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quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Artigo meu no Diário de Pernambuco de hoje: Há boas notícias trazidas pelo ENEM.


Os resultados do vestibular feito a partir do Enem trazem duas boas novas. Oxigenou a lista dos dez primeiros da UFPE com alunos de escolas públicas e possibilitou a presença de outros cursos na lista que não apenas medicina ou direito. O modelo de seleção até então vigente possuía como eixo a ênfase no treinamento para a resolução de questões de múltipla escolha, cujas mais difíceis eram da área de exatas, com uma infinidade de fórmulas a decorar e cálculos por fazer. Tal atividade era normalmente encaminhada através daquilo que toda uma geração conheceu como ´bizus`, dicas que facilitavam a memorização e em torno deste fim, o Recife viu crescer um dos maiores polos educacionais do Nordeste. Salas de aula com dezenas e até centenas de alunos, professores ´showmans`, ´aulas-show` e ´aulões` com dicas de última hora e onde proliferam músicas e quadrinhas que facilitam a tarefa da memorização deste ou daquele conceito ou acontecimento. Assim, o que deveria ser um meio para a construção do conhecimento transformou-se rapidamente em seu fim, aliado ao estímulo de um clima extremado de competição entre os jovens que inverte perversamente e compromete o próprio processo pedagógico.

Quando o Enem começou a ser aplicado já trazia claro o seu objetivo de estimular a construção de habilidades e competências com ênfase na interdisciplinaridade, superando uma visão do conhecimento separado em setores estanques e isolados. Efetivamente, a redução do peso das fórmulas decoradas como instrumento de resolução de questões equilibrou a avaliação de todos os alunos, tanto dos que buscavam cursos na área de exatas onde o cálculo é fundamental, quanto na área das ciências humanas. O resultado do vestibular da Covest expressa essa nova realidade, em que pese ainda a presença de um bônus na composição da nota dos alunos oriundos da escola pública. Mas, demonstrou porque os grandes grupos empresariais da educação reclamaram tanto contra o MEC e o Enem.Veem em xeque a sua fama de bons 'aprovadores' no vestibular e precisam redesenhar seus currículos e práticas pedagógicas. Resta provado que o velho modelo centrado no treinamento do aluno para resolução de questões de múltipla escolha é insuficiente para a formação do cidadão e do profissional que o novo século precisa.

Ainda está por se avaliar, entretanto, o impacto da possibilidade de uma concorrência nacional para as vagas disponíveis nas universidades de cada estado. De imediato, novamente ocorreu um aumento assustador da concorrência na UFRPE. Se confirmado que tal aumento deveu-se a inscrições de alunos de outros estados, haverá muitas justas reclamações e talvez até reivindicações por algum tipo de "cota estadual", afinal, as universidades possuem um papel central no desenvolvimento local. Se a demanda está tão grande, o caminho é a abertura de novos cursos, vagas e universidades, não uma simples possibilidade de mobilidade entre regiões. Em um balanço geral, portanto, o Enem passou bem por seu teste inicial, embora precise de ajustes na logística de operacionalidade e aplicação das provas. Ganharam a sociedade, a universidade, os alunos e professores e, algo fundamental, o MEC reforçou um projeto de educação que tem como eixos o reforço da escola pública e da qualidade do conhecimento.

DIARIO DE PERNAMBUCO, SEÇÃO OPINIÃO.

sábado, 22 de janeiro de 2011

Há boas notícias vindas do ENEM.


Os resultados do vestibular feito a partir do ENEM trazem duas boas novas.

Oxigenou a lista dos dez primeiros da UFPE com alunos de escolas públicas e possibilitou a presença de outros cursos que não apenas medicina ou direito. Agora em 2011, os dez primeiros lugares estão divididos entre Música, Direito, Engenharia e Medicina. Por óbvio, nada contra as escolas privadas, medicina ou direito, mas o modelo de seleção até então vigente possuía como eixo a ênfase no treinamento dos alunos para a resolução de questões de múltipla escolha, cujas disciplinas mais difíceis, por assim dizer, eram aquelas da área de exatas, com uma infinidade de fórmulas a decorar e cálculos por fazer. (Só por curiosidade, gostaria muito de ver um candidato ao curso de medicina ler, pelo menos, um trecho de uma partitura da 9° de Beenthoven ou escrever a partitura de um trecho de uma peça musical do período colonial, que são atividades que fazem parte da avaliação 'prática' dos candidatos de música, kkkkkk. Parece mesmo ser uma prova muito 'cultural' e bem pouco 'intelectual' e que qualquer um bebum de barzinho consegue fazer. kkkkk.)

As atividades 'didáticas' da 'escola pedagógica dos cursinhos' eram normalmente encaminhadas através daquilo que toda uma geração conheceu como “bizus”, dicas que facilitavam a memorização, fosse de uma regra gramatical ou de uma fórmula matemática. Em torno deste fim, o Recife viu crescer um dos maiores polos educacionais do Nordeste. O que não se traduz necessariamente em melhor nível educacional. Salas de aula com dezenas e até centenas de alunos, professores “showmans”, “aulas-show” e “aulões” com dicas de última hora e onde proliferam as músicas e quadrinhas que facilitam a tarefa da memorização deste ou daquele conceito ou acontecimento, foram práticas que, tristemente, consolidaram-se em estratégias ‘pedagógicas’ e rapidamente foram exportados para estados vizinhos. Essa é a prática constante promovida pelos mercadores da educação (e prática essa que inviabiliza qualquer trabalho mais sério por parte do professor). E dessa parte eu entendo, porque já sofri neste setor. Já dei aula para uma turma regular de 3° ano com 90 alunos! Sempre me perguntava porque os pais permitiam tal absurdo.

Assim, o que deveria ser um meio para a construção do conhecimento transformou-se rapidamente em um fim, em uma inversão perversa que comprometia o próprio processo pedagógico e de formação intelectual e profissional das novas gerações. Não acho que a educação deva ser atividade exclusiva do Estado, mas é um engodo pensar que nela não há problemas, ou que nela há muito mais qualidade do que na pública.

Quando o Enem começou a ser aplicado há alguns anos já trazia claro o seu objetivo de verificar a construção de habilidades e competências com ênfase na interdisciplinaridade, superando uma visão pedagógica em que o conhecimento é compartimentalizado em setores estanques e isolados. Efetivamente, a redução do peso das fórmulas decoradas como instrumento de resolução de questões, equilibrou a avaliação de todos os alunos, tanto os que buscavam cursos na área de exatas onde o cálculo é fundamental, quanto na de humanas. O resultado do vestibular da COVEST expressa essa nova realidade, em que pese ainda a presença de um bônus na composição da nota dos alunos oriundos da escola pública. Mas, demonstrou porque os grandes grupos empresariais da educação reclamaram tanto da decisão do MEC de criar uma seleção nacional para as universidades baseada no Enem. Resta provado que o velho modelo pedagógico centrado no treinamento do aluno para resolução de questões de múltipla escolha é insuficiente para a formação do cidadão e do profissional que o novo século precisa. Os cursinhos vendem fumaça para os pais. Não são eles que 'aprovam', que emplacam os melhores alunos! Existem algumas táticas que inflam a qualidade e o número dos aprovados.

Vejamos.
Truque n° 1: formar uma turma de 3° ano únicamente com os excelentes alunos e apertar os cabras, a fim de produzir 'material' para os outdoors.
Truque n° 2: sabem aqueles alunos 'feras' que estudam no Colégio Militar, Colégio de Aplicação, Escola do Recife? É só 'pescar' alguns deles através da oferta de bolsas integrais e tirá-los de suas escolas no 3° ano e, se não conseguir efetuar a sedução, manter o aluno em algumas 'isoladas', pelo menos, a fim de poder, claro, mostrar como o colégio aprova 'sempre os primeiros lugares';
Truque n° 3: Fazer as listas de aprovados com todo mundo que passou pelo uma hora durante o ano em alguma das turmas, seja ela qual for, isolada, integrada, especial, de última hora, da véspera, do aulão, não importa. O que interessa é que a lista venha 'gordinha', de página inteira. Essa é a mais evidente das imposturas: qualquer leitor experimente somar (kkkkk) a quantidade de alunos que os colégios dizem que aprovam na UFPE, a partir dos anúncios das páginas dos jornais! VAI FALTAR É VAGA PRA TANTO APROVADO! KKKKKK.

É importante lembrar que a Folha de São Paulo, o grupo Abril, as 'organizações' Globo, o grupo Positivo e outros, estão todos envolvidos no imenso negócio de preparação de 'apostilas', volumes únicos, 'projetos pedagógicos' para vender nas escolas.

Ainda está por se avaliar, entretanto, o impacto da possibilidade de uma concorrência nacional para as vagas disponíveis nas universidades de cada estado. De imediato, novamente ocorreu um aumento assustador da concorrência na UFRPE. Se confirmado que tal aumento deveu-se a inscrições de alunos de outros estados, haverá muitas justas reclamações e talvez até reivindicações por algum tipo de "cota estadual", afinal, as universidades possuem um papel central no desenvolvimento local. Se a demanda está tão grande, o caminho é a abertura de novos cursos, vagas e universidades, não uma simples possibilidade de mobilidade entre regiões.

Em um balanço geral, portanto, o ENEM passou bem por seu teste inicial, embora precise de evidentes ajustes na logística de operacionalidade e aplicação das provas. Erros como os que aconteceram nos últimos dois anos não podem se repetir, porque, antes de mais nada, servem de munição contra a concepção geral do próprio ENEM.

Ganharam a educação brasileira, a universidade, os alunos e professores e, algo fundamental, o MEC reforçou um projeto de educação que tem como eixos o reforço da escola pública e da qualidade do conhecimento, embora o caminho esteja ainda no começo.

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Saiu o resultado da UFPE: seis dos dez primeiros lugares são de música! O primeirão é de escola pública.


Os cursinhos e os grandes grupos educacionais estão estrebuchando de raiva. Não emplacaram suas figurinhas carimbadas entre os primeiros lugares. Terão que arrumar outras manchetes para publicar no lugar de seus 'tradicionais' campeões! kkkkkkk. É por isso que a campanha contra o ENEM está tão feroz e acirrada, liderada pelos grupos Abril, Globo e Folha de São Paulo. Todos passaram a investir no mercado de cursinhos e preparação de 'apostilas' e publicação de material didático. O ENEM privilegia uma avaliação que não se concentra apenas na 'decoreba' de fórmulas e cálculos, abre espaço para as ciências humanas e fortalece a escola pública. Tem problemas operacionais que ficaram óbvios e não podem ser desculpados, mas numa avaliação geral, provou que é muito bom.

sábado, 17 de abril de 2010

UFPE cria curso de Engenharia Naval e aprova uso do ENEM na primeira fase


Engenharia naval será o mais novo curso ofertado pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). A graduação, que só existe nos estados do Pará, Rio de Janeiro e São Paulo, foi escolhida para atender a demanda do Complexo Industrial de Suape. Devem ser oferecidas cerca de 30 vagas para o próximo ano, no campus Recife. A decisão foi tomada ontem, durante a reunião do conselho universitário, realizada no auditório do Centro de Tecnologia e Geociências da UFPE (CTG). No encontro, também foi aprovada a manutenção do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) como substituto da 1ª fase do vestibular. A decisão, antecipada ontem pelo Diario, foi acatada por 32 dos 41 conselheiros. A exceção fica por conta do curso de oceanografia, que terá o Enem como forma única de ingresso. Isso significa que esses feras não precisarão fazer a 2ª fase e que as 25 vagas disponíveis para 2011 serão preenchidas através do Sistema de Seleção Unificada (Sisu). Você pode ler a matéria completa AQUI.

Quando tratamos da na semana passada do crescimento econômico do estado e seus desafios, ressaltamos a importância do pólo universitário/científico da região. A criação do curso segue a esteira da recuperação da indústria naval brasileira, que foi destruída no governo Fernando Henrique. A recuperação do setor nos últimos anos veio acompanhada de uma política de desconcentração industrial, com a construção do Estaleiro Atlântico Sul no Complexo Industrial de Suape.

Por sua vez, a adoção do ENEM na primeira fase também vai marcando a consolidação do Exame como critério de acesso às universidades. Apenas acredito que a mobilidade deveria ser discutida melhor. As Federais possuem um papel claro na política de desenvolvimento regional e não há muito sentido em 30% das vagas estarem ocupadas por alunos de outras regiões.

Leia matéria sobre assunto AQUI, e AQUI [esta última, publicada no Jornal do Commercio e com uma manchete extremamente deselegante, para dizer o mínimo: "Enem aprovou 38% de forasteiros no estado"].
O link para o site do Estaleiro Atlântico Sul é AQUI.

Até 1993 a UFPE permitia que o aluno optasse por cursos diferentes na inscrição do vestibular. Resultado: dezenas de "advogados frustrados" dentro do curso de história, que aparecia como segunda opção para quem queria direito, na ilusão de uma remota transferência durante o curso. Quando a transferência não vinha, o aluno abandonava. A partir de 1994 só se pode optar por um curso, o que reduziu a evasão e melhorou o nível dos alunos de história.

O MEC não precisaria criar cotas regionais. Bastaria, apenas, reduzir as possibilidades de ficar trocando de curso e escolhendo a universidade entre uma etapa e outra da seleção no SISU [sistema de seleção unificado].