terça-feira, 19 de junho de 2012
Entrevista com o Jornalista Lira Neto sobre a biografia de Getúlio Vargas
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domingo, 17 de junho de 2012
80 anos da Liga Eleitoral Católica
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quinta-feira, 14 de junho de 2012
Desafios de François Hollande, por Luis Felipe de Alencastro
RESUMO O cientista político e historiador Luiz Felipe de
Alencastro faz uma análise da vitória de François Hollande, eleito
presidente da França em 6/5, e comenta suas implicações futuras, como as
eleições legislativas, em junho, as demandas do eleitorado
ultranacionalista e a condução da relação franco-alemã no âmbito
europeu.
A eleição de François Hollande abre novas perspectivas políticas na França, pode aplacar a crise na zona do euro e, quiçá, oferece nova dimensão à social-democracia europeia. Para tanto, Hollande terá que vencer vários desafios.
O primeiro concerne as eleições de 10 e 17/6, para a Assembleia Nacional. Se os socialistas perdem, o programa governamental do novo presidente emperra, os juros dos títulos da dívida pública francesa disparam e a União Europeia (UE) se enterra mais ainda. Boa parte da calma com que a eleição de Hollande foi acolhida na Europa explica-se por um motivo bastante simples: a parada política ainda não está decidida na França.
Como é sabido, o sistema multipartidário francês tem duas particularidades. A primeira é o semipresidencialismo. O presidente eleito pelo sufrágio universal é o chefe de Estado. Quem forma e dirige o governo é o primeiro-ministro, representante da maioria parlamentar.
Se há oposição entre a maioria presidencial e a parlamentar -no jargão político francês, "coabitação"-, o governo do país fica mais complicado. Daí a importância do equacionamento da segunda particularidade francesa, as legislativas em dois turnos.
No primeiro turno é eleito o candidato com a maioria absoluta dos votos válidos do distrito eleitoral. Se isso não ocorrer, realiza-se o segundo turno, no qual pode haver três ou quatro concorrentes a uma cadeira. Aí muda o jogo e os partidos fazem acordos de desistência para vencer os adversários do outro quadrante ideológico.
Considere-se o acordo entre o Partido Socialista e o Partido Verde, já registrado em papel firmado. Se, em determinado distrito, um socialista estiver mais bem posicionado para derrotar a direita no segundo turno, o eventual ecologista retira sua candidatura e apoia o socialista. Num distrito favorável ao verde, será a vez de o socialista retirar a candidatura.
FRENTE NACIONAL A direita segue a mesma lógica, com os gaullistas da União por um Movimento Popular (UMP) aliando-se geralmente aos centristas e aos democratas-cristãos. Porém, o crescimento eleitoral da extrema direita, da Frente Nacional (FN), embaralhou ainda mais as cartas no campo conservador.
Nicolas Sarkozy ganhou no segundo turno em 2007 atraindo, sem aliança partidária, eleitores que no primeiro turno votaram no candidato da FN, Jean-Marie Le Pen. Na campanha recente, a tática não deu certo.
De saída, Sarkozy, bem como outros governantes europeus derrotados nos últimos anos, sofreu um intenso desgaste com o acirramento da crise econômica. Contudo, seu fracasso decorre também de outro motivo: a nova estratégia da Frente Nacional.
Ao contrário de seu pai, Jean-Marie Le Pen, um ideólogo vociferante, obcecado pela Alemanha nazista, Marine Le Pen, atual dirigente da FN, aparece como uma política mais aceitável e sobretudo mais habilidosa.
Desde o começo da campanha, deixou claro que seu objetivo principal se situa no "terceiro turno": eleger o maior número possível de deputados pela chapa da FN.
No seu ponto vista, setores dissidentes da UMP poderiam fazer aliança com a FN nas eleições de junho. Se eleger um mínimo de 20 deputados entre os 577 membros da nova Assembleia, a FN poderá se constituir como grupo parlamentar autônomo, ganhando bastante peso político.
Seguindo o princípio definido por Charles de Gaulle (1890-1970) e reafirmado por Jacques Chirac nos anos 1980, os gaullistas excluem alianças com a extrema direita em todas as instâncias eleitorais.
Tal é a razão que bloqueou até agora a eleição de deputados da FN -apesar do número elevado de votos nas eleições presidenciais, o partido não tem nenhuma cadeira na Assembleia Nacional.
Sarkozy, porém, aproximou-se das teses da FN, questionando a abertura das fronteiras entre os países da UE e insistindo na alegada correlação entre imigração e criminalidade. Ao levantar as ambiguidades da campanha sarkozysta, a UMP reiterou seu veto à aliança com a FN.
Segundo o secretário-geral da UMP, Jean-François Copé, "não haverá aliança eleitoral nem negociação com os dirigentes da Frente Nacional". A declaração mostra que os gaullistas e os conservadores mais moderados se impuseram à direção da UMP. Tal evolução fez baixar as tensões políticas.
Além disso, há uma tradição republicana que facilita a tarefa de Hollande: sempre que um novo presidente é eleito, os franceses elegem uma maioria de deputados da mesma tendência política.
Uma pesquisa recente indica que 61% dos franceses preferem que mais deputados eleitos em junho proporcionem uma maioria favorável a Hollande, entendendo que ele deve dispor de meios políticos e institucionais para governar.
alemanha Qual será então a política de Hollande? Aqui se situa o segundo problema do presidente eleito: como gerir a França e as relações franco-alemãs?
Na verdade, a imbricação da vida política dos dois países é constante desde a reconciliação pilotada por De Gaulle e Konrad Adenauer (1876-1967) em 1963.
Depois da reunificação alemã (1990) e da ampliação da UE, com a inclusão de países da Europa Oriental historicamente ligados a Berlim, em 2003-04, os governos alemães, reforçados pelo dinamismo econômico do país, ganharam uma dimensão hegemônica na Europa. Mas Berlim e Paris conhecem sua mútua dependência.
Numa declaração à imprensa francesa, Frank Baasner, diretor do Instituto Franco-Alemão de Ludwigsburg (no Estado de Bade-Wurtemberg), afirma que o interesse pelas eleições francesas nunca foi tão grande e que, na Alemanha, "todo mundo compreende que a crise do euro está longe de ter terminado e que é crucial manter um bom entendimento entre os dirigentes franceses e alemães".
Do lado francês, o nome mais citado para o cargo de primeiro-ministro é Jean-Marc Ayrault, líder da bancada socialista na Assembleia. Quando elenca suas qualificações, a imprensa francesa sempre menciona sua experiência parlamentar, mas também o fato de que Ayrault -formado em estudos germânicos- é "germanófono e germanófilo", atributos que facilitarão as relações entre Paris e Berlim.
Falar alemão e conhecer bem a Alemanha aparece, de fato, como um trunfo valioso nas biografias de outros possíveis membros do alto escalão do governo francês.
Resta que Hollande fez uma dupla campanha eleitoral: contra a direita francesa e contra "Merkozy", o nome que resume a política conservadora que Merkel e Sarkozy impuseram à zona do euro. Saudando a vitória de Hollande, o jornal espanhol "El País" abriu o seu editorial com o título "Crescimento já!".
Boa parte da opinião pública espanhola e de outros países estagnados e falidos da zona euro esperam que Hollande dobre a intransigência financeira e fiscal de Merkel -que notadamente bloqueia a emissão de "eurobonds", títulos bancados pelo Produto Interno Bruto da totalidade da zona do euro- e ajude a relançar a economia da zona do euro.
Como os socialistas franceses, o partido social-democrata alemão (SPD) é favorável aos "eurobonds", considerados essenciais para tirar a Europa da crise.
Hollande toma posse em Paris nesta terça-feira, e na mesma tarde viaja até Berlim para encontrar-se com a chefe do governo alemão.
Além da legitimidade granjeada na eleição e do apoio de parte da opinião pública europeia, o novo presidente conta com outros trunfos nas negociações com Merkel.
O principal é que a própria sociedade alemã começa a protestar contra o arrocho conservador. Já faz quase uma década que os salários estão estagnados no país e os movimentos sociais reagem.
O robusto sindicato IG Metall iniciou greves e paralisações para obter aumentos salariais para os 3,6 milhões de metalúrgicos. Alguns movimentos grevistas já se concluíram com sucesso, outros estão sendo preparados.
Negocia-se também a criação de um salário mínimo, que, explica o jornal "Le Monde", constitui uma reforma social importante num país onde um quarto dos assalariados ganham salários considerados baixos, que representam apenas dois terços do salário médio alemão (em valor bruto, 13,60 euros por hora, ou R$ 34,48).
Embora o mandato de Merkel vá até setembro de 2013, a coalizão de partidos que apoia seu governo tem sofrido derrotas regionais nos Landers alemães. Como tantas vezes na história europeia, os socialistas e os social-democratas franceses e alemães estão, mais uma vez, no centro das atenções.
Boa parte da calma com que a eleição de Hollande foi acolhida na Europa explica-se por um motivo bastante simples: a parada política ainda não está decidida na França
Sarkozy ganhou em 2007 atraindo, sem aliança, eleitores que no primeiro turno votaram no candidato da FN, Jean-Marie Le Pen. Na campanha recente, a tática não deu certo
O nome mais citado para o cargo de primeiro-ministro é Jean-Marc Ayrault, "germanófono e germanófilo", atributos que facilitarão as relações com Berlim
A eleição de François Hollande abre novas perspectivas políticas na França, pode aplacar a crise na zona do euro e, quiçá, oferece nova dimensão à social-democracia europeia. Para tanto, Hollande terá que vencer vários desafios.
O primeiro concerne as eleições de 10 e 17/6, para a Assembleia Nacional. Se os socialistas perdem, o programa governamental do novo presidente emperra, os juros dos títulos da dívida pública francesa disparam e a União Europeia (UE) se enterra mais ainda. Boa parte da calma com que a eleição de Hollande foi acolhida na Europa explica-se por um motivo bastante simples: a parada política ainda não está decidida na França.
Como é sabido, o sistema multipartidário francês tem duas particularidades. A primeira é o semipresidencialismo. O presidente eleito pelo sufrágio universal é o chefe de Estado. Quem forma e dirige o governo é o primeiro-ministro, representante da maioria parlamentar.
Se há oposição entre a maioria presidencial e a parlamentar -no jargão político francês, "coabitação"-, o governo do país fica mais complicado. Daí a importância do equacionamento da segunda particularidade francesa, as legislativas em dois turnos.
No primeiro turno é eleito o candidato com a maioria absoluta dos votos válidos do distrito eleitoral. Se isso não ocorrer, realiza-se o segundo turno, no qual pode haver três ou quatro concorrentes a uma cadeira. Aí muda o jogo e os partidos fazem acordos de desistência para vencer os adversários do outro quadrante ideológico.
Considere-se o acordo entre o Partido Socialista e o Partido Verde, já registrado em papel firmado. Se, em determinado distrito, um socialista estiver mais bem posicionado para derrotar a direita no segundo turno, o eventual ecologista retira sua candidatura e apoia o socialista. Num distrito favorável ao verde, será a vez de o socialista retirar a candidatura.
FRENTE NACIONAL A direita segue a mesma lógica, com os gaullistas da União por um Movimento Popular (UMP) aliando-se geralmente aos centristas e aos democratas-cristãos. Porém, o crescimento eleitoral da extrema direita, da Frente Nacional (FN), embaralhou ainda mais as cartas no campo conservador.
Nicolas Sarkozy ganhou no segundo turno em 2007 atraindo, sem aliança partidária, eleitores que no primeiro turno votaram no candidato da FN, Jean-Marie Le Pen. Na campanha recente, a tática não deu certo.
De saída, Sarkozy, bem como outros governantes europeus derrotados nos últimos anos, sofreu um intenso desgaste com o acirramento da crise econômica. Contudo, seu fracasso decorre também de outro motivo: a nova estratégia da Frente Nacional.
Ao contrário de seu pai, Jean-Marie Le Pen, um ideólogo vociferante, obcecado pela Alemanha nazista, Marine Le Pen, atual dirigente da FN, aparece como uma política mais aceitável e sobretudo mais habilidosa.
Desde o começo da campanha, deixou claro que seu objetivo principal se situa no "terceiro turno": eleger o maior número possível de deputados pela chapa da FN.
No seu ponto vista, setores dissidentes da UMP poderiam fazer aliança com a FN nas eleições de junho. Se eleger um mínimo de 20 deputados entre os 577 membros da nova Assembleia, a FN poderá se constituir como grupo parlamentar autônomo, ganhando bastante peso político.
Seguindo o princípio definido por Charles de Gaulle (1890-1970) e reafirmado por Jacques Chirac nos anos 1980, os gaullistas excluem alianças com a extrema direita em todas as instâncias eleitorais.
Tal é a razão que bloqueou até agora a eleição de deputados da FN -apesar do número elevado de votos nas eleições presidenciais, o partido não tem nenhuma cadeira na Assembleia Nacional.
Sarkozy, porém, aproximou-se das teses da FN, questionando a abertura das fronteiras entre os países da UE e insistindo na alegada correlação entre imigração e criminalidade. Ao levantar as ambiguidades da campanha sarkozysta, a UMP reiterou seu veto à aliança com a FN.
Segundo o secretário-geral da UMP, Jean-François Copé, "não haverá aliança eleitoral nem negociação com os dirigentes da Frente Nacional". A declaração mostra que os gaullistas e os conservadores mais moderados se impuseram à direção da UMP. Tal evolução fez baixar as tensões políticas.
Além disso, há uma tradição republicana que facilita a tarefa de Hollande: sempre que um novo presidente é eleito, os franceses elegem uma maioria de deputados da mesma tendência política.
Uma pesquisa recente indica que 61% dos franceses preferem que mais deputados eleitos em junho proporcionem uma maioria favorável a Hollande, entendendo que ele deve dispor de meios políticos e institucionais para governar.
alemanha Qual será então a política de Hollande? Aqui se situa o segundo problema do presidente eleito: como gerir a França e as relações franco-alemãs?
Na verdade, a imbricação da vida política dos dois países é constante desde a reconciliação pilotada por De Gaulle e Konrad Adenauer (1876-1967) em 1963.
Depois da reunificação alemã (1990) e da ampliação da UE, com a inclusão de países da Europa Oriental historicamente ligados a Berlim, em 2003-04, os governos alemães, reforçados pelo dinamismo econômico do país, ganharam uma dimensão hegemônica na Europa. Mas Berlim e Paris conhecem sua mútua dependência.
Numa declaração à imprensa francesa, Frank Baasner, diretor do Instituto Franco-Alemão de Ludwigsburg (no Estado de Bade-Wurtemberg), afirma que o interesse pelas eleições francesas nunca foi tão grande e que, na Alemanha, "todo mundo compreende que a crise do euro está longe de ter terminado e que é crucial manter um bom entendimento entre os dirigentes franceses e alemães".
Do lado francês, o nome mais citado para o cargo de primeiro-ministro é Jean-Marc Ayrault, líder da bancada socialista na Assembleia. Quando elenca suas qualificações, a imprensa francesa sempre menciona sua experiência parlamentar, mas também o fato de que Ayrault -formado em estudos germânicos- é "germanófono e germanófilo", atributos que facilitarão as relações entre Paris e Berlim.
Falar alemão e conhecer bem a Alemanha aparece, de fato, como um trunfo valioso nas biografias de outros possíveis membros do alto escalão do governo francês.
Resta que Hollande fez uma dupla campanha eleitoral: contra a direita francesa e contra "Merkozy", o nome que resume a política conservadora que Merkel e Sarkozy impuseram à zona do euro. Saudando a vitória de Hollande, o jornal espanhol "El País" abriu o seu editorial com o título "Crescimento já!".
Boa parte da opinião pública espanhola e de outros países estagnados e falidos da zona euro esperam que Hollande dobre a intransigência financeira e fiscal de Merkel -que notadamente bloqueia a emissão de "eurobonds", títulos bancados pelo Produto Interno Bruto da totalidade da zona do euro- e ajude a relançar a economia da zona do euro.
Como os socialistas franceses, o partido social-democrata alemão (SPD) é favorável aos "eurobonds", considerados essenciais para tirar a Europa da crise.
Hollande toma posse em Paris nesta terça-feira, e na mesma tarde viaja até Berlim para encontrar-se com a chefe do governo alemão.
Além da legitimidade granjeada na eleição e do apoio de parte da opinião pública europeia, o novo presidente conta com outros trunfos nas negociações com Merkel.
O principal é que a própria sociedade alemã começa a protestar contra o arrocho conservador. Já faz quase uma década que os salários estão estagnados no país e os movimentos sociais reagem.
O robusto sindicato IG Metall iniciou greves e paralisações para obter aumentos salariais para os 3,6 milhões de metalúrgicos. Alguns movimentos grevistas já se concluíram com sucesso, outros estão sendo preparados.
Negocia-se também a criação de um salário mínimo, que, explica o jornal "Le Monde", constitui uma reforma social importante num país onde um quarto dos assalariados ganham salários considerados baixos, que representam apenas dois terços do salário médio alemão (em valor bruto, 13,60 euros por hora, ou R$ 34,48).
Embora o mandato de Merkel vá até setembro de 2013, a coalizão de partidos que apoia seu governo tem sofrido derrotas regionais nos Landers alemães. Como tantas vezes na história europeia, os socialistas e os social-democratas franceses e alemães estão, mais uma vez, no centro das atenções.
Boa parte da calma com que a eleição de Hollande foi acolhida na Europa explica-se por um motivo bastante simples: a parada política ainda não está decidida na França
Sarkozy ganhou em 2007 atraindo, sem aliança, eleitores que no primeiro turno votaram no candidato da FN, Jean-Marie Le Pen. Na campanha recente, a tática não deu certo
O nome mais citado para o cargo de primeiro-ministro é Jean-Marc Ayrault, "germanófono e germanófilo", atributos que facilitarão as relações com Berlim
Folha de S.Paulo
13/05/2012
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sábado, 26 de maio de 2012
República, democracia e eleições. Artigo meu no Diário de Pernambuco de hoje.
O grau de autoritarismo, portanto, não diz da forma de governo, mas da participação dos cidadãos na escolha dos governantes e no controle de seus atos. Há repúblicas que são democracias, outras que são ditaduras e outras que instituem critérios de classificação entre os cidadãos para tornar o sistema mais oligárquico e elitista. No Brasil, por exemplo, até 1930, apenas homens alfabetizados votavam. As mulheres conquistaram este direito em 1932 e analfabetos e jovens apenas em 1988, na forma facultativa. A democracia, portanto, envolve os procedimentos de escolha e controle dos governantes pelos eleitores, que envolve uma dimensão numérica, que trata da quantidade de cidadãos habilitados a participar das eleições. Mas, principalmente um aspecto qualitativo, que trata da forma de escolha do governante, se por voto direto ou indireto; os tipos de decisões que os cidadãos estão habilitados a tomar, se podem apresentar por si projetos ao parlamento e como podem utilizar instrumentos como plebiscitos, referendos, emendas populares ou o uso do recall, a possibilidade de retomar o mandato do eleito. Consideramos, ainda, as liberdades individuais e suas garantias pelo Estado.
Se as elites políticas aceitaram a república com razoável consenso, o mesmo não aconteceu com os processos democráticos de escolha, decisão e participação popular, bem como resistiram muito em reconhecer e garantir as liberdades individuais de pensamento e manifestação política. Em relação às eleições presidenciais, o resultado impressiona. De 1894 a 1930, aconteceram eleições diretas, mas as fraudes, o voto aberto e o domínio das oligarquias não permitem que se reconheça aí o exercício da democracia. Entre 1930 e 1945, Vargas governou sem ser eleito diretamente. Em 1930, ele tomou o poder; em 34, sua eleição foi indireta; e em 37, deu o golpe do Estado Novo que durou até 45. A partir daí, elegemos até 1960, pelo voto direto e secreto: Gaspar Dutra em 1946, Vargas em 1950, Juscelino em 1955 e Jânio Quadros em 1960. Aí veio 1964 e o país passou 39 longos anos sem eleições diretas. De 1989 até agora, estamos no sexto presidente eleito, nosso mais longo período democrático. Temos a primeira geração que cresceu sabendo que o presidente da república deve ser escolhido pelo voto direto e popular.
Entre as prefeituras de capital, a situação foi pior. O Recife terá agora, apenas a sua décima eleição direta, desde que a república foi proclamada! Em todo o século 20, o povo elegeu o prefeito apenas em 1955, 1959 e a partir de 1985, com as vitórias de Pelópidas da Silveira, Miguel Arraes e Jarbas Vasconcelos, respectivamente.
O artigo está no sítio do Diário de Pernambuco, para assinantes.
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terça-feira, 22 de maio de 2012
Jô Soares entrevista Lilia Schwarcz sobre a coleção História do Brasil Nação
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sexta-feira, 11 de maio de 2012
Descrição de Timbaúba, São Vicente e Macaparana, em 1913
O texto reproduzido no exemplar n. 8 d'A Serra corresponde ao pedido do então deputado Manoel Borba para que o governo federal construísse uma estrada de rodagem ligando Timbaúba a São Vicente Férrer, aproveitando as verbas dos programas de obras contra a seca. Cruangi é apresentada como excelente para as canas; Timbaúba, São Vicente e Macaparana como ótimas para o algodão; São Vicente também para os cereais.
Para ler o documento, clique com o botão direito do mouse; salve a imagem no seu computador; abra a imagem salva, ela estará legível, possível de ampliar, etc.
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domingo, 22 de abril de 2012
O Correio de Timbaúba, editado em 1914
Segundo Luiz do Nascimento, no volume 14 de sua História da Imprensa em Pernambuco, este jornal conseguiu circular até o número 19, entre outubro de 1914 e janeiro de 1916. Trabalhando com a pesquisa sobre os exemplares d'A Serra, o jornal editado por Jáder de Andrade, encontrei em um de seus volumes encadernados, este exemplar do nº 1 do Correio. Detalhe para os anunciantes e para a reclamação acerca da qualidade dos serviços prestados pela Great Western.
Para ler melhor os textos das imagens, clique com o botao direito do mouse, salve a imagem e abra novamente a mesma no visualizador de imagens de seu computador.
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domingo, 8 de abril de 2012
Timbaúba, 133 anos: no início, o algodão e uma rebelião popular
Vista do interior da firma Queiroz & Andrade, acervo FUNDAJ
Quem perguntar em Timbaúba, na Zona da Mata Norte de Pernambuco, sobre o que significa “Mocós” terá como rápida resposta a indicação de um pequeno roedor cuja presença no passado era comum naquelas terras. Os significados deste nome, entretanto, dizem muito sobre o passado da Zona da Mata Norte de Pernambuco, associado ao algodão e a presença de pequenos proprietários, bem como às lutas sociais da Praieira e dos Quebra-Quilos, estas igualmente relacionadas os homens livres pobres da região.
O Dicionário Chorográphico, de Sebastião Galvão, escrito entre 1908 e 1927, nomina diversas serras e lugares do interior de Pernambuco que possuem o nome de ‘mocós’, sem explicitar o significado da palavra. Há delas em Garanhuns, em Bonito, em Pedra, em Gravatá, entre Bezerros e Bonito, e ainda, um riacho que é afluente do rio Ipojuca, no município de Caruaru. No mesmo sentido, na abertura de seu livro de memórias, o velho Gregório Bezerra afirma que nasceu ‘em um sítio chamado Mocós, em Panelas de Miranda’. Em Timbaúba, é a identificação do povoado de ‘Mocozinho, junto à cidade, da qual se pode dizer que é um prolongamento’. Pereira da Costa, nos Anais Pernambucanos, contemporâneo de Sebastião Galvão, associa o nome a um roedor e o dicionário Houaiss acrescenta que ‘mocozal’ é o tipo de serra onde esses animais abundam. Mas, é muito importante ressaltar que mocó é ainda o tipo de algodão conhecido por Seridó, preferido pelas tecelagens inglesas por possuir fibras longas e resistentes.
Pereira da Costa assinala, ainda, duas coisas importantes. Primeiro, uma citação antiga nos “Diálogos das Grandezas do Brasil”, que dizia serem esses pequenos roedores ‘feitos domésticos para combater os grandes ratos, por serem [os mocós] perseguidores deles [os ratos]’. Segundo, que foi esta a inspiração para nomear um jornal redigido pelos praieiros que circulou no Recife na década de 1840, com o título “O Mocó”. Este jornal tinha por epígrafe ‘Fugi, Guabirus, do esperto mocó! Às suas buscas não escapa um só!’. Os praieiros defendiam entre outras coisas, a nacionalização do comércio com a expulsão dos portugueses que monopolizavam esta atividade e chamavam de ‘guabirus’ aos conservadores e partidários dos portugueses, contra quem se rebelaram entre 1847 e 1850. Mocó era, portanto, um pequeno animal, que unido aos seus iguais, não temia enfrentar os guabirus. Epígrafe melhor não poderia haver.
Em 1847 foi exatamente isso que os habitantes de Mocozinhos, núcleo original da cidade de Timbaúba, fizeram, em um levante contra o ‘fazendeiro português’ que monopolizava o comércio e a compra do algodão produzido na região, radicado naquelas terras desde meados da década de 1820, onde se dedicou a principal atividade econômica da mata seca, o cultivo de algodão. Um potentado local que construiu riqueza em torno do ouro branco e montou uma casa de descaroçamento, diversificando seus investimentos. Sebastião Galvão registrou em seu Dicionário a expansão das propriedades e do poder de Guimarães, ‘pisando direitos impunemente e expelindo da terra quem o desagradasse, chegando ao desassombro dos crimes’. Pereira da Costa também foi direto: ‘fazia leis consuetudinárias, conspurcava o direito dos fracos, desterrava uns e assassinava a outros’. Os pequenos proprietários da região encontraram, depois de muito tempo e opressão política, uma fissura no mando que o Guimarães de Timbaúba exercia, levando-os à reação. Esta ocorreu em meio aos protestos que os praieiros conduziram na capital contra o monopólio dos portugueses sobre o comércio. Guimarães foi morto por um tiro, em meio a uma turba, em sua loja de fazendas no final de 1847. Os mocozinhos puseram fim ao que julgavam ser um gigantesco guabiru a roubar-lhes e ameaçar-lhes o cotidiano.
Pensar no termo 'Mocós' como um nome que remete a uma rebelião popular que põe fim ao mando político de um oligarca e ao controle econômico deste sobre os proprietários e pobres do lugar é algo, sem dúvida, memorável. Mocós como nome da melhor fibra de algodão produzida em Pernambuco também é significativo da história econômica local, representando uma época em que a cana dividia espaço com outros produtos agrícolas. Entretanto, a memória social do lugar perdeu tais significados à medida que avançava o século, na esteira da longa decadência do algodão. Mesmo o brasão da cidade foi modificado, pois no original, o escudo representativo do município era ladeado por um ramo de algodão e outro de cana, passando a ser desenhado na década de 1960 com dois ramos de cana de açúcar. A expansão das usinas de açúcar reforçou a concentração de terras, a decadência do algodão e dos pequenos proprietários e banguezeiros, reforçando um processo de pauperização e concentração de renda tão bem denunciada e retratada por Manuel Correia de Andrade, Josué de Castro, José Lins do Rego e outros intelectuais. Mas isso já é outra história.
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Timbaúba, 133 anos de emancipação política
As imagens acima são da Revista de Timbaúba, publicada em 1932, quando a prefeitura comemorou 50 anos de instalação da Câmara Municipal.
Capa do Informador de Timbaúba
Loja A Violeta, à Praça Carlos Lyra, n. 19
Igreja de Mocós
"Confortável residência do dr. José de Araújo Pereira"
Engenho Bela Vista, do cel. Álvaro Xavier de Morais Coutinho
"Gente bonita de Timbaúba"
Igreja Matriz, depois de reconstruída, apenas com uma torre
"Igreja Protestante", atual Igreja Congregacional
Praça Carlos Lyra
Este outro conjunto de imagens são do Informador de Timbaúba, editado em 1937.
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sexta-feira, 2 de março de 2012
Programa Consensus sobre Missão Integral da Igreja
consensus Missão Integral.m4a
No programa estamos eu, o prof. Hely Ferreira (presbiteriano), o pr. Valdeci (batista), com apresentação do pr. Roberval Góis. Discutimos as relações entre igreja e sociedade, atuação dos políticos evangélicos, políticas de defesa da família.
No programa estamos eu, o prof. Hely Ferreira (presbiteriano), o pr. Valdeci (batista), com apresentação do pr. Roberval Góis. Discutimos as relações entre igreja e sociedade, atuação dos políticos evangélicos, políticas de defesa da família.
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sábado, 28 de janeiro de 2012
domingo, 22 de janeiro de 2012
O bombardeio de Salvador em 1912
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quarta-feira, 28 de dezembro de 2011
Centenário da eleição Dantas Barreto vs Rosa e Silva
No
dia 5 de novembro de 1911, Pernambuco assistiu a uma das eleições mais
acirradas de sua história, com a disputa entre o general Dantas Barreto e o
conselheiro Rosa e Silva, que controlava a política estadual há dezesseis anos.
Rosa e Silva formou-se advogado pela Faculdade de Direito do Recife e construiu
a sua carreira política na última década do império pelas mãos do conselheiro
João Alfredo, de quem chegou a ser ministro da justiça, servindo ao gabinete que
apresentou e aprovou o projeto da abolição da escravidão. Convertido à
república, criou o Partido Republicano em Pernambuco e foi eleito vice-presidente
de Campos Sales no período 1898/1902. Construiu uma hegemonia inconteste sobre
a política estadual, onde indicou e elegeu quatro governadores: Correia de
Araújo, Gonçalves Ferreira, Sigismundo Gonçalves e Herculano Bandeira. Em 1901,
Rosa e Silva comprou o Diário de Pernambuco, que ao mesmo tempo em que serviu à
consolidação de sua influência, abrigou um grupo de jovens colaboradores que
teriam papéis relevantes na cultura e política nacional nas próximas décadas, a
exemplo de Gilberto Freyre e Assis Chateaubriand.
A
eleição do marechal Hermes da Fonseca para a presidência em 1910, entretanto,
mudou as relações entre a presidência e os estados, já que aquele alimentava o
projeto de centralizar o poder e reduzir a força das oligarquias, ‘salvando’ os
estados do atraso que estas representariam. Sua política ‘salvacionista’
provocou conflitos, intervenções e substituições de vários grupos políticos
pelo país nos dois anos seguintes. Aqui, o general Dantas Barreto, natural de
Bom Conselho e veterano de Canudos, vislumbrou a oportunidade de disputar o
governo depois que foi nomeado Ministro da Guerra, passando a ser o depositário
das esperanças de vitória das oposições. A candidatura de Dantas ganhou as ruas
e forçou o conselheiro a disputar pessoalmente as eleições. Na campanha
dantista, viagens pelo estado, comícios, o envolvimento das classes médias e
populares com promessas de mudanças políticas e econômicas. Na defensiva, a
tática rosista envolveu manobras políticas no melhor estilo da Primeira
República. Rosa e Silva orientou a renúncia do governador Herculano Bandeira, provocando
a posse de Estácio Coimbra no comando do estado e a antecipação do pleito, reduzindo
o tempo da campanha.
Consumada
a eleição, Rosa venceu por uma margem de cerca de mil votos, mas foi derrotado
em Recife. Como era comum, seguiu-se a batalha pelo reconhecimento dos
resultados na Comissão Verificadora de Poderes, formada por deputados e com o
papel de confirmar a licitude das apurações e resultados. Dantas não acatou a
derrota e denúncias de fraudes corriam de lado a lado, mas o controle da
máquina política por Rosa e Silva deveria garantir a ratificação dos resultados.
Seguiram-se vários episódios de violência pelo estado, inclusive com o
empastelamento do Diário de Pernambuco. Apoiados pelo presidente da república,
pelo exército e grupos populares, os dantistas tomaram o Recife. Estácio
Coimbra, sem condições de resistir, retirou-se para seu engenho em Barreiros. No
dia 18 de dezembro, uma Assembleia Legislativa com apenas um terço dos seus representantes
efetivou o reconhecimento das eleições, anulando diversas urnas, invertendo os
números e dando a vitória a Dantas Barreto, que tomou posse como novo
governador.
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terça-feira, 27 de dezembro de 2011
Falecimento de Euclides Nascimento, fundador da FETAPE e da CONTAG
Conhecido
por sua trajetória de luta, voltada para o homem e a mulher do campo,
morreu neste 26 de dezembro, vítima de uma parada cardíaca, Euclides
Nascimento, carinhosamente conhecido como Chiquinho. Fundador e
ex-presidente da Fetape, ele acompanhou o surgimento do movimento
sindical rural pernambucano, na década de 60, sendo um líder-fundador
dos primeiros sindicatos rurais deste estado.
Euclides integrou uma geração que organizou o movimento sindical em torno da 'luta pelos direitos', batendo-se pela construção e reconhecimento de direitos trabalhistas para os trabalhadores rurais em todo o país. Para as gerações atuais e urbanas, até a década de 1960 a forma majoritária de pagamento do trabalhador do campo era um vale que só podia ser usado nas mercearias dos próprios engenhos, fazendas e usinas, o tristemente célebre 'barracão'. Simplesmente não se tratava sequer de uma relação capitalista, já que não ocorria a circulação monetária. O primeiro estado do Brasil que fez uma lei para proibir o barracão foi Pernambuco, em 1962, após o Acordo do Campo, celebrado no primeiro mandato de Miguel Arraes entre sindicatos, fornecedores de cana, usineiros e governo.
Euclides Nascimento, José Francisco e José Rodrigues constituíram o trio que organizou o sindicalismo rural no estado e no Brasil, através da criação da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (CONTAG), com apoio da Igreja Católica. Em 1979, organizaram a primeira grande mobilização de trabalhadores rurais, marcando as grandes 'campanhas salariais' da década de 80.
AQUI, você pode baixar a revista feita pela FETAPE nos 40 anos da fundação da entidade, em 2002.
Euclides integrou uma geração que organizou o movimento sindical em torno da 'luta pelos direitos', batendo-se pela construção e reconhecimento de direitos trabalhistas para os trabalhadores rurais em todo o país. Para as gerações atuais e urbanas, até a década de 1960 a forma majoritária de pagamento do trabalhador do campo era um vale que só podia ser usado nas mercearias dos próprios engenhos, fazendas e usinas, o tristemente célebre 'barracão'. Simplesmente não se tratava sequer de uma relação capitalista, já que não ocorria a circulação monetária. O primeiro estado do Brasil que fez uma lei para proibir o barracão foi Pernambuco, em 1962, após o Acordo do Campo, celebrado no primeiro mandato de Miguel Arraes entre sindicatos, fornecedores de cana, usineiros e governo.
Euclides Nascimento, José Francisco e José Rodrigues constituíram o trio que organizou o sindicalismo rural no estado e no Brasil, através da criação da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (CONTAG), com apoio da Igreja Católica. Em 1979, organizaram a primeira grande mobilização de trabalhadores rurais, marcando as grandes 'campanhas salariais' da década de 80.
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sexta-feira, 9 de dezembro de 2011
terça-feira, 29 de novembro de 2011
Videos sobre a usina de Belo Monte. Gota d'água x Tempestade em copo d'água
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terça-feira, 22 de novembro de 2011
Elio Gaspari - Um plano para 2012: ler sobre a China
Quando chega o fim do ano surgem os projetos:
emagrecer, fazer exercícios, segurar as compras. Para 2012 algumas pessoas
podem acrescentar outro: entender o que está acontecendo com a China. Quem
gosta de opinar sobre assuntos internacionais e acha que não precisa, pode
fazer um teste: liste cinco cidades chinesas e cinco políticos chineses vivos.
Tratando-se da segunda economia do mundo e do maior
parceiro comercial do Brasil, vale a pena. O problema é como começar. Na
primeira confusão entre Guangzhou e Fuzhou, ou entre Hu Jintao (o atual
presidente) e Xi Jinping (seu provável sucessor), a pessoa desiste. É duro,
mas, visto da China, o Brasil, onde Rousseff é Dilma e Guido é Mantega, também
não é fácil.
Para quem quiser remediar a lacuna, o livro
"Sobre a China", do ex-secretário de Estado americano Henry
Kissinger, é um bom remédio. Na realidade, são três livros num volume. O
primeiro é um passeio pela história e cultura do Império do Meio. Ensina coisas
assim: "Os chineses nunca produziram um mito de criação cósmica. Para
eles, o universo foi criado por eles". Essa civilização que se vê como o
centro do mundo passou por 150 anos de humilhações, com fomes e guerras que
consumiram 100 milhões de pessoas. Quem tiver saído dessa parte confundindo
Zeng Guofan com Wei Yuan, não deve se preocupar. No século 20 ficará mais à
vontade.
O segundo livro conta a essência da virada ocorrida
nos anos 70, quando Mao Zedong aproximou-se do Ocidente. Como Kissinger foi um
personagem relevante nesse jogo, sua narrativa é rica, até quando reconhece
seus erros, produzidos pela ignorância. Por exemplo: como os vietcongs jamais
se renderiam, eram invencíveis e Mao falava sério quando dizia que não tinha
medo de uma guerra nuclear.
A terceira parte de "Sobre a China" é a
mais valiosa. Kissinger, que fez mais de 50 viagens a Pequim, constrói um
cenário no qual a incompreensão do Ocidente e o nacionalismo chinês serão
fatores de futuras tensões. Quando o companheiro Obama vai à Ásia acertar
alianças estratégicas e militares, sabe que estimula o receio do Império do
Meio de se ver cercado pelos "demônios estrangeiros".
Ao final do livro, como um mandarim, Kissinger
lembra a situação europeia de 1907, quando um diplomata inglês fez um trabalho
sobre as relações com a Alemanha. Nessa época, os dois países eram grandes
parceiros comerciais, e tudo o que o kaiser fazia era visto em Londres como uma
ameaça estratégica. Em Berlim havia o mesmo sentimento em relação aos ingleses.
Sete anos depois, começou a Grande Guerra. Kissinger apresenta esse risco com
extrema cautela. Seu interesse é mostrar que existe o perigo do "desfecho
infeliz".
Você pode baixar e ler o 1° capítulo AQUI, no sítio da Editora Objetiva.
Você pode baixar e ler o 1° capítulo AQUI, no sítio da Editora Objetiva.
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domingo, 20 de novembro de 2011
Os eleitores castigam nas urnas aos partidos no poder durante a crise
Os eleitores não perdoam. Desde que começou a crise, os partidos no governo vem caindo nas urnas sem importar que sejam conservadores ou progressistas. Desde maior de 2010, os governos de cinco países da Europa perderam as eleições gerais e em alguns casos com os piores resultados das últimas décadas.
Desde o ano passado, Reino Unido, Holanda, Irlanda, Portugal e Dinamarca mudaram as cores políticas de seus governos como castigo pela crise econômica. Os trabalhistas de Gordon Brown colheram nas eleições de 06 de maio de 2010 os seu pior resultado desde 1983 frente aos conservadores de David Cameron. O líder do Partido Trabalhista demitiu-se depois das eleições gerais.
Na Holanda, o então primeiro-ministro Democrata-Cristão Jan Peter Balkenende perdeu nas urnas 20 cadeiras no parlamento e registrou uma queda de eleitores que não havia sofrido nos 23 anos de vida de seu partido, a Democracia Cristã. Pela primeira vez em 92 anos, um liberal assumiu o governo neerlandês.
Os resultados das eleições gerais da Irlanda em fevereiro deste ano confirmaram a queda do Fiana Fail, partido dominante na política irlandesa desde a independência, que foi castigado pela profunda crise econômica e financeira que vive o país há três anos. Deixou de ser o partido mais votado e foi ao terceiro lugar, com 24% dos votos.
O Partido Socialista Português não havia conhecido resultado pior nos últimos 20 anos, antes das últimas eleições de junho. O primeiro-ministro demissionário, José Sócrates, foi o grande derrotado com 28% dos votos, frente aos 38% do Partido Social-Democrata, e anunciou sua demissão como secretário geral do PS.
Em setembro, os eleitores da Dinamarca acabaram com 10 anos sucessivos de governos de centro-direita apoiados pelo populista Partido Popular Dinamarquês. O bloco opositor de centro-esquerda, encabeçado pela social-democrata Helle Thorning-Schmidt, ganhou as eleições gerais ao obter os 50,3% dos votos, frente aos 48,9% da direita.
Apenas na Suécia os conservadores conseguiram renovar seu mandato em setembro de 2010. A boa gestão econômica do governo Fredrik Reinfeldt e seu projeto de reforma moderada do estado de bem estar convenceu aos suecos a dar pela primeira vez em sua história para a "Aliança para a Suécia" um segundo mandato consecutivo.
Ao castigo dos eleitores na Europa, há que somar-se a queda de Silvio Berlusconi como primeiro-ministro da Itália no último 12 de novembro, depois que a União Europeia e os mercados pediram sua cabeça ao presidente da república, Georgio Napolitano, em troca do apoio para evitar a quebra da Itália. E a de Yorgos Papandreau, na Grécia. O chefe do governo grego ofereceu a sua renúncia, aos dois anos de legislatura, para dar lugar a um governo de unidade que aprove o resgate financeiro da Grécia e espante o fantasma de uma bancarrota e consequente saída da Zona do Euro.
A aliança econômica franco-alemã tampouco está fora das rusgas eleitorais. Em vésperas das eleições presidenciais de 2012 na França, o presidente Nicolas Sarkozy observa ressabiado a estes últimos resultados. Nas eleições locais, o Partido Socialista recuperou posições e na eleição indireta ao Senado, os eleitores concederam a maioria absoluta aos socialistas pela primeira vez desde a criação da Quinta República, em 1958.
A chanceler Angela Merkel também conhece o sabor da derrota. Os sociais-democratas alemães obtiveram em fevereiro uma folgada maioria em Hamburgo, na metade da segunda legislatura. Também em Mecklemburgo-Pomerania e em Baden-Wurttemberg, onde ganharam pela primeira vez dos Verdes.
Na Espanha, os primeiros indícios da mudança de governo que se confirmou hoje foram registrados depois da conquista pelo Partido Popular nas últimas eleições municipais de 22 de maio, nas quais fizeram o governo de 10 das 13 comunidades em jogo.
ARTIGO TRADUZIDO DO JORNAL EL PAIS, que pode ser lido no original, AQUI.
Desde o ano passado, Reino Unido, Holanda, Irlanda, Portugal e Dinamarca mudaram as cores políticas de seus governos como castigo pela crise econômica. Os trabalhistas de Gordon Brown colheram nas eleições de 06 de maio de 2010 os seu pior resultado desde 1983 frente aos conservadores de David Cameron. O líder do Partido Trabalhista demitiu-se depois das eleições gerais.
Na Holanda, o então primeiro-ministro Democrata-Cristão Jan Peter Balkenende perdeu nas urnas 20 cadeiras no parlamento e registrou uma queda de eleitores que não havia sofrido nos 23 anos de vida de seu partido, a Democracia Cristã. Pela primeira vez em 92 anos, um liberal assumiu o governo neerlandês.
Os resultados das eleições gerais da Irlanda em fevereiro deste ano confirmaram a queda do Fiana Fail, partido dominante na política irlandesa desde a independência, que foi castigado pela profunda crise econômica e financeira que vive o país há três anos. Deixou de ser o partido mais votado e foi ao terceiro lugar, com 24% dos votos.
O Partido Socialista Português não havia conhecido resultado pior nos últimos 20 anos, antes das últimas eleições de junho. O primeiro-ministro demissionário, José Sócrates, foi o grande derrotado com 28% dos votos, frente aos 38% do Partido Social-Democrata, e anunciou sua demissão como secretário geral do PS.
Em setembro, os eleitores da Dinamarca acabaram com 10 anos sucessivos de governos de centro-direita apoiados pelo populista Partido Popular Dinamarquês. O bloco opositor de centro-esquerda, encabeçado pela social-democrata Helle Thorning-Schmidt, ganhou as eleições gerais ao obter os 50,3% dos votos, frente aos 48,9% da direita.
Apenas na Suécia os conservadores conseguiram renovar seu mandato em setembro de 2010. A boa gestão econômica do governo Fredrik Reinfeldt e seu projeto de reforma moderada do estado de bem estar convenceu aos suecos a dar pela primeira vez em sua história para a "Aliança para a Suécia" um segundo mandato consecutivo.
Ao castigo dos eleitores na Europa, há que somar-se a queda de Silvio Berlusconi como primeiro-ministro da Itália no último 12 de novembro, depois que a União Europeia e os mercados pediram sua cabeça ao presidente da república, Georgio Napolitano, em troca do apoio para evitar a quebra da Itália. E a de Yorgos Papandreau, na Grécia. O chefe do governo grego ofereceu a sua renúncia, aos dois anos de legislatura, para dar lugar a um governo de unidade que aprove o resgate financeiro da Grécia e espante o fantasma de uma bancarrota e consequente saída da Zona do Euro.
A aliança econômica franco-alemã tampouco está fora das rusgas eleitorais. Em vésperas das eleições presidenciais de 2012 na França, o presidente Nicolas Sarkozy observa ressabiado a estes últimos resultados. Nas eleições locais, o Partido Socialista recuperou posições e na eleição indireta ao Senado, os eleitores concederam a maioria absoluta aos socialistas pela primeira vez desde a criação da Quinta República, em 1958.
A chanceler Angela Merkel também conhece o sabor da derrota. Os sociais-democratas alemães obtiveram em fevereiro uma folgada maioria em Hamburgo, na metade da segunda legislatura. Também em Mecklemburgo-Pomerania e em Baden-Wurttemberg, onde ganharam pela primeira vez dos Verdes.
Na Espanha, os primeiros indícios da mudança de governo que se confirmou hoje foram registrados depois da conquista pelo Partido Popular nas últimas eleições municipais de 22 de maio, nas quais fizeram o governo de 10 das 13 comunidades em jogo.
ARTIGO TRADUZIDO DO JORNAL EL PAIS, que pode ser lido no original, AQUI.
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Crise continua a varrer governos europeus
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quinta-feira, 3 de novembro de 2011
XI Encontro Nacional de História Oral tem como tema "Memória, Democracia e Justiça"

A Associação Brasileira de História Oral (ABHO) tem a satisfação de convidar a comunidade de pesquisadores para o XI Encontro Nacional de História Oral, evento que ocorrerá de 10 a 13 de julho de 2012 no Instituto de Filosofia e Ciências Sociais/Instituto de História da Universidade Federal do Rio de Janeiro - UFRJ, Largo de São Francisco, n.1, Centro, Rio de Janeiro.
O XI Encontro Nacional de História Oral, tem como tema "Memória, Democracia e Justiça". Em nosso mundo contemporâneo, nas últimas décadas, inúmeras sociedades viveram transições políticas importantes: passaram de regimes ditatoriais e arbitrários para regimes democráticos. Neste processo de transição algumas questões são fundamentais. Entre elas: a memória e o direito à verdade e à justiça. A história oral - que trabalha com depoimentos, testemunhos, memória, trauma, verbalização e re-significação do passado e das experiências de vida - muito tem a contribuir para este processo.
O evento reunirá professores, pesquisadores e estudantes de diferentes áreas e das mais diversas instituições acadêmicas de todas as regiões do Brasil, e nossos convidados estrangeiros.
http://www.encontro2012.historiaoral.org.br/
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