita.


Apenas na Suécia os conservadores conseguiram renovar seu mandato em setembro de 2010. A boa gestão econômica do governo Fredrik Reinfeldt e seu projeto de reforma moderada do estado de bem estar convenceu aos suecos a dar pela primeira vez em sua história para a "Aliança para a Suécia" um segundo mandato consecutivo.

Ao castigo dos eleitores na Europa, há que somar-se a queda de Silvio Berlusconi como primeiro-ministro da Itália no último 12 de novembro, depois que a União Europeia e os mercados pediram sua cabeça ao presidente da república, Georgio Napolitano, em troca do apoio para evitar a quebra da Itália. E a de Yorgos Papandreau, na Grécia. O chefe do governo grego ofereceu a sua renúncia, aos dois anos de legislatura, para dar lugar a um governo de unidade que aprove o resgate financeiro da Grécia e espante o fantasma de uma bancarrota e consequente saída da Zona do Euro.

A aliança econômica franco-alemã tampouco está fora das rusgas eleitorais. Em vésperas das eleições presidenciais de 2012 na França, o presidente Nicolas Sarkozy observa ressabiado a estes últimos resultados. Nas eleições locais, o Partido Socialista recuperou posições e na eleição indireta ao Senado, os eleitores concederam a maioria absoluta aos socialistas pela primeira vez desde a criação da Quinta República, em 1958.

A chanceler Angela Merkel também conhece o sabor da derrota. Os sociais-democratas alemães obtiveram em fevereiro uma folgada maioria em Hamburgo, na metade da segunda legislatura. Também em Mecklemburgo-Pomerania e em Baden-Wurttemberg, onde ganharam pela primeira vez dos Verdes.

Na Espanha, os primeiros indícios da mudança de governo que se confirmou hoje foram registrados depois da conquista pelo Partido Popular nas últimas eleições municipais de 22 de maio, nas quais fizeram o governo de 10 das 13 comunidades em jogo.

ARTIGO TRADUZIDO DO JORNAL EL PAIS, que pode ser lido no original, AQUI.

Crise continua a varrer governos europeus

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

XI Encontro Nacional de História Oral tem como tema "Memória, Democracia e Justiça"


A Associação Brasileira de História Oral (ABHO) tem a satisfação de convidar a comunidade de pesquisadores para o XI Encontro Nacional de História Oral, evento que ocorrerá de 10 a 13 de julho de 2012 no Instituto de Filosofia e Ciências Sociais/Instituto de História da Universidade Federal do Rio de Janeiro - UFRJ, Largo de São Francisco, n.1, Centro, Rio de Janeiro.

O XI Encontro Nacional de História Oral, tem como tema "Memória, Democracia e Justiça". Em nosso mundo contemporâneo, nas últimas décadas, inúmeras sociedades viveram transições políticas importantes: passaram de regimes ditatoriais e arbitrários para regimes democráticos. Neste processo de transição algumas questões são fundamentais. Entre elas: a memória e o direito à verdade e à justiça. A história oral - que trabalha com depoimentos, testemunhos, memória, trauma, verbalização e re-significação do passado e das experiências de vida - muito tem a contribuir para este processo.

O evento reunirá professores, pesquisadores e estudantes de diferentes áreas e das mais diversas instituições acadêmicas de todas as regiões do Brasil, e nossos convidados estrangeiros.

http://www.encontro2012.historiaoral.org.br/

José Roberto de Toledo, no Estadão: Marta é primeira vítima da doença de Lula

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Kennedy Alencar e Lúcia Hipólito sobre a doença de Lula. Duas opiniões..

Kennedy Alencar: Doença tende a mitificar mais ainda a figura de Lula


Lúcia Hipólito: Câncer obriga Lula a rever planos e estratégias políticas

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Eleições, constituição e pena de morte no Brasil


Os períodos eleitorais fazem surgir promessas mirabolantes feitas pelos candidatos para seduzir o eleitor. Os candidatos aos cargos executivos fazem-nas à exaustão desde sempre, a maioria vista com descrédito, afinal, de acordo com a sabedoria popular, quem acreditará em “promessa de candidato”?! Muitas destas, entretanto, não podem efetivamente ser cumpridas ou porque não fazem parte das funções do parlamentar ou simplesmente porque sua discussão não é sequer possível. O caso mais típico do primeiro tipo são os projetos pretendidos pelos deputados ou vereadores que impliquem em criação de despesas, algo que é vedado ao poder legislativo, que apenas pode propor emendas financeiras por ocasião da discussão anual do orçamento da prefeitura, do estado ou da União.

Um caso mais preocupante ainda são as promessas de alguns candidatos em “lutar para implantar a pena de morte” no Brasil. Quem assim o faz, lança mão de um artifício para atrair a atenção, tentando manipular a percepção de insegurança e impunidade que permeia a sociedade, conquistando votos para si. Mas, tal proposta é simplesmente impossível de ser concretizada no país sob a atual ordem constitucional. O debate parlamentar sobre a pena de morte é simplesmente vedado pela constituição de 1988. O artigo 5º, que trata do rol dos direitos individuais, trata da pena de morte em dois momentos. Por um lado, estabelece a proibição de “penas desumanas, cruéis ou degradantes” no inciso 3º e, por outro, afirma que “não haverá pena de morte, salvo em caso de guerra declarada” no inciso nº 47. Ou seja, a constituição prevê a possibilidade da pena capital apenas para os casos de situação de guerra e veda a sua possibilidade para qualquer outro caso, inclusive quaisquer outras penalidades “cruéis ou degradantes”.

O eleitor poderia ser levado a pensar que se trata agora, apenas de eleger alguém que se proponha a fazer uma emenda que mude tal artigo e pronto. Portanto, nada melhor que escolher o valente e esbravejante candidato que tem a coragem para discutir e levar adiante esta questão! Ledo engano. Todas as constituições possuem, lado a lado, os instrumentos e ritos que preveem a sua própria reforma e estabelece aquilo que não poderá ser objeto de reforma de maneira alguma, ou seja, determina a sua “cláusula pétrea”. Na nossa, ela está no art. 60, inciso 4º, onde se afirma que não será “objeto de deliberação”, isto é, o poder legislativo não poderá sequer discutir mudanças nos seguintes pontos: (a) a forma federativa; (b) o voto direto, secreto, universal e periódico; (c) a separação de poderes; (d) os direitos e garantias individuais (o famoso art. 5°). Ora, já vimos que o artigo 5º veda a pena de morte, exceto em caso de guerra declarada; e que o artigo 60 afirma que nada que esteja nele é passível sequer de deliberação pelo Congresso Nacional.

Portanto, qualquer candidato que peça o seu voto nas eleições que se aproximam prometendo lutar pela pena de morte, ou está mentindo, ou não sabe do que está falando. Em nenhum dos dois casos parece que seja merecedor de nosso sufrágio. Os partidos e candidatos que se passam a tais promessas perdem uma oportunidade ímpar de aprimorar a cultura política educando o eleitor e a sociedade sobre a tarefa da representação política, de sua função legislativa e dos modos de fiscalização do executivo.

DIÁRIO DE PERNAMBUCO (link para assinantes)

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Pena de morte: uma polêmica execução na Geórgia agita os EUA (El País)


Pouco importa que um ex-diretor do FBI, William Sessions, partidário feroz da pena de morte, haja solicitado que se execute hoje a Troy Davis porque seu caso faz água por todos os lados.

O último recurso que restava a este preso de 42 anos, condenado à pena capital por uma acusação de matar em 1989 a um policial que estava fora de serviço, foi rejeitado hoje pela Corte de Perdões do Estado da Geórgia. O tribunal decidiu não comutar a pena por prisão perpétua sem dar mais explicações.

A execução de Davis foi suspensa no último momento em três ocasiões durante mais de duas décadas. Nada faz pensar que isso ocorra hoje às sete da noite, quando Davis receba a injeção letal em uma penitenciária de Jackson (Geórgia).

Excepcionalmente, a Suprema Corte dos EUA concedeu a Davis em 2009 uma vista para que provasse sua inocencia aos magistrados, algo incomum e que não havia sido utilizado há 50 anos,já que os réus normalmente procuram tribunais inferiores.

A Suprema Corte transferiu o caso a um juiz federal da Geórgia que finalmente decidiu que as provas que a defesa apresentava eram 'pura fumaça'. Apenas restava a Corte de Perdões, que finalmente rejeitou o recurso do réu.

O caso de Davis obteve relevância internacional, já que instituições como a União Européia, organizações como a Anistia Internacional e políticos como o ex-presidente dos EUA, Jimmy Carter, além do Papa, pediram ao estado da Geórgia que perdoasse ao prisioneiro ou lhe comutasse a sentença.

Nos últimos anos, sete testemunhas da acusação original que participaram no julgamento de 1991 mudaram suas declarações.

O caso desmoronou. Não há testemunhas, não há arma do crime. Uma testemunha (Quiana Glover) assegura que o homem cujo testemunho foi determinante em sua condenação (Sylvester Cole) lhe confessou em uma festa que foi quem matou o agente. Mas, nada se pode fazer. Muito provavelmente, o prisioneiro será executado hoje na Geórgia. Sua morte será a 34a. este e a 1.268 desde que o Supremo reinstaurou os homicídios legais em 1976.

EL PAÍS.

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Artigo meu no Diário de Pernambuco de hoje:120 anos de liberdade religiosa no Brasil


A primeira constituição da república foi promulgada em fevereiro de 1891 e marcou a separação entre o Estado e a Igreja no Brasil. Durante a Colônia e o Império, a Igreja Católica era a igreja oficial e qualquer outra fé era proibida. Desta forma, judeus foram forçados à conversão sob a marca de “cristãos-novos” e o Brasil foi concebido como uma terra a ser protegida dos ‘hereges protestantes’. Em 1808, a vinda da família real provocou uma tímida abertura, pois a crescente presença de ingleses, a maioria protestantes, levou ao reconhecimento do direito de celebrarem seus cultos religiosos. A fórmula para isso foi autorizar cultos no interior de casas sem aparência de igrejas e na língua dos celebrantes, de modo a não haver proselitismo.

Durante o século XIX, havia o agravante de que apenas os casamentos em igrejas católicas eram reconhecidos, não havendo sequer o casamento civil. Morrer também era um problema, pois os cemitérios eram administrados pelo clero e fechado aos ‘infiéis’. O imperador chegou a ceder para a Inglaterra, terrenos nas principais cidades do Brasil para a construção de campos santos, onde os protestantes poderiam ser sepultados. Tornou-se célebre em Pernambuco a polêmica travada nos jornais entre Abreu e Lima e o bispo Cardoso Ayres pelo direito de liberdade religiosa, culminando com a negação de sepultura ao general. O problema só foi resolvido porque o “Cemitério dos Ingleses” abriu-se para receber o corpo do valente Abreu e Lima, onde está até hoje como testemunha daqueles dias difíceis. O imperador também tinha o direito de nomear os bispos e as ordens papais apenas eram cumpridas no Brasil com a sua aquiescência, situação que provocou graves tensões entre o Estado e a Igreja. De fato, os bispos viviam no dilema da dupla fidelidade que precisavam manter, ao Papa e ao Rei, tendo que escolher a este último em caso de conflito.

A república separou a Igreja e o Estado. Foi criado o casamento e o registro de nascimento civis e os cemitérios passaram a ser administrados pelas prefeituras; o Estado não tinha mais uma religião oficial e inscreveu-se o direito individual de escolha de religião. É preciso lembrar que, apesar desse avanço, a cultura popular era marcada pelo enfrentamento religioso e ocorriam muitos confrontos entre católicos e adeptos das ‘seitas protestantes’. Mesmo assim, as igrejas evangélicas foram as que mais saudaram a Carta Magna de 1891, pois possuíam planos específicos de criação de campos missionários no país. Judeus e muçulmanos se sentiram igualmente contemplados, pois o início do século XX foi um momento de importantes ondas migratórias destes grupos para o Brasil. Os católicos também saudaram as mudanças porque, mesmo sem o status de religião oficial, não veriam mais a sua igreja sofrer intervenção do governante de plantão. Religiões de matrizes africanas, entretanto, demorariam muito mais a terem respeitadas tais garantias de liberdade.

Hoje, apesar da ressurgência de fundamentalistas que tentam pautar o Estado pelas reivindicações de seus grupos e promovem preconceitos contra crenças diferentes da sua, o Brasil pode se orgulhar de ser um dos poucos lugares onde encontramos em um mesmo bairro mesquitas, sinagogas, centros kardecistas, terreiros, igrejas católicas e evangélicas. E que todos passam pelas mesmas calçadas em direção a seus lugares de culto e reunião sem temer-se ou agredir-se mutuamente.