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terça-feira, 3 de agosto de 2010

Artigo meu na Folha de Pernambuco de hoje: 80 anos da Revolta de Princesa.


A Folha de Pernambuco publicou hoje outro artigo meu tratando dos 80 anos da Revolta de Princesa e da Revolução de 30. O artigo pode ser lido no sítio da FOLHA DE PERNAMBUCO.

sábado, 24 de julho de 2010

Hoje tem um artigo meu no Diário de Pernambuco sobre a morte de João Pessoa.


Hoje saiu um artigo meu no Diário de Pernambuco sobre o assassinato de João Pessoa e a Revolução de 30. Pode ser acessado AQUI.

sexta-feira, 23 de julho de 2010

80 anos da Revolta de Princesa e da morte de João Pessoa (2)


O coronel José Pereira rompeu com João Pessoa depois de este preterir o seu grande aliado, o ex-governador João Suassuana, ao compor a chapa de candidatos a deputados e a senador no estado. As relações estremecidas ficaram insustentáveis depois que a polícia prendeu alguns membros da família Dantas, também seus aliados, na invasão da Serra do Teixeira, levando vários outros a exilaram-se no Recife. João Suassuna é também conhecido por ser o pai de Ariano Suassuna. A sedição foi ainda apoiada, tácita ou diretamente, por Pessoa de Queiroz e pelo presidente de Pernambuco, Estácio Coimbra, aliado aos paulistas contra Vargas/João Pessoa.

O apoio deu-se dentro do princípio da legalidade, dificultando a passagem de armas para o governo paraibano através da retenção na alfândega pernambucana, recusando a prisão de quem havia se refugiado em propriedades deste estado, e principalmente com a imprensa local fazendo coro com as reivindicações de Princesa, considerando a oposição às medidas tarifárias e o apoio de Estácio Coimbra, presidente de Pernambuco, aos Partido Republicano Paulista (os "perrepistas"), representado por Júlio Prestes (o vice de Júlio, que não tem nenhum parentesco com o outro famoso Luis Carlos Prestes, foi o presidente da Bahia, Vital Soares).

Após vários meses de lutas, João Dantas, vivendo no Recife, teve seu escritório na capital da Paraíba invadidos pela polícia e parte dos documentos apreendidos foi publicada pelo jornal A União, diário oficial do estado. Vieram à luz detalhes de suas articulações políticas e de suas relações com a jovem Anayde Beiriz. O episódio foi transformado em um belo filme de Tisuka Yamazaki com Tânia Alves no papel de Anayde (Parahyba Mulher Macho). Em uma época em que honra se lavava com sangue, Dantas sabendo que João Pessoa estava de visita ao Recife, saiu em sua procura para matá-lo. Em 26 de julho ao final da tarde, João Pessoa tombou na Confeitaria Glória ao lado da Praça Joaquim Nabuco, no centro da cidade do Recife. João Dantas foi capturado e preso na Casa de Detenção onde também cairia assassinado durante os distúrbios da Revolução de 30. Só para não perder a tradição, a polícia atribuiu inicialmente a sua morte a "suicídio", mas fotografias descobertas anos depois mostram o corpo em posição distinta das fotos divulgadas inicialmente em 1930 e com um ferimento grande na testa, compatível com pancadas de um objeto pesado.

A morte de João Pessoa pôs fim à sedição de Princesa, que perdeu seu objetivo, mas provocou um efeito inesperado. Vargas havia perdido a eleição e as tentativas de conspiração para um golpe já haviam sido rejeitadas pelo próprio e também por João Pessoa. Este teria chegado a dizer que "preferia dez Júlios Prestes a uma revolução". O assassinato, entretanto, reacendeu os ânimos da Aliança Liberal. O crime foi apresentado como obra dos “perrepistas” e o corpo do governador levado para sepultamento da Paraíba ao Rio de Janeiro. Em cada porto no percurso, uma parada e discursos inflamados.

Em 03 de outubro Washington Luis foi deposto e a República Velha sepultada. Em Pernambuco, Estácio Coimbra e parte de seu secretariado abandonou o governo e partiu para um auto-exílio na Europa, incluindo um de seus assessores mais famosos, Gilberto Freyre. São Paulo passaria a ser governado pelo tenente João Alberto, pernambucano e rebelde do movimento tenentista (os paulistas quatrocentões nunca perdoaram Vargas por isso, como não toleram o Lula presidente). Um novo período de reformas políticas e econômicas tinha início. José Pereira fugiu de Princesa e viveu pelos próximos anos em muitas cidades e estados diferentes até ser anistiado. Princesa continua até hoje tendo como personagens principais em suas eleições os descendentes do coronel e dos que administraram como interventores do governo Vargas.

quinta-feira, 22 de julho de 2010

80 anos da Revolta de Princesa e da morte de João Pessoa (1)


Em 28 de fevereiro de 1930 a vila do Teixeira, sertão da Paraíba fronteira com Pernambuco, foi invadida pelas tropas da polícia estadual do presidente João Pessoa. Era uma retaliação pelo rompimento político com o seu governo levado a cabo pelo coronel José Pereira, líder político do município de Princesa e arredores e o início da Revolta de Princesa, que se arrastaria por cinco meses até o assassinato do próprio João Pessoa.

Em meio ao conflito, no início de junho o coronel promoveu a independência do município com direito a hino e bandeira próprios. Em que pese o tom pitoresco, os fatos estão situados em meio a um intricado movimento de interesses políticos e econômicos e representaram um sinal do declínio do poder dos coronéis na vida política brasileira.

João Pessoa assumiu o governo da Paraíba em 1927 indicado pelo seu tio, Epitácio Pessoa, que já havia sido presidente da república e era o líder da oligarquia paraibana. Outro sobrinho, Francisco Pessoa de Queiroz, foi preterido na disputa e mudou-se para o Recife onde se afirmou como empresário e político, mas sem desistir de influir na vida paraibana. Ao assumir o governo, tomou medidas no sentido de reprimir o clientelismo que marcava as relações entre o governo estadual e os coronéis nos municípios.

De fato, não respeitou indicações de mandatários locais para nomeações de cargos públicos, apreendeu armas e cobrou impostos de aliados e opositores indistintamente. O tesouro estadual, por sua vez, vinha de uma severa crise do antecessor, João Suassuna, e a arrecadação era baixa. O comércio mais importante ocorria entre as regiões interioranas e os estados vizinhos, sem que as mercadorias viessem para o litoral.

O orçamento paraibano estava deficitário e João Pessoa relacionava o déficit ao clientelismo, que deixava intocáveis os aliados do governo e o comércio feito pelo interior, sem controle de taxação. O governador quis assim, forçar a realização deste comércio através da própria capital, permitindo assim uma maior cobrança de tributos. Para isso criou pedágios, barreiras alfandegárias e altas tarifas para os produtos que passassem pelas fronteiras interioranas, reduzindo simultaneamente as taxas para os que fossem dirigidos ao porto da capital.

Essas medidas desagradaram não apenas os comerciantes paraibanos, mas também a praça do Recife, cuja reação foi liderada por Pessoa de Queiroz através das páginas de seu jornal. João Pessoa feria assim, a base do compromisso coronelista da República Velha, o reconhecimento da figura do “coronel” como intermediador dos investimentos e nomeações para cargos no município, ao mesmo tempo em que procurou redefinir os eixos geográficos da economia paraibana.

terça-feira, 8 de junho de 2010

Fim da República do Café com Leite: Jornal do Brasil noticia o assassinato de João Pessoa.


"Abalou fortemente a população desta capital a notícia do assassínio do Sr. João Pessoa, presidente da Paraíba. Conhecidos os principais lances dessa cena indigna para os foros de civilização de um povo, levanta-se um coro unânime de condenação e protesto contra esse processo bárbaro de eliminação de uma alta autoridade política e administrativa. Os telegramas do nosso correspondente no Recife detalham o lutuoso fato e dão à impressão do horror que o assassínio produziu no governo, no povo e na culta sociedade". Jornal do Brasil

Fim da República do Café com Leite: o assassinato de João Pessoa e a mudança na bandeira da Paraíba.


O verbo "nego", que à época escrevia-se "négo", refere-se à decisão de João Pessoa, governador da Paraíba em 1929, de não aceitar o sucessor indicado pelo presidente da República, Washington Luís. Um acordo entre São Paulo e Minas Gerais garantia que o presidente sempre fosse de um desses Estados, em rodízio. Em 1929, o paulista Washington Luís resolveu quebrar o acerto e indicou outro paulista, o governador Júlio Prestes. Minas rebelou-se e recebeu o apoio do Rio Grande do Sul. A Paraíba, que estava esquecida pelo governo federal, decidiu também rejeitar a decisão do presidente e se unir aos mineiros e aos gaúchos, de acordo com o historiador José Otávio de Arruda Melo, da Universidade Federal da Paraíba.

Primeira bandeira da Paraíba, alterada em setembro de 1930.

João Pessoa enviou então uma mensagem ao Palácio do Catete, no Rio de Janeiro, onde ficava o presidente, protestando contra a decisão. O governador não usou exatamente "nego", mas a palavra ficou como um símbolo. Pouco depois da morte de João Pessoa, assassinado por motivos passionais em 26 de julho de 1930, o governo paraibano, oposição a Washington Luis e Júlio Prestes, propôs a inclusão da palavra nego na bandeira. Ela foi definitivamente alterada em setembro de 1930, às vésperas da revolução que levou Getúlio Vargas ao poder.