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quinta-feira, 17 de junho de 2010

Copa é alvo da direita dos EUA: "futebol é coisa de pobre e hispânico".


A Copa do Mundo é a mais nova vítima da raivosa extrema direita dos Estados Unidos. Vários comentaristas americanos estão atacando a popularização do esporte nos EUA, dizendo que se trata de uma modalidade esportiva "de pobre", coisa de sul-americano, resultado da crescente influência dos hispânicos no país e ligado às "políticas socialistas" do presidente Barack Obama.

Glenn Beck, o mais famoso comentarista conservador da Fox News, compara o futebol às políticas de Obama. "Não importa quantas celebridades o apoiam, quantos bares abrem mais cedo, quantos comerciais de cerveja eles veiculam, nós não queremos a Copa do Mundo, nós não gostamos da Copa do Mundo, não gostamos do futebol e não queremos ter nada a ver com isso", esbravejou Beck na TV. Segundo ele, o futebol é como o governo atual: "O restante do mundo gosta das políticas de Obama, mas nós não."

Com o bom desempenho do time americano no jogo contra a Inglaterra no sábado, os tradicionais fãs de beisebol e futebol americano estão mais entusiasmados com a Copa do Mundo. Mas isso é resultado de uma "conspiração da esquerda", dizem os conservadores. "Futebol é um jogo de pobre", afirma o analista conservador Dan Gainor, do Media Research Center.

"A esquerda está impondo o ensino de futebol nas escolas americanas, porque a América está se "amarronzando"", afirmou, em referência ao aumento do número de hispânicos no país. Para Matthew Philbin, do centro de pesquisas de direita Culture and Media Institute, "a mídia liberal sempre se sentiu desconfortável com o fato de sermos únicos entre as nações, sermos líderes; e os esquerdistas são contra nossa rejeição ao futebol, da mesma maneira que são contra nossa rejeição ao socialismo". O radialista Mark Belling foi além, "eles nos estão enfiando futebol goela abaixo", disse Belling no programa de rádio de Rush Limbaugh, ouvido por 20 milhões de americanos.

Para eles, o futebol é um esporte estrangeiro, que não pertence à cultura tradicional dos EUA. O fato é que o futebol conquistou tantos adeptos no país nos últimos dez anos que atualmente rivaliza com beisebol e basquete.

Hoje em dia, mais crianças abaixo dos 12 anos jogam futebol do que beisebol, basquete e futebol americano juntos. Segundo a Fifa, os EUA têm 18 milhões de jogadores registrados. Muitos imigrantes hispânicos trouxeram a tradição de seus países e ajudaram a popularizar o esporte nos EUA.

Mas o futebol nem de longe restringe-se aos hispânicos. Já existe até uma faixa demográfica apelidada de "mães do futebol": mulheres brancas de classe média, que vivem no subúrbio e passam boa parte do tempo em suas minivans, buscando seus filhos nos treinos de futebol.

LEIA A MATÉRIA NA PÁGINA DO ESTADÃO.

segunda-feira, 22 de março de 2010

Heresia e apostasia contra o 'deus-do-livre-mercado': Obama aprovou a reforma da saúde nos EUA

Ontem, perto da meia noite, em uma votação apertada, Obama conseguiu aprovar o seu projeto de reforma do sistema de saúde, cuja principal consequência será a extensão do atendimento a 32 milhões de americanos.

A aprovação do projeto teve a oposição integral do Partido Republicano e Obama teve que negociar e dar várias garantias a seus próprios parlamentares. A questão do aborto, por exemplo, tornou-se central porque vários parlamentares e movimentos apontavam brechas no projeto onde as verbas públicas poderiam ser utilizadas para realizá-los. O presidente reuniu a bancada ontem e garantiu a emissão de uma "ordem executiva" onde expressará a proibição desta possibilidade.

A extrema direita mostrou toda a sua fúria e teve todas as oportunidades para demonstrar o extremo individualismo em que sua ideologia odiosa é montada. Argumentos de todos os tipos alimentaram o extremismo: (a) o projeto vai aumentar impostos; (b) o Estado está intervindo na economia [intervir para salvar empresas falidas pode, para estender o atendimento de saúde não poooode!]; (c) o mercado de seguros de saúde vai ser mais controlado e será obrigado [que apostasia e heresia contra o 'deus-livre-mercado'!] a realizar um rol de procedimentos, a não recusar atendimento em caso imediato de demissão; (d) "cada família é que tem que decidir como quer fazer o seu seguro de saúde"!!! [como se todos tivessem dinheiro para escolher o seguro!!!].

A aprovação dará um certo fôlego ao governo, que vinha em embate desgastante há um ano em defesa do plano. Um debate tão crítico que fez os democratas perderem a vaga do senado representada pela cadeira do senador Ted Kennedy, falecido no fim do ano. Os republicanos ganharam a vaga na eleição suplementar no fim de 2009. O discurso de que o Estado está intervindo na economia ainda será o tom predominante na campanha para a Câmara dos Representantes (os deputados de lá) no próximo novembro. Há uma expectativa sobre o desempenho dos democratas, que hoje são maioria nesta câmara e mantém um equilíbrio tênue no senado.

O fato é que a extrema-direita americana, inflada desde a década de 1970 pela 'direita evangélica', assume um discurso raivoso e quase fascista contra todo e qualquer avanço social ou proposta de reduzir o orçamento militar ou encaminhar propostas de paz no oriente médio. Basta ver que até hoje sustentam que Obama não é americano!!! Que ele forjou sua certidão de nascimento!!! Que ele é muçulmano disfarçado!!! Que vai está preparando um golpe de estado para o final de 2010 no caso de perder as eleições legislativas!!! Que ele e Hillary Clinton são os sucessores ideológicos de Marx, Lenin e Stalin!!!

Não é à toa que sob a direção de Bush e dos republicanos o mundo foi lançado em guerras, em crises econômicas, em intolerância. Bush, os republicanos e seus apoiadores são o equivalente ocidental dos talibans e dos suicidas islâmicos.

P.S.: O SÍTIO DO JORNAL "WASHINGTON POST" APRESENTA UMA EXCELENTE LIÇÃO DE BOM JORNALISMO E DO PAPEL DA IMPRENSA NA DEMOCRACIA, QUE NÃO NOS É COMUM. O ACOMPANHAMENTO ON-LINE DO VOTO DE CADA REPRESENTANTE DURANTE A VOTAÇÃO, COM OS VALORES QUE CADA UM RECEBEU DE DOAÇÃO DE EMPRESAS DE SEGURO DE SAÚDE DURANTE A ÚLTIMA CAMPANHA ELEITORAL.

CONFIRA AQUI O WASHINGTON POST.

DETALHE ADICIONAL: NOS EUA, A CÂMARA TRABALHA NO DOMINGO À TARDE ATÉ A MEIA-NOITE! QUE INVEJA!