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quarta-feira, 16 de março de 2011

Os 50 heróis de Fukushima. (do jornal El Pais)


Mientras el pánico nuclear provoca escalofríos en todo el planeta, un puñado de medio centenar de valerosos hombres y mujeres permanece firme ante el monstruo de Fukushima, combatiéndole armados con agua de mar. Ante acontecimientos terribles, a menudo, los seres humanos encuentran dentro de sí una valentía que quizá en la vida cotidiana dudaron tener. Un grupo de ingenieros, técnicos, bomberos y operarios -muy conscientes del nivel de radiación y no obligados al sacrificio por una dictadura brutal- se interpone entre el desastre y el resto del mundo.

Enquanto o pânico nuclear provoca calafrios em todo o planeta, um punhado de meia centena de valorosos homens e mulheres permanece firme ante o monstro de Fukushima, combatendo-o armados com água do mar. Ante acontecimentos terríveis, os seres humanos encontram dentro de si uma valentia que, provavelmente, na vida cotidiana duvidariam possuir. Um grupo de engenheiros, técnicos, bombeiros e operários muito conscientes do nível de radiação e sem estarem obrigados ao sacrifício por uma ditadura brutal, se interpõem entre o desastre e o resto do mundo.

LEIA A MATÉRIA COMPLETA NO EL PAÍS.

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

65 anos da bomba de Hiroshima: o dia em que a ciência perdeu a sua inocência.


Em 06 de agosto de 1945 o mais estúpido e violento ato de covardia, cinismo, frieza e "razão de estado" foi tomado pelos EUA que se julgam emissários de Deus para civilizar o mundo moderno e a primeira bomba atômica foi jogada sobre a cidade Hiroshima. Além de um ato de guerra, representou o fim de um capítulo especial na construção da ciência moderna, que desde o século XIX pretendeu-se autosuficiente e portadora de uma "redenção racional" para a humanidade (que os positivistas chamavam de "Progresso").

Ao aliar-se ao Estado através de vínculos extremamente íntimos, Ciência e Poder (também poder político) passaram a andar lado a lado, mas ninguém percebia ainda. O intenso trabalho e a frenética corrida de físicos na Alemanha, EUA e URSS para desenvolverem novas armas e avançarem na manipulação do átomo apresentava, entretanto, uma nova realidade, em que nenhum conhecimento produzido era "neutro" como se pretendia, mas inserido e ao lado de um complexo jogo de poder político e interesses econômicos.

A briga de grupos religiosos com cientistas apenas centrada na contestação da teoria da evolução ou coisa parecida é quase uma ingenuidade, aliás, convenientemente estimulada pela direita evangélica norte-americana (fundamentalista e intolerante por natureza - no passado ela resolvia tudo mais rapidamente através de algumas fogueiras).

Muito mais grave do que qualquer teoria da evolução é um cientista que não vê limites éticos em suas pesquisas e afirma que suas pesquisas sobre átomos e bombas e armas químicas e guerras biológicas e milhares de outras brutalidades são neutras. É risível. Seu conhecimento está a serviço do poder e reafirma o velho e adâmico desejo do ser humano em ser igual a Deus, conhecendo todas as coisas. Não reconhecendo limites éticos, objetos como a bomba atômica, o agente laranja, a bomba de fósforo branco (aquela que Israel gosta de jogar em cima de cidades palestinas) continuam sendo produzidas em profusão e mais "ciência neutra" idem. Da mesma forma, "ciência neutra" vai sendo feita sob o patrocínio de gigantes transnacionais do setor de medicamentos, vinculada a uma indústria de bilhões de dólares ("o amor ao dinheiro é a raiz de todos os males", lembram?).

Até 6 de agosto de 1945 uma guerra entre dois povos poderia resultar, no máximo, em muitos mortos. A partir de então, a própria espécie humana pode ser extinta. A ciência perdeu a sua inocência naquela terrível manhã.