segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Download de livro raro:"Um judeu errante no Brasil: autobiografia de Salomão Ginzburg" (A Wandering Jew in Brazil), pioneiro dos missionários batistas



Pelo link abaixo você pode baixar o livro "Um judeu errante no Brasil: autobiografia de Salomão Ginzburg", que foi o missionário batista (judeu convertido, como o próprio título indica) que andou pelo interior do Nordeste todo abrindo igrejas na virada do século XIX para o XX, incluindo aí a Zona da Mata pernambucana. Na igreja batista de Nazaré da Mata, interior de Pernambuco, você ainda pode ouvir histórias até do encontro dele com Antonio Silvino, o mais famoso cangaceiro (mais até do que Lampião), que foi contratado por uma padre para matá-lo. A história é também contada no livro.

O texto está em inglês, a primeira edição é de 1922 pela Southern Baptist Convention (EUA); no Brasil foi traduzido em 1931 e impresso pela Casa Publicadora Batista, depois reeditado em 1970 já pela JUERP, e depois não mais reeditado. O reverendo Salomão Ginzburg faleceu em 1927 e seu trabalho foi marcante na fase de implantação de igrejas protestantes que é conhecida como "protestantismo de missão".

DOWNLOAD DO LIVRO EM PDF

Seu diploma de Teologia ainda não foi reconhecido pelo MEC? Abertas as inscrições para convalidação pelo Seminário Batista.


A Faculdade Batista do Paraná em Parceria com o Seminário Teológicco Batista do Norte do Brasil em Recife (STBNB) promoverá o segundo vestibular para seleção de alunos para o curso de Convalidação 2011. O novo vestibular será realizado na 2a quinzena de fevereiro em data a ser divulgada no sítio do STBNB. Veja informações sobre a Convalidação neste site, na seção de cursos ou então ligue para 81-3366-3277.

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

"O Alufá Rufino", de Marcus Carvalho, João José Reis e Flávio Gomes é lançado pela Companhia das Letras


Três dos maiores especialistas na história da escravidão – João José Reis, Marcus J. M. de Carvalho e Flávio dos Santos Gomes – se juntaram para compor "O alufá Rufino" sobre um africano que teve uma trajetória de vida sui generis. Rufino José Maria, nascido Abuncare no antigo reino de Oyó, foi escravizado na adolescência por grupos rivais e levado para Salvador. Após conseguir sua alforria, foi cozinheiro assalariado de navios negreiros e, já adulto, ele consegue chegar ao posto de alufá, guia espiritual dos negros muçulmanos no Recife. O livro demonstra como o tráfico e a escravidão moldaram de modo decisivo este personagem e o mundo em que ele viveu.

Leia um trecho do livro AQUI.

O livro, que foi lançado no último dia 3 em Salvador, leva o foco para os três autores, que já passaram pela RHBN.

Reis, por exemplo, é membro do conselho editorial da “Revista de História da Biblioteca Nacional” e professor titular do departamento de História da Universidade Federal da Bahia. Nascido em 1952, em Salvador, tem um doutorado em Historia pela Universidade de Minnesota. Já recebeu um prêmio Jabuti (de melhor ensaio) pelo livro “A morte é uma festa”. Na RHBN, publicou em agosto de 2008 um artigo sobre um motim em Salvador em 1858 por conta do aumento do aumento do preço dos alimentos. Também escreveu sobre como os quilombolas assombravam o dia-a-dia de senhores e funcionários da colônia. E de como a trajetória dos líderes e devotos do candomblé do século XIX revela que a história das religiões afro-brasileiras é, sobretudo, a de crescente mistura étnica e social.

Gomes também é professor da UFBA. Seu livro “A hidra e o pântano: mocambos, quilombos e comunidades de fugitivos no Brasil” ganhou o Prêmio Arquivo Nacional de Pesquisa. No livro, resenhado pela RHBN, ele resgata histórias da resistência escrava, tendo como cenário as comunidades de fugitivos dos séculos XVII e XIX no Rio de Janeiro, Minas Gerais, Bahia e principalmente Grão-Pará e Maranhão. “No Labirinto das Nações: africanos e identidades no Rio de Janeiro, século XIX”, que ele escreveu com Juliana Barreto Farias, Carlos Eugênio Líbano Soares, esmiúça detalhes de vidas esquecidas e traça um panorama diverso dos africanos no Rio de Janeiro do período.

Já Carvalho é professor da UFPE e escreveu três artigos para a RHBN. O primeiro, ainda em 2006, é sobre Insurreição Praieira de 1848, em Pernambuco “um movimento com muitas faces e significados”. Em 2008, ele escreve sobre outra revolta, a Cabanada, que juntou negros e índios em sangrentas batalhas pela terra no Nordeste pedindo, entre outras coisas, a volta de D. Pedro I. O terceiro texto, já deste ano, mostra uma seita cristã que, no Recife do século XIX, contestava a dominação dos brancos e, para temor das autoridades, ainda ensinava seus seguidores a ler.

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Download dos volumes da Coleção História Geral da África, editada pela Unesco.


Publicada em oito volumes, a coleção História Geral da África está agora também disponível em português. A edição completa da coleção já foi publicada em árabe, inglês e francês; e sua versão condensada está editada em inglês, francês e em várias outras línguas, incluindo hausa, peul e swahili. Um dos projetos editoriais mais importantes da UNESCO nos últimos trinta anos, a coleção História Geral da África é um grande marco no processo de reconhecimento do patrimônio cultural da África, pois ela permite compreender o desenvolvimento histórico dos povos africanos e sua relação com outras civilizações a partir de uma visão panorâmica, diacrônica e objetiva, obtida de dentro do continente. A coleção foi produzida por mais de 350 especialistas das mais variadas áreas do conhecimento, sob a direção de um Comitê Científico Internacional formado por 39 intelectuais, dos quais dois terços eram africanos.

Download gratuito (somente na versão em português):

Volume I: Metodologia e Pré-História da África (PDF, 8.8 Mb)

Volume II: África Antiga (PDF, 11.5 Mb)

Volume III: África do século VII ao XI (PDF, 9.6 Mb)

Volume IV: África do século XII ao XVI (PDF, 9.3 Mb)

Volume V: África do século XVI ao XVIII (PDF, 18.2 Mb)

Volume VI: África do século XIX à década de 1880 (PDF, 10.3 Mb)

Volume VII: África sob dominação colonial, 1880-1935 (9.6 Mb)

Volume VIII: África desde 1935 (9.9 Mb)

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

10 anos em 1 minuto e 23 segundos. Um vídeo que qualquer pai pode fazer.


Durante dez anos, religiosamente, todos os dias, ele fotografou a filha Natalie - praticamente na mesma posição. Depois, juntou as imagens, criou uma passagem acelerada do tempo, e publicou no YouTube. O vídeo se tornou um hit: mais de 830 mil exibições.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

CartaCapital estreia blog sobre o WikiLeaks


A partir desta quarta-feira 8, a jornalista Natalia Viana traz todas as informações sobre os documentos secretos americanos que vazaram na rede. Convidada pelo WikiLeaks para coordenar com a imprensa nacional a publicação dos documentos referentes ao Brasil e escrever reportagens independentes para o site da organização, Natalia alimenta o novo blog de CartaCapital. Visite, divulgue e marque entre seus favoritos:

http://cartacapitalwikileaks.wordpress.com/

domingo, 5 de dezembro de 2010

O Wikileaks lavou a alma do Itamaraty, por Elio Gaspari. Ou, o que houve em Honduras foi um golpe de estado, os EUA apoiaram, o Brasil foi contra.


A PAPELADA do WikiLeaks relacionada com o Brasil prestou um serviço à diplomacia nacional. À primeira vista, apresentou o Itamaraty como inimigo dos Estados Unidos. Olhada de perto, documentou que o governo americano é inimigo do Itamaraty.

Como o vazamento capturou mensagens do canal que liga a embaixada americana ao Departamento de Defesa, o ministro Nelson Jobim ficou debaixo de um exagerado holofote. Exagerado, porém veraz. Em janeiro de 2008, Jobim tratou com o então embaixador Clifford Sobel assuntos que não eram de sua competência, dizendo coisas que não devia.

Sobel, um quadro estranho à diplomacia americana, saído do plantel de empresários republicanos com carreiras políticas fracassadas, qualificou-o como um homem decidido a “desafiar a supremacia histórica do Itamaraty em todas as áreas da política externa”. Em treze palavras, resumiu o objeto do desejo dos americanos: desafiar a supremacia histórica do Itamaraty em todas as áreas da política externa.

O Itamaraty é um ofidiário. Nele há de tudo, mas poucos foram os casos de diplomatas bem colocados que quisessem terceirizar as relações internacionais do Brasil. Já houve diplomata que ia para o serviço vestindo a camisa verde dos integralistas, assim como houve comunista dos anos 50 que, nos 70, trabalhava de mãos dadas com o Serviço Nacional de Informações.

Sempre há quem divirja das linhas da política externa da ocasião mas, noves fora vinganças burocráticas, a máquina une-se quando se trata de defender “a supremacia histórica do Itamaraty em todas as áreas da política externa”.

Essa característica sempre incomodou a diplomacia americana. Pelo poderio e pelo tamanho de sua representação no Brasil, ela busca o fatiamento das “áreas da política externa”. É sempre mais fácil negociar assuntos agrícolas com um ministro indicado por um poderoso deputado que um dia voltará a cuidar de seus interesses. Negociar tarifas em foros internacionais com diplomatas influenciando a posição brasileira é um pesadelo para as delegações americana e europeias. (Salvo em casos raros, como quando Brasília determinou ao chefe da delegação que votasse com os americanos.)

Se dependesse das famosas ekipekonômicas, os Estados Unidos teriam quebrado a resistência brasileira à criação da Associação de Livre Comércio das Américas, a Alca, defendida durante os governos Clinton e Bush. Em 2002, o negociador americano disse que, se o Brasil não aderisse à Alca, teria que vender seus produtos na Antártida. O setor mais organizado (e pecuniariamente desinteressado) da oposição à Alca estava no Itamaraty.

Durante o tucanato, o embaixador Samuel Pinheiro Guimarães dizia que negociar um acordo de livre comércio daquele tipo seria o mesmo que discutir um caminho para o patíbulo e foi demitido da direção do Instituto de Pesquisas de Relações Internacionais do ministério.

O que incomoda o Departamento de Estado é uma diplomacia capaz de impedir que sua embaixada negocie no varejo dos ministérios assuntos que envolvem relações internacionais. Se o embaixador Sobel pudesse tratar temas da defesa só com Jobim, seria um prazer. Os diplomatas brasileiros não decidem todas as questões onde se metem, mas atrapalham. Por isso, um embaixador americano queixava-se dos “barbudinhos do Itamaraty”.

Poucas vezes os “barbudinhos” apanharam tanto como no caso da resistência brasileira ao golpe de Honduras, no ano passado. Graças ao WikiLeaks, conhece-se agora o telegrama enviado pelo embaixador americano em Tegucigalpa, Hugo Llorens, a Washington, três semanas depois da deposição do presidente Manuel Zelaya: “Na visão da embaixada, os militares, a Corte Suprema e o Congresso armaram um golpe ilegal e inconstitucional contra o Poder Executivo”. O texto integral do telegrama é quatro vezes maior que este texto e nele a palavra “golpe” é usada 13 vezes.

O companheiro Obama agasalhou o golpe, Nosso Guia, não.

Leia a integra da coluna de Elio Gaspari na Folha e O Globo

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Especial sobre "O outono da idade média", de Johan Huizinga.


Desde o Renascimento e, mais tarde, o Iluminismo, em línguas europeias como o português, o inglês ou o francês, os vocábulos "medieval" e "moderno", além de definirem duas eras distintas da História, designam uma dicotomia: de um lado, as trevas, o ultrapassado, o atraso; de outro, as luzes, o atual, o progresso. Essa visão de mundo, decretada por humanistas do século 16 e reforçada por filósofos do século 18, trazia embutida a ideia de que, ao deixar a Idade Média, seus valores e seus princípios, a Humanidade alcançava a passarela para um futuro mais justo, democrático e legítimo: a Idade Moderna.

Essa visão dos "medievalismos", cujos fragmentos de preconceito ainda perduram, começou a ser desconstruída pelas mãos do historiador americano Charles Haskins, autor de The Renaissance of the Twelfth Century, de 1927.

Antes dele, porém, outro especialista em história medieval, o holandês Johan Huizinga (1872-1945), já havia traçado em cores a vida, os valores, os hábitos e as emoções naquele período em seu clássico O Outono da Idade Média, que chega na íntegra às livrarias brasileiras, traduzida diretamente de seu idioma original.

Uma das virtudes tácitas de Huizinga em sua obra-prima é sua habilidade de relativizar as "certezas". Virtuoso de sua disciplina, o autor reconhecia as contradições da História, que ajudam, por exemplo, a entender o dualismo medieval-moderno. "É bem verdade que cada época deixa mais rastros de sofrimento do que de felicidade. Suas desgraças se tornam sua história", ponderou. No mesmo trecho, Huizinga apela à convicção "talvez instintiva" para elaborar uma equação: a soma de paz e felicidade destinadas às pessoas não pode variar muito de uma época à outra. "O brilho do final da Idade Média também não passou despercebido: ele sobreviveu na canção popular, na música, nos horizontes quietos da pintura de paisagem e nos rostos sóbrios dos retratos", escreveu, em seu tom romântico e subjetivo.

Raros são os livros de História que se tornam história, assim como poucos são os historiadores lembrados pela posteridade. Esse é o caso de Huizinga e de sua obra-prima.

Publicado em 1919, O Outono da Idade Média (Herfsttij der Middeleeuwen) derrubou as fronteiras que outros pesquisadores haviam construído entre a Idade Média tardia e o Renascimento. Para o holandês, a transição vivida no século 15, um ponto de virada da civilização ocidental, foi muito mais fluida do que supúnhamos. A Idade Média era, sim, um período de fome, doenças, miséria, ódio, mas não apenas isso. Era também tempo de prazeres, de ideais, de arte e de amor.

Para explorar os meandros, as sutilezas, os erros e acertos da obra de Huizinga, o Sabático – que na quarta-feira, em parceria com a editora do livro, a Cosac Naify, promoveu um debate na Universidade de São Paulo com os professores Lorenzo Mammì, Marcelo Cândido da Silva e Tereza Aline Pereira de Queiroz –, propôs um encontro, por assim dizer, histórico. Em Paris, o caderno reuniu o historiador francês Jacques Le Goff, 86 anos, considerado o maior especialista do mundo sobre o tema, e seu ex-orientando brasileiro, o ex-professor da USP Hilário Franco Júnior, de 61 anos. No encontro, realizado no escritório do acadêmico francês, em sua casa, no 19.º distrito parisiense, Le Goff saudou a adoção do título O Outono..., e não o da primeira versão francesa da obra, denominada O Declínio da Idade Média. "Essa é uma leitura estúpida do livro", ressaltou em diferentes momentos.

Admiradores de Huizinga, Le Goff e Hilário travaram um diálogo fascinante e revelador sobre o autor, morto em De Steeg em 1945, durante a ocupação nazista da Holanda. A seguir, a síntese do encontro, marcado pela amizade – e pelo reconhecimento intelectual mútuo.

LEIA A ENTREVISTA NO SÍTIO DO ESTADÃO.

O Outono da Idade Média, finalmente em tradução brasileira pela Cosac & Naify


Grande clássico da historiografia ocidental, publicado em 1919, este livro é a obra-prima de Johan Huizinga (1872-1945), tendo sido lançado em mais de vinte línguas. Pela primeira vez traduzido para o português a partir do original holandês, esta edição é resultado de pesquisas que reestabeleceram o texto original, em 1997.

Raras vezes um período histórico foi apresentado de maneira tão viva e colorida. Aqui, a Idade Média é vista na plenitude de seus contrastes, distante do lugar-comum segundo o qual ela não passaria de uma transição, longa e letárgica, entre o brilho da Antiguidade e do Renascimento. O autor mostra as formas de vida e de pensamento medievais, tal como se expressaram na cultura, na arte, na religião e no pensamento, e também nos modos de expressão da felicidade, do sofrimento, do amor e do medo da morte no dia a dia das pessoas. Huizinga utilizou métodos e fontes históricas pouco usuais em sua época. Combinando a crença no poder revelador da obra de arte e um olhar muito semelhante ao de um antropólogo, ele se tornou um pioneiro do que mais tarde se denominou história das mentalidades. Com 320 ilustrações, o volume inclui ainda uma entrevista com Jacques Le Goff (publicada na edição francesa de 1975) e um ensaio biográfico de Peter Burke.

Leia, abaixo, o depoimento da historiadora Laura de Mello e Souza sobre o livro:

“O outono da Idade Média, de Huizinga, foi o meu primeiro deslumbramento como estudante de história e aspirante a historiadora. Um farol que, há quase 40 anos, orienta meus percursos e me dá ânimo quando penso estar prestes a sossobrar em meio aos modismos, à crise dos paradigmas e às perplexidades que periodicamente assombram os estudiosos das ciências do homem. A História é, acredito, uma forma extraordinária de conhecimento humano, e há outros faróis quase tão elevados como o erguido por Huizinga. Mas penso poder afirmar que ele é, de fato, o mais alto de todos quantos despontaram nos últimos três séculos. A belíssima edição da Cosac Naify agora apresentada ao público brasileiro faz jus a este monumento.”

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Os 100 anos de Rachel de Queiroz.


Quando deitou de bruços no chão da sala de casa para escrever O Quinze sob a luz de um lampião, Rachel de Queiroz já conhecia o melhor da literatura mundial. Filha de intelectuais e gente que lia muito, riscou as páginas do caderno com algumas certezas. Uma delas era não escrever bobagens, "sentimentalismos". A censura da família seria implacável. Afinal, foi a mãe quem tirou das mãos da menina um romance francês água-com-açúcar e tratou de substituí-lo por A cidade e as serras, de Eça de Queiroz. Rachel estava com 12 anos quando a mãe tomou a providência. Aos 19, escreveu O Quinze e surpreendeu o país com um texto maduro, perfeitamente condizente com os ideais modernistas da literatura brasileira dos anos 1920, seco e conciso.

Foto: Eder Chiodetto/FolhapressNascida há exatos 100 anos, em 17 de novembro de 1910, Rachel não tinha ideia da importância do romance escrito para passar o tempo durante um repouso por conta de uma congestão pulmonar. O Quinze se tornaria o primeiro texto modernista brasileiro assinado por uma mulher. Seria celebrado por Mario de Andrade, Manuel Bandeira e toda a trupe moderna. E daria início ao fenômeno editorial que, ainda hoje, perdura por aí. Para aproveitar a efeméride do centenário, as editoras José Olympio e Demócrito Rocha, o Instituto Moreira Salles (IMS) e a Academia Brasileira de Letras (ABL) publicam biografias, ensaios e textos inéditos da menina de Quixadá, além de reedições e exposições.

LEIA A MATÉRIA COMPLETA NO DIÁRIO DE PERNAMBUCO DE HOJE.

domingo, 7 de novembro de 2010

Tânia Bacelar em entrevista ao Diário de Pernambuco: "Há uma imagem deformada do Nordeste".


A professora Tânia Bacelar nem imaginava. Mas, ao escrever o artigo ´O voto do Nordeste: para além do preconceito`, publicado na revista Nordeste e reproduzido por uma infinidade de blogs Brasil afora, antecipou uma resposta - e que resposta - à velha tese que motivou uma nova onda de ataques aos nascidos na área compreendida entre o Maranhão e a Bahia. O texto rebate com fatos e análises o conceito preconcebido de que os nordestinos são um peso para o país e que Dilma Rousseff (PT) só foi eleita presidente porque os eleitores da região votaram em troca do Bolsa Família.

Nesta entrevista, Bacelar, doutora em economia e docente do departamento de Geografia da UFPE, aprofunda sua avaliação sobre os números das eleições no Nordeste. Diz que nos últimos oito anos, a região passou a receber investimentos em áreas estratégicas e que o resultado dessa ´atenção`, é crescimento, movimentação da economia, emprego, oportunidades.

O seu artigo responde à manifestação que ocupou o Twitter na semana passada sugerindo morte aos nordestinos por conta da vitória de Dilma. Como a senhora avalia essa situação?

Acho que esse debate reflete que existe um preconceito realmente e que há uma imagem deformada do Nordeste, principalmente no Sudeste e no Sul. Uma imagem de que o Nordeste é uma região de miséria, que é uma carga, como se não tivesse potencialidades. Isso reflete, primeiro, o desconhecimento da história do país. O Nordeste é o lastro econômico, cultural e político do Brasil. Mas num determinado momento dessa história, os investimentos e a dinâmica se concentraram no Sudeste e o Nordeste perdeu o trem da industrialização lá no século 20.

Quais perdas o país pode ter com posturas desse tipo?

A gente pode perder um dos aspectos pelos quais o país é admirado. Quem já viveu no exterior sabe que uma das características que tornam a nossa sociedade admirada lá fora é a capacidade de conviver com a diferença.

Em que áreas estão os potenciais do Nordeste?

O governo federal retomou o crescimento das universidades públicas. Fez quatro universidades na região. Cidades médias, como Petrolina (PE) e Mossoró (RN), não tinham universidades públicas. As pessoas têm potencial para se desenvolver, mas não têm oferta de oportunidade. Acho que a gente deve discutir onde devemos colocar os novos investimentos e o Nordeste já mostrou que pode dar uma resposta positiva com o pouquinho de mudança que já aconteceu nessa década. É errado achar que tudo o que é defesa de São Paulo é defesa do Brasil e tudo o que é defesa de qualquer outro lugar é ´defesinha` regional. São Paulo é muito importante mas não representa o Brasil. O Brasil é muito mais. A gente precisa balizar melhor esse debate sem deixar de reconhecer a importância de São Paulo. Mas não podemos caricaturar os outros de ser peso, de não ter com que contribuir.

O presidente Lula foi corajoso ao mudar o foco dos investimentos?

Lula teve um atributo muito interessante. Perdeu várias eleições, levou muito tempo se preparando para ser presidente do país e fez as tais caravanas. Eu atribuo essa leitura que ele tem do Brasil à chance que ele teve de conhecer profundamente o Brasil inteiro. Isso muda a cabeça.

Quem votou em Dilma aposta na continuidade do governo. Pelos discursos proferidos até agora por ela a senhora acredita que as políticas de investimento no Nordeste serão mantidas?

Tenho me surpreendido positivamente com ela. Por exemplo, o discurso feito no momento em que ela recebeu a notícia que tinha vencido, considero muito bom. Ela começa falando das mulheres, depois assume o compromisso com a eliminação da pobreza extrema. Diz também ter compromisso com os pequenos empreendedores do Brasil e assume isso. Achei muito bonito, depois de falar da erradicação da miséria, ela ter se lembrado dos pequenos empreendedores. O Nordeste está cheio deles.

As oligarquias deram sua contribuição para o enraizamento desse preconceito, não?

Parte da explicação vem das oligarquias. Para as antigas, ainda bem que elasestão morrendo e perdendo eleitoralmente. Os resultados dessa eleição são um novo baque. É importante lembrar que elas não só existem no Nordeste. Santa Catarina é um ´brilho` de oligarquias. No discurso delas não interessava mostrar potencial. Porque elas se locupletavam da miséria. O discurso reproduzia a miséria. Elas ajudaram a criar o preconceito.

OUÇA A ENTREVISTA NO SÍTIO DO DIÁRIO DE PERNAMBUCO.

LEIA O ARTIGO 'O VOTO DO NORDESTE' NO SITIO DA CARTA CAPITAL.

Programa Consensus debate o Estatuto da Igualdade Racial e o dia da consciência negra.


Hoje à noite estaremos eu e o pr. André Lucena no Programa Consensus, na Rede Estação, canal 14, às 21:30 h, em um debate sobre o dia da consciência negra e o Estatuto da Igualdade Racial. O programa é dirigido pelo pr. Roberval Goes. O reverendo André é advogado e foi candidato a deputado federal pelo PV.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Livro 'Pontes e idéias - um engenheiro fourierista no Brasil', que inclui o Diário de Valthier, será lançado hoje, no Teatro Santa Isabel.


Uma página da história do século 19 será concluída hoje, no Recife. É o lançamento do livro Pontes e ideias - Louis-Léger Vauthier, um engenheiro fourierista no Brasil, da professora Claudia Poncioni. Fruto de pesquisas que a autora empreende na França e no Brasil desde 2004, a obra traz para os dias de hoje um personagem que viveu no Recife de 1840 a 1846 e morreu em Paris, em 1901. O livro completa e amplia os trabalhos pioneiros de Gilberto Freyre, Diário íntimo do engenheiro Vauthier, 1840-1846 (lançado em 1940) e Um engenheiro francês no Brasil (1960).

Vauthier viveu no Recife de 1840 a 1846, época em que fez o projeto do Teatro de Santa Isabel e realizou uma série de obras e ações nas áreas de arquitetura, urbanismo e administração pública. Formado pela École des Ponts et Chaussées, tradicional escola de formação de engenheiros na França, foi contratado pelo presidente de província de Pernambuco, Francisco de Rego Barros, o então Barão da Boa Vista. Doisanos após sua chegada tornou-se chefe da Repartição de Obras Públicas, com amplos poderes sobre todas as obras executadas em Pernambuco - para os dias atuais seria uma espécie de supersecretário de infraestrutura. Entre outras coisas foi responsável pela construção de estradas e pontes, formulação da primeira planta do Recife e elaboração de um projeto urbano destinado a servir de base ao plano diretor da cidade. Em Pernambuco Vauthier também foi pioneiro na introdução de autores do chamado socialismo romântico, pré-marxista, trazendo para cá obras de pensadores como Charles Fourrier (1772-1837).

"A marca que o francês deixou foi de tal porte", afirma Claudia Poncioni, "que hoje é voz corrente no Recife dizer que, depois de Maurício de Nassau, Vauthier foi o estrangeiro que mais influenciou a capital pernambucana". Poncioni nasceu no Rio de Janeiro e hoje é professora do departamento de Estudos Lusófonos da Universidade Sorbonne Nouvelle, na França. O livro que ela lança agora no Recife foi publicado ano passado, na França, pela Michel Houdiard éditeur, com 491 páginas. A edição brasileira é da Companhia Editora de Pernambuco (Cepe) e tem 559 páginas.

O título do livro inspira-se em definição de Freyre, que chamou Vauthier de "engenheiro de pontes e ideias", responsável pela transmissão de técnicas de engenharia e arquitetura, mas também de doutrinas. Estabelecer pontes para a transmissão de ideias foi também uma tarefa desempenhada pela própria Poncioni, que entre a França e o Brasil esteve à frente de ampla mobilização para tirar Vauthier do esquecimento.

Contou para isso com o apoio de instituições e estudiosos. Entre as pessoas que contribuíram para sua pesquisa estão Guillaume Saquet, documentalista da École des Ponts et Chaussées, em Paris, e Georges Orsoni. Juntamente com a autora eles classificaram mais de 2.500 documentos sobre Vauthier, existentes em microfilmes e microfichas, fotografias digitais, livros, manuscritos, recortes de jornal, sites e páginas de internet. O Diario de Pernambuco também participou deste movimento, publicando dois cadernos especiais sobre o engenheiro francês: "A história que a França desconhece e o Brasil esqueceu", de 13 de outubro de 2005, e "Vauthier em Paris", de 3 de janeiro de 2010. Poncioni menciona no livro a contribuição do Diario e reproduz uma das páginas do jornal sobre Vauthier.

Pontes e ideias é composto de três partes: a primeira traz os diários que Vauthier escreveu no Recife e o ensaio "Casas de residência no Brasil", também de autoria dele e hoje bibliografia indispensável para quem estuda a arquitetura brasileira do século 19. Os dois textos têm notas explicativas escritas por Poncioni; a segunda compõe-se de um capítulo biográfico dele e de toda sua produção intelectual catalogada; e a terceira parte traz textos e notas de Gilberto Freyre publicados nas edições da obra dele de 1940 e 1960.

O capitulo "Notas para uma biografia", que consta da segunda parte do livro de Claudia Poncioni, tem 71 páginas que refazem toda a trajetória de Vauthier antes de vir para o Recife e depois do seu retorno para a França, em 1846 - dois períodos que não constavam dos estudos de Freyre. Ao retornar para a França ele teve uma vida marcada por peripécias: foi eleito deputado, envolveu-se num levante contra o presidente (e mais tarde imperador) Luís Bonaparte, foi preso (passou cinco anos na prisão), cassado, exilado e voltou a França só em 1861. Elegeu-se vereador em Paris (renovando seguidamente o mandato de 1871 até 1887) e concorreu (sem sucesso) ao Senado. "Notas para uma biografia" é um capítulo que está pedindo para ser ampliado e virar livro autônomo - trabalho que a autora e seus pesquisadores têm todos os requisitos para executar.

Serviço

Lançamento: Pontes e ideias: Louis-Léger Vauthier, um engenheiro fourierista no Brasil (Cepe),de Claudia Poncioni
Quando: Hoje, às 19h
Onde: Teatro de Santa Isabe
Quanto: R$ 60 (livro)

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Eleição legislativa nos EUA abre corrida presidencial


Em período de baixa aprovação do presidente, urnas definem hoje a nova composição da Câmara - onde os democratas devem perder a maioria que conquistaram em 2008 -, a renovação de um terço do Senado e os governadores de 39 Estados e territórios americanos

O resultado da eleição legislativa de hoje nos EUA deve abrir a disputa pela Casa Branca em 2012. Apesar dos rumores da candidatura alternativa da secretária de Estado, Hillary Clinton, pelo Partido Democrata, o presidente americano, Barack Obama, já se lançou à reeleição. Provável vitorioso na eleição de hoje, o Partido Republicano vê-se em vantagem em relação a 2008.

Mas está dividido. Pelo menos seis pré-candidatos concorrem com a líder do movimento ultraconservador Tea Party, Sarah Palin, pela indicação da legenda.

A eleição de hoje envolve a escolha de todas as 435 cadeiras da Câmara e 37 das 100 vagas do Senado. Além disso, os eleitores de 38 Estados escolherão seus governadores. Os democratas sairão em desvantagem do pleito. Na Câmara, perderão de 50 a 60 cadeiras para os republicanos, que assumirão a presidência da Casa, segundo o instituto Cook Political Report.

O partido de Obama seguramente manterá sua maioria no Senado, Casa controladora das políticas comercial, de defesa e econômica dos EUA. Mas sua presença será reduzida pelas seis a oito cadeiras que passarão a ser ocupadas por republicanos. Hoje no controle de 26 dos 50 governos estaduais, os democratas perderão essa maioria para os republicanos, que tenderão a expandir sua liderança em entre seis e oito Estados.

Durante a campanha, Obama saiu tardiamente em defesa dos candidatos de seu partido, a partir da segunda semana de setembro. Sua movimentação pelo país incluiu discursos em universidades e conversas com vizinhos em quintais de famílias da classe média. Mas a aprovação de Obama, de 45%, continua abaixo da desaprovação, de 47%, segundo o Instituto Gallup. Para um alto funcionário do governo americano, o cenário desfavorável a Obama é apenas momentâneo. "Com as eleições de 2010, o presidente perde no curto prazo. Mas certamente ganhará no longo prazo, com a recuperação da economia e a saída das tropas do Afeganistão", afirmou.

No início de outubro, surgiram rumores em Washington sobre a possível candidatura em 2012 da secretária de Estado, Hillary Clinton. Em 2008, a ex-senadora perdeu a indicação do Partido Democrata para Obama. A Casa Branca desmentiu. Hillary distanciou-se dos comícios. Mas o ex-presidente Bill Clinton, seu marido, saiu em defesa de candidaturas democratas no último mês da campanha. "Hoje, ninguém pode ter a certeza de vencer as primárias dos partidos em 2012", afirmou Michael Barone, analista político conservador. Segundo ele, a incerteza sobre a candidatura republicana será mais corrosiva que no caso dos democratas. Boa parte dos líderes republicanos tentará barrar o projeto de eleição presidencial de Sarah Palin.

Embora não concorra na votação de hoje, Palin foi uma das figuras mais atuantes na defesa das candidaturas republicanas e sairá fortalecida pela exposição pública. Mas sua candidatura pode semear a discórdia no partido. Muitos republicanos creem que ela afastaria parte dos eleitores independentes e beneficiaria Obama.

"Há um sentimento negativo entre os líderes republicanos sobre Sarah Palin. Ela é vista como uma política não qualificada para concorrer à presidência. Muitos tentarão formar coalizões para derrotá-la nas primárias do partido", afirmou Barone.

Para a eleição de hoje, os republicanos conseguiram reverter sua tradicional desvantagem, em relação aos democratas, na arrecadação de recursos. Além do fundo do Comitê Nacional Republicano, estruturas paralelas foram criadas para captar doações, financiar a eleição de 2010 e preparar o terreno para 2012. Karl Rove e Ed Gillespie, ex-conselheiros de George W. Bush, criaram o American Crossroad. Outro grupo similar é o Crossroad GPS. Segundo The New York Times, ambos angariaram um total de US$ 50 milhões. Passadas as eleições, as duas máquinas farão propaganda contra os projetos a ser enviados por Obama ao Congresso.

PARA ENTENDER


A cada dois anos, os americanos vão às urnas para eleger os 435 deputados da Câmara e um terço do Senado (37 das 100 vagas). Outros 39 Estados e territórios escolherão novos governadores. A eleição de hoje pode condenar o presidente Barack Obama a seus dois últimos anos de mandato sem o atual conforto da maioria no Congresso e emperrar a aprovação de projetos importantes.

PARA OS MAIS CURIOSOS, O REAL CLEAR POLITICS É UM EXCELENTE SÍTIO PARA ACOMPANHAR DISCUSSÕES SOBRE O CENÁRIO POLÍTICO AMERICANO E AS ELEIÇÕES DE HOJE.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Dilma se elegeria mesmo sem os votos do Norte e do Nordeste. As duas regiões apenas aumentaram a diferença.


Pessoas descontentes com a eleição da petista Dilma Rousseff atribuíram aos eleitores da região Nordeste peso decisivo no resultado do segundo turno, neste domingo (31). Porém, os nordestinos apenas aumentaram a vantagem que a futura presidente obteve no resto do País. Considerando apenas Norte, Centro-Oeste, Sul e Sudeste, ela somou 1.873.507 votos a mais do que o tucano José Serra.

E, antes que novos discursos discriminatórios - canalizados contra o Nordeste na internet - se direcionem a outro alvo fácil, o Norte, vale destacar que Dilma também ganharia a eleição sem o saldo positivo de 1.033.802 votos com que os nortistas lhe agraciaram.

O Sudeste, idealizado pelos críticos de nordestinos e nortistas como bastião do PSDB, deu à petista 1.630.614 eleitores a mais do que seu adversário. Esta quantidade supera em 839.695 votos a soma das vantagens que Serra teve no Sul, 656.485, e no Centro-Oeste, 134.434.

TERRA MAGAZINE

Embora o candidato tucano tenha acumulado 1.846.036 votos a mais do que Dilma em São Paulo, ele perdeu no segundo e no terceiro maiores colégios eleitorais do País, Minas Gerais e Rio de Janeiro, respectivamente com saldo negativo de 1.797.831 e 1.710.186.

Dilma passa um pito na Globo e dá a sua primeira entrevista como presidente eleita para a Rede Record.

Dilmasterix

Lula e Dilma, FHC e Serra: 'colheram o que plantaram", por Kennedy Alencar.

Apesar de alguns erros derivados de certa soberba e de percalços sobre os quais não teve controle, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva executou com sucesso uma estratégia que traçou no começo do segundo mandato: eleger Dilma Rousseff como sucessora.

Foram eixos da estratégia não cair na tentação do terceiro mandato e apostar num plebiscito sobre os seus oito anos de governo contra os oito anos de Fernando Henrique Cardoso.

Enquanto a oposição e parte da imprensa acreditavam que Lula queria o terceiro mandato e fazia jogo de cena para esperar o melhor momento de mudar a Constituição, Dilma Rousseff ficou livre para aparecer nas vitrines positivas do governo. Se ela tivesse sido apontada candidata lá atrás, auxiliares como Erenice Guerra teriam entrado bem antes na alça de mira.

No entanto, dando o devido crédito ao chefe, Dilma ficou livre para ter o controle de todas as bandeiras positivas do governo, como conduzir as mudança da lei para explorar o pré-sal, gerenciar o programa de habitação "Minha Casa, Minha Vida" e virar a "mãe" do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento).

No teste de fogo da crise internacional de 2008/2009, Lula foi aprovado. Esse teste foi bem mais duro do que o rigoroso ajuste fiscal e monetário de 2003. A oposição cobrava de Lula capacidade de gerenciar a crise. E ele foi bem. Fez um rápido e certeiro diagnóstico da crise financeira internacional e de como o Brasil deveria enfrentá-la. O maior acerto: medidas para reforçar o mercado interno como forma de atravessar o deserto e compensar a queda da economia global.

Nessa estratégia vitoriosa, é justo registrar a importância da aliança PT-PMDB. Na crise do Senado, em 2009, a oposição tentou criar um racha na relação entre peemedebistas e petistas. A ideia era transformar o Senado, Casa na qual Lula sempre teve dificuldade, num bunker oposicionista. Mas Lula não jogou ao mar o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP). Em troca, obteve uma aliança formal com todo o PMDB, o que garantiu uma máquina política ainda mais expressiva no país e um tempo de propaganda no horário eleitoral gratuito para vender Dilma na hora decisiva.

O bom momento econômico favoreceu a tese de polarização PT-PSDB, apesar do susto com o desempenho de Marina Silva (PV-AC), que forçou a realização do segundo turno. Um taxa de crescimento de cerca de 7% neste ano fortaleceu a defesa do continuísmo, dando gás a uma candidata tirada do bolso do colete. No contexto econômico, destacaram-se ainda as políticas de reajuste do mínimo, de ampliação do crédito, de massificação de programas sociais e de incentivo a grandes grupos nacionais considerados estratégicos e amigos.

Os principais erros da campanha não comprometeram o resultado final, mas trouxeram muita tensão ao governo na virada do primeiro para o segundo turno. A campanha de marketing de Dilma demorou a perceber a sangria de votos com o debate sobre a legalização do aborto. Gente da cúpula dava como favas contadas uma vitória no primeiro turno quando já era evidente que uma segunda etapa seria inevitável. O próprio Lula se iludiu com sua alta taxa de popularidade. Entre os percalços sobre os quais não teve controle, o principal foi a doença de Dilma em 2009.

Obtida a vitória, há também uma importante lição: a realização do segundo turno e o percentual de votos dados a Dilma não autorizam uma atitude arrogante em relação aos adversários e à imprensa, mas isso será assunto de outra coluna.

*
Ninguém ganha sozinho

Num cenário de extrema adversidade política, é surpreendente a performance de José Serra. Ele disputou a eleição contra a candidata do presidente mais popular da história recente num contexto de crescimento econômico e de transformações sociais inéditas no país. Nesse sentido, é uma derrota que não envergonha o PSDB, mas o candidato cometeu o principal erro de quem deseja conquistar a Presidência: achar que poderia se eleger sozinho.

Na primeira metade de 2009, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso selou um acordo entre Serra e o então governador de Minas Gerais, Aécio Neves. Garantidos alguns compromissos, o mineiro seria vice de Serra, que governava São Paulo naquela época.

Fiador dos compromissos, FHC testemunhou Serra rompê-los. O primeiro deles: Serra não quis participar de reuniões prévias pelo país, nas quais o PSDB ouviria seus dois pré-candidatos e depois decidiria quem disputaria o Palácio do Planalto.

Líder disparado nas pesquisas, Serra julgava a ideia uma forma de miná-lo politicamente. Mas Aécio queria uma saída para dizer ao eleitorado de Minas porque aceitaria ser vice do governador paulista. Outro compromisso era afirmar com todas as letras que, se eleito, Serra patrocinaria novas mudanças constitucionais para que Aécio fosse o próximo da fila. Pelo acordo, Serra articularia a aprovação de projetos no Congresso para acabar com a reeleição e reinstituir o mandato de cinco anos. Aécio sempre demonstrou pouca crença na capacidade de, sentado no Planalto, Serra abrir mão da possibilidade de se reeleger. Mas FHC dizia a Serra que era importante que ele se comprometesse com essas alterações a fim de tranquilizar Aécio e Minas. O final dessa história é sabido.

Entre setembro e fevereiro, a folga sobre Dilma nas pesquisas deu a Serra a ilusão de que poderia ignorar os apelos para assumir a candidatura e fazer concessões a Aécio. Ele não aceitou as cobranças do PSDB e do DEM para admitir que era candidato e montou uma estrutura de campanha centralizada e distante dos aliados.

Esticou a corda até junho para tentar obter a companhia de Aécio em sua chapa, mas estava tão fraco que não teve como enfrentar a resistência dos democratas à escolha do senador Álvaro Dias (PSDB-PR) para vice. Ao explicar as razões de aceitar o pouco conhecido deputado federal Indio da Costa (DEM-RJ) como companheiro de chapa, Serra admitiu que a questão estava encaminhada em outro sentido, mas não havia dado certo.

A biografia respeitável, a tenacidade com a qual se jogou na disputa e a assimilação de um discurso conservador que destoa de suas próprias ideias não foram suficientes para levar o tucano à vitória. Serra quis ganhar sozinho. A exemplo de Lula, colheu o que plantou.

KENNEDY ALENCAR, NO UOL NOTÍCIAS

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Prefeitura de São Paulo (Gilberto Kassab/DEM) corta recursos para pré-escola e fecha creches.


Gilberto Kassab, prefeito de São Paulo filiado ao DEM, o mesmo partido do vice de Serra e que tem uma ação no STF para acabar com o PROUNI, agora, reduz as verbas para pré-escola. REPORTAGEM NO UOL.

Apesar do deficit de 41 mil vagas, a Prefeitura de SP reservou (empenhou) apenas 36% dos recursos previstos para construir pré-escolas, informa reportagem de Fábio Takahashi, publicada nesta sexta-feira pela Folha (íntegra disponível para assinantes do jornal e do UOL).

SP corta vaga de bebês para atender criança de 4 e 5 anos

A retenção de gastos ocorre justamente quando a prefeitura, seguindo recomendação federal, decidiu aumentar o atendimento a crianças de quatro e cinco anos -faixa atendida pela pré-escola. Lei de 2009 exige que essa etapa seja obrigatória em 2016.

Dos R$ 22,8 milhões previstos no Orçamento para este ano para construção de pré-escolas, a prefeitura empenhou R$ 8 milhões. No jargão administrativo, empenhar significa reservar verba para uma ação. Considerado o quanto já foi gasto (liquidado), a taxa cai para 9,8%.

OUTRO LADO

A Secretaria Municipal da Educação afirmou que teve de rever seu planejamento após a homologação, em julho, de norma federal que recomendou a inclusão de crianças de três anos em creches.

Até então, em São Paulo, essa faixa etária iria para a pré-escola. "Não se trata de uma escolha da secretaria. E é também mais um dos muitos elementos que compõem o planejamento desta pasta", diz a secretaria, em nota.

A prefeitura afirma ainda que a "educação infantil [creches e pré-escolas] é prioridade para esta gestão".

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Morre Nestor Kirchner, ex-presidente da Argentina, que colocou fim ao neoliberalismo que destruiu o país em 2002


Néstor Kirchner governou a argentina de maio de 2003 a dezembro de 2007, quando foi sucedido pela esposa, Cristina. Em 2009, ele havia sido eleito representante da província de Buenos Aires no Parlamento argentino e, desde maio de 2010, era secretário-geral da União das Nações sul-americanas (Unasul).

Líder do Partido Justicialista (herdeiro do peronismo) ganhou projeção nacional na função de governador da província de Santa Cruz. Em meio à profunda crise vivida pelo país no início dos anos 2000, Kirchner obteve a nomeação de seu partido e conseguiu vencer a disputa presidencial. Bastante popular, conseguiu ainda ajudar a eleger a mulher ao deixar o cargo.

Ao lado de Lula e Hugo Chávez, Kirchner era um dos líderes da centro-esquerda sul-americana que reaproximou o continente. Crítico do neoliberalismo, liderou a Argentina em reformas econômicas promovidas logo após ingressar na presidência, quando o país atravessara uma das piores crises de sua história.

Em pouco tempo, Kirchner promoveu reformas na estrutura política argentina, dominada pelos setores conservadores. Quanto à política externa, Kirchner reaproximou a Argentina dos vizinhos do Mercosul e se opôs à Área de Livre Comércio das Américas (ALCA).

Kirchner era considerado a verdadeira força política por trás do governo de sua esposa, que o sucedeu após o então presidente anunciar que não disputaria a reeleição - embora tivesse altos índices de aprovação ao fim de seu mandato. Ele era tido como um provável candidato a retornar à Presidência argentina, no ano que vem.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Wagner Tiso regravou o clássico jingle Lula Lá para Dilma: agora é Dilma Lá.

Folha de São Paulo: Os vencedores da licitação da expansão do metrô feita no governo José Serra foi conhecida pela Folha seis meses antes do resultado


RICARDO FELTRIN
DE SÃO PAULO

A Folha soube seis meses antes da divulgação do resultado quem seriam os vencedores da licitação para concorrência dos lotes de 3 a 8 da linha 5 (Lilás) do metrô.

O resultado só foi divulgado na última quinta-feira, mas o jornal já havia registrado o nome dos ganhadores em vídeo e em cartório nos dias 20 e 23 de abril deste ano, respectivamente.

A licitação foi aberta em outubro de 2008, quando o governador de São Paulo era José Serra (PSDB) –ele deixou o cargo no início de abril deste ano para disputar a Presidência da República. Em seu lugar ficou seu vice, o tucano Alberto Goldman.

O resultado da licitação foi conhecido previamente pela Folha apesar de o Metrô ter suspendido o processo em abril e mandado todas as empresas refazerem suas propostas. A suspensão do processo licitatório ocorreu três dias depois do registro dos vencedores em cartório.

O Metrô, estatal do governo paulista, afirma que vai investigar o caso. Os consórcios também negam irregularidades ou “acertos”.

O valor dos lotes de 2 a 8 passa de R$ 4 bilhões. A linha 5 do metrô irá do Largo 13 à Chácara Klabin, num total de 20 km de trilhos, e será conectada com as linhas 1 (Azul) e 2 (Verde), além do corredor São Paulo-Diadema da EMTU.

VÍDEO E CARTÓRIO

A Folha obteve os resultados da licitação no dia 20 de abril, quando gravou um vídeo anunciando o nome dos vencedores.

LEIA A MATÉRIA COMPLETA NO SÍTIO DA FOLHA DE SÃO PAULO.

sábado, 23 de outubro de 2010

O tempo de um partido no governo não é critério de autoritarismo.


A quantidade de mandatos seguidos por um partido na condução de um país ou governo não tem nenhuma relação entre o autoritarismo ou uma 'redução' ou 'perigo' para a democracia. Vejamos os casos concretos. Franklin Roosevelt ganhou quatro eleições seguidas nos EUA [1932, 1936, 1940 e 1944], morreu [naturalmente] no início do quarto mandato e os democratas ainda elegeram o sucessor [depois os Republicanos conseguiram aprovar uma lei que previu a limitação de uma reeleição apenas para o presidente da república]; Margaret Tatcher governou a Inglaterra de 1979 até 1994, quando o Partido Conservador perdeu votos e a substituiu por outro primeiro ministro do mesmo partido, John Major, que ficou apenas dois anos no cargo, quando os Trabalhistas ganharam o parlamento e nomearam Tony Blair. Este, por sua vez, governou de 1998 até 2008, quando foi substituído por Gordon Brown, do mesmo partido, que perdeu as eleições este ano. Os Republicanos elegeram Reagan nos EUA em 1980, reelegeram em 1984 e emplacaram George Bush [pai] em 1988. Governaram 12 anos seguidos, quando a crise econômica levou os americanos a devolver a presidência aos Democratas com Bill Clinton em 1992.

Por outro lado, na República Velha, no Brasil, havia regularidade nas eleições [4/4 anos], mandatos sem reeleição, parlamento eleito pelo voto direto, bem como a própria presidência da república, mas o sistema político entre 1889/1930 não pode de forma alguma ser classificada como democrático, como entendemos o termo hoje. O voto não era secreto, restrito aos homens alfabetizados, havia a possibilidade de negar posse aos eleitos que não apoiassem o governo, durante largos períodos os governantes decretaram Estado de Sítio, etc. É isso. Um abraço.

Programa Consensus debate as eleições 2010 (4/4).


Programa Consensus debate o primeiro turno das eleições 2010. O voto dos evangélicos, o clientelismo, religião e política, os desafios dos eleitos. Com o pr. Roberval Goes, bispo Robinson Cavalcanti e os professores Hely Ferreira e Cláudio Souza.

Programa Consensus debate as eleições 2010 (3/4).


Programa Consensus debate o primeiro turno das eleições 2010. O voto proporcional, distrital, a crise de representação, a fragilidade partidária brasileira. Com o pr. Roberval Goes, bispo Robinson Cavalcanti e os professores Hely Ferreira e Cláudio Souza.

Programa Consensus debate as eleições 2010 (2/4).


Programa Consensus debate o primeiro turno das eleições 2010. O futuro dos novos governos, as eleições em Pernambuco, a derrota de Jarbas e Marco Maciel, a vitória de Eduardo, Humberto e Armando. Com o pr. Roberval Goes, bispo Robinson Cavalcanti e os professores Hely Ferreira e Cláudio Souza.

Programa Consensus debate as eleições 2010 (1/4).


Programa exibido em 10 de outubro com o pr. Roberval Goes, bispo Robinson Cavalcanti e os professores Hely Ferreira e Cláudio Souza. No primeiro bloco, as eleições nacionais, as perspectivas políticas, as eleições em Pernambuco.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Concurso para professor do IFPE, antigo CEFET, em Recife e interior.

OInstituto Federal de Pernambuco (IFPE), formado pelo antigo Cefet e agrotécnicas federais, irá abrir inscrições para seleção público para preenchimento de 19 vagas permanentes de professores. As oportunidades são para os campi Afogados de Ingazeira, Barreiros, Caruaru, Garanhuns, Ipojuca, Vitória de Santo Antão, além da Diretoria de Educação a Distância (DED), localizada no Recife. As inscrições serão realizadas no período de 28 de outubro a 4 de novembro apenas pelo site www.ifpe.edu.br.


Campus de Caruaru encontra-se entre os que estão com vagas abertas para contratação de professores permanentes. Foto: Juliana Leitão/DP/D.A Press - 26/8/10
Os salários iniciais variam entre R$ 1.6545 e R$ 2.130. A esses valores são ainda acrescentados a retribuição por titulação apresentada que pode ser de especialização, mestrado ou doutorado, além de benefícios como auxílio alimentação, auxílio transporte e ressarcimento de plano de saúde. As vagas são para diferentes áreas. Podem disputá-las licenciados em letras, matemática e computação. Também há oportunidades para graduados em administração, engenharia elétrica, agronomia, engenharia química, engenharia naval, engenharia agrícola, entre outros.

A taxa de inscrição varia de R$ 41 a R$ 53, de acordo com a área pretendida. Os que não puderem pagá-la poderão solicitar isenção. Para isso, é necessário acessar o site do IFPE no dia 25 ou 26 de outubro, quando será disponibilizado um requerimento para ser preenchido pelo o candidato. Só pode solicitar a isenção quem possuir o Número de Identificação Social, ou seja, quem for cadastrado no CadÚnico.

Outras informações podem ser obtidas no edital, disponível no site da instituição, ou ainda pelos telefones (81) 2125-1641, (81) 2125-1693 ou (81) 2125-1774. O IFPE prepara um outro concurso para a área administrativa. O edital, que deverá ser publicado até o final deste ano, trará 22 vagas. As oportunidades serão para assistente administrativo, auxiliar administrativo, técnico em contabilidade e técnico em laboratório.

EDITAL COMPLETO NO SÍTIO DO IFPE.

Bispos mergulham na política.

Receita tucana para as crises.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Celso Antonio Bandeira de Mello, eminente mestre constitucionalista, professor de várias gerações de juristas, recomenda o voto em Dilma.

Manifesto de professores universitários em defesa da educação pública e pró Dilma já tem mais de 2000 assinaturas.

Nós, professores universitários, consideramos um retrocesso as propostas e os métodos políticos da candidatura Serra. Seu histórico como governante preocupa todos que acreditam que os rumos do sistema educacional e a defesa de princípios democráticos são vitais ao futuro do país.

Sob seu governo, a Universidade de São Paulo foi invadida por policiais armados com metralhadoras, atirando bombas de gás lacrimogêneo. Em seu primeiro ato como governador, assinou decretos que revogavam a relativa autonomia financeira e administrativa das Universidades estaduais paulistas. Os salários dos professores da USP, Unicamp e Unesp vêm sendo sistematicamente achatados, mesmo com os recordes na arrecadação de impostos. Numa inversão da situação vigente nas últimas décadas, eles se encontram hoje em patamares menores que a remuneração dos docentes das Universidades federais.

Esse “choque de gestão” é ainda mais drástico no âmbito do ensino fundamental e médio, convergindo para uma política de sucateamento da Rede Pública. São Paulo foi o único Estado que não apresentou, desde 2007, crescimento no exame do Ideb, índice que avalia o aprendizado desses dois níveis educacionais.

Os salários da Rede Pública no Estado mais rico da federação são menores que os de Tocantins, Roraima, Rio de Janeiro, Mato Grosso, Espírito Santo, Acre, entre outros. Somada aos contratos precários e às condições aviltantes de trabalho, a baixa remuneração tende a expelir desse sistema educacional os professores qualificados e a desestimular quem decide se manter na Rede Pública. Diante das reivindicações por melhores condições de trabalho, Serra costuma afirmar que não passam de manifestação de interesses corporativos e sindicais, de “tró-ló-ló” de grupos políticos que querem desestabilizá-lo. Assim, além de evitar a discussão acerca do conteúdo das reivindicações, desqualifica movimentos organizados da sociedade civil, quando não os recebe com cassetetes.

Serra escolheu como Secretário da Educação Paulo Renato, ministro nos oito anos do governo FHC. Neste período, nenhuma Escola Técnica Federal foi construída e as existentes arruinaram-se. As universidades públicas federais foram sucateadas ao ponto em que faltou dinheiro até mesmo para pagar as contas de luz, como foi o caso na UFRJ. A proibição de novas contratações gerou um déficit de 7.000 professores. Em contrapartida, sua gestão incentivou a proliferação sem critérios de universidades privadas. Já na Secretaria da Educação de São Paulo, Paulo Renato transferiu, via terceirização, para grandes empresas educacionais privadas a organização dos currículos escolares, o fornecimento de material didático e a formação continuada de professores. O Brasil não pode correr o risco de ter seu sistema educacional dirigido por interesses econômicos privados.

No comando do governo federal, o PSDB inaugurou o cargo de “engavetador geral da república”. Em São Paulo, nos últimos anos, barrou mais de setenta pedidos de CPIs, abafando casos notórios de corrupção que estão sendo julgados em tribunais internacionais. Sua campanha promove uma deseducação política ao imitar práticas da extrema direita norte-americana em que uma orquestração de boatos dissemina a difamação, manipulando dogmas religiosos. A celebração bonapartista de sua pessoa, em detrimento das forças políticas, só encontra paralelo na campanha de 1989, de Fernando Collor.

Antonio Candido, USP
Alfredo Bosi, USP
Fábio Konder Comparato, USP
Joel Birman, UFRJ
Carlos Nelson Coutinho, UFRJ
Otávio Velho, UFRJ
Marilena Chaui, USP
Walnice Nogueira Galvão, USP
Renato Ortiz, Unicamp
Laymert Garcia dos Santos, Unicamp
Dermeval Saviani, Unicamp
Laura de Mello e Souza, USP
Maria Odila L. da Silva Dias
Sergio Miceli, USP
Luiz Costa Lima, Uerj
Flora Sussekind, Unirio
João José Reis, UFBA
Antonio Torres Montenegro, UFPE
Regina Beatriz Guimaraes Neto, UFPE
Ruy Fausto, USP
Franklin Leopoldo e Silva, USP
João Adolfo Hansen, USP
Eduardo Viveiros de Castro, UFRJ

CONFIRA A LISTA COMPLETA AQUI.

Eleições 2010 e as bonecas matrioscas

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Artigo de Durval Muniz sobre Dilma: Um convite à reflexão. Uma comparação entre Lula/FHC, Celso Furtado/FHC, Dilma/Serra.


Durval Muniz de Albuquerque Júnior é doutor em História, professor da UFRN e da pós graduação em história da UFPE e o atual presidente da Associação Nacional de História, ANPUH. Este texto é uma aula de história magistral sobre a trajetória recente do Brasil. Selecionei alguns parágrafos para esta postagem e você pode lê-lo integralmente AQUI. Vale a aula extraordinária, que compara as matrizes explicativas dos governos Lula e FHC através da análise das teorias econômicas e políticas de Celso Furtado e Fernando Henrique e as diferenças entre Dilma e Serra.

"Como sou historiador, e este profissional tem como ofício ir ao passado para justamente olhar o presente de outra perspectiva...". Durval Muniz de A. Junior

Um convite à reflexão: Dois Projetos Radicalmente Diferentes

Estamos num momento decisivo da vida brasileira, onde qualquer omissão pode ser imperdoável. Eu, que faço parte da parcela ainda privilegiada de brasileiros que conseguiu concluir um curso superior e fazer uma formação pós-graduada, não ficaria com a consciência tranqüila se não viesse a público, neste momento, com o uso daquilo que sei fazer: refletir, pensar, para tentar contribuir no sentido de dar um mínimo de racionalidade a um processo eleitoral
(...)
Na crítica à política externa do governo Lula mal se disfarçam a xenofobia e o racismo de nossas elites que sempre se julgaram brancas e sempre tiveram os olhos voltados para os Estados Unidos e para a Europa, onde na verdade sempre sonharam em viver; a política externa de FHC, onde o presidente falava inglês e o chanceler como um lacaio tirava os sapatos para passar nas alfândegas dos países desenvolvidos mostra bem isso);
(...)
Como sou historiador, e este profissional tem como ofício ir ao passado para justamente olhar o presente de outra perspectiva, vou lançar mão de alguns traços da história do pensamento econômico no Brasil para tentar convencê-los de que no dia 31 de outubro estarão em confronto dois projetos radicalmente diferentes de país...
(...)
Emir Sader já perguntou perplexo uma vez: o que pensa o Serra? Ninguém sabe, ninguém viu. O hoje elevado a condição de elite das elites, o guia das “massas cheirosas”, segundo a Catanhede, que se saiba nunca teria concluído os cursos de graduação que diz ter e sua Tese de Doutorado, da qual voltarei a falar, anda desaparecida da única biblioteca em que está depositada (por que será que o vaidoso Serra nunca traduziu e trouxe a lume sua obra máxima?).

Ele passou oito anos no governo FHC, exercendo diferentes cargos, sempre aparecendo na mídia como estando à esquerda no partido, como crítico de Malan, como alguém que criticara o Plano Real, mas jamais escreveu algo sobre isto e no governo permaneceu.

Como gestor de mandatos nunca concluídos (...)

Mas como dizia é no pensamento de FHC que devemos buscar as raízes das propostas pessedebistas para o país. É na Teoria da Dependência(...)

A Teoria da Dependência surge no início dos anos sessenta, diante da crise crescente apresentado pelo modelo nacional-desenvolvimentista de matriz cepalina que esteve na base da política econômica de governos tão díspares e que a realizaram com ênfases distintas como os governos Vargas, Juscelino Kubsticheck e João Goulart.

Quando uma vez na Presidência da República, Fernando Henrique se propôs a enterrar a era Vargas, ele estava realizando o projeto da Teoria da Dependência que criticava algumas formulações básicas do pensamento cepalino e neoclássico,
(...)
É inegável que as formulações econômicas, mas também sociais e políticas do governo Lula têm a sua matriz no pensamento nacional-desenvolvimentista cepalino, mais precisamente no pensamento do maior economista brasileiro, o paraibano Celso Furtado, por quem Lula sempre teve uma admiração quase devocional.
(...)
É preciso ainda chamar atenção para dois aspectos relevantes: o atual Ministro da Fazenda, Guido Mantega, que foi mesmo dentro do PT identificado como um nacional-desenvolvimentista, dedicou seu trabalho de doutorado a estudar o pensamento de Celso Furtado e, é preciso lembrar ainda, que Dilma Rousseff começou a sua militância administrativa no Rio Grande do Sul, ligada a um governo do Partido Democrático Trabalhista, encabeçado por Leonel Brizola, muito próximo das formulações nacional-desenvolvimentistas.

A grita e o arreganho de dentes, sem pejos, da mídia neoliberal no Brasil se deve ao fato desta identificar em Dilma não uma mera continuidade, mas um aprofundamento da visão nacional-desenvolvimentista em seu governo em relação ao governo Lula.
(...)
Pecado mortal de Furtado e de Lula, ambos olharam para o Nordeste, ambos são filhos deste rincão enjeitado do país, onde medra uma das piores elites políticas desta terra, ambos não abriram os olhos no planalto paulista, onde luminares como Otavinho Frias e a família Mesquita distribuem a agenda para o país,
(...)
Sabemos que desde que FHC aderiu às teses neoliberais, pois estas já estavam em germe em seu pensamento, como deixaremos claro a seguir, a crítica a esta centralidade do Estado, de seu papel como indutor de políticas cambiais, fiscais, de investimento, de distribuição de renda, de combate às desigualdades regionais e sociais, que alavancassem um desenvolvimento endógeno do capitalismo brasileiro, será a pedra de toque do discurso econômico do PSDB, por isso mesmo se aliando a um partido de extrema direita, o antigo PFL, agora DEM, com vagas formulações liberais, um baluarte na luta pelos interesses dos grandes grupos privados nacionais e internacionais em detrimento dos interesses nacionais.

Desmontar o Estado, desmontar as empresas duramente criadas e conquistadas à duras penas com a acumulação de capital realizada pelas políticas nacional-desenvolvimentistas passou a ser a obsessão dos governos do PSDB, tendo em Serra um dos maiores entusiastas.
(...)
A diferença matricial entre as duas posturas gira em torno da possibilidade de um desenvolvimento capitalista, porque é disso que se trata,
(...)
Furtado mantém a opinião que o processo de desenvolvimento, em países como o Brasil, deve ter como motor as forças econômicas, sociais e políticas nacionais, que saibam inserir o país na economia global, mas tendo seus interesses estratégicos sempre à frente e bem definidos.
(...)
A Teoria da Dependência de FHC nunca acreditou na possibilidade de se fazer o desenvolvimento sem que a direção do processo se desse nos próprios países centrais do sistema.
(...)
Esta é uma diferença crucial entre Dilma e Serra; Dilma acredita que nosso povo, se estimulado, se receber crédito, se receber salário, se lhe forem dadas condições educacionais e de renda, tem condições de construir um país soberano, capaz de traçar suas próprias estratégias, sem que para isso tenha que se fechar ao mundo, mas tendo uma visão alargada do próprio mundo, não vendo nele apenas o Norte, mas enfatizando a diversificação dos mercados e das relações políticas, diplomáticas e culturais, enfatizando as relações Sul-Sul, tornando o Brasil um país capaz de ajudar a impulsionar o desenvolvimento dos seus vizinhos e países assemelhados ou em níveis piores de pobreza e desenvolvimento humano.
(...)
Para concluir, pois já me estendi além da conta, para que vocês meditem bem sobre o passo que darão ao entregar o país a um homem como José Serra, que a mídia que ele financia com dinheiro da educação, enquanto trata os professores de São Paulo a cacetetes e bombas de gás lacrimogêneo, diz ser o mais competente e preparado, convido vocês a ir ao Youtube e assistir um vídeo de uma entrevista dada por Serra ano passado, quando do auge da crise econômica, ao jornalista serrista e de conhecida história de adesão à extrema direita Boris Casoy, onde Serra aparece indisfarçadamente eufórico, com a possibilidade que a crise viesse acabar com a popularidade do governo Lula e facilitar as coisas para ele este ano.
(...)
Mas esta entrevista explicita o desastre que teria sido se ao invés de Lula, de Mantega, das formulações furtadianas que eles representam, fosse o ninho tucano e sua teoria da dependência (dependência ao Norte, diria o pândego e arguto Paulo Henrique Amorim) que estivessem no poder.
(...)
Façam isso, por favor, assistam a este vídeo, e se ainda assim quiserem entregar o Brasil a Serra, que o façam, mas minha consciência estará tranqüila, tentei fazer um esforço em alertá-los. Eu e o Brasil esperam que mudem de opinião e ele não vença, se mesmo assim ele vencer vou torcer para que eu não venha a me divertir tanto quando encontrá-los, quanto me diverti meses após a posse de Collor, vendo os meus colegas coloridos que haviam votado no caçador de marajás e não no sapo barbudo com medo de perderem suas poupanças, reduzidos a CR$ 50,00 em suas contas. Assim como Collor, Serra sempre faz o que diz que não vai fazer, tenham cuidado.

Abraço carinhoso a todos e um feliz e refletido voto para vocês e para o Brasil.

VOCÊ PODE VER A ENTREVISTA NO YOUTUBE: PARTE 1, PARTE 2, PARTE 3.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Chico Buarque, Fernando Morais, Leonardo Boff e Eric Nepomucemo lideram um manifesto e um evento a favor de Dilma.



Lula, Dilma e dona Maria Amélia Buarque de Hollanda, em seu aniversário de 100 anos, no último mês de janeiro, mãe de Chico Buarque e esposa de Sérgio Buarque de Holanda, maior historiador brasileiro e fundador do PT.

Liderados por Chico Buarque, Leonardo Boff, Emir Sader e Eric Nepomuceno, um grupo de artistas e intelectuais divulga um manifesto em apoio a candidatura de Dilma Rousseff. O documento, que será entregue à candidata em um ato político no dia 18 de outubro, no Rio de Janeiro, defende a união de forças para garantir os avanços na inclusão social, preservação dos bens e serviços da natureza e a nova posição do Brasil no cenário internacional. Leia abaixo o manifesto.

Manifesto de artistas e intelectuais pró Dilma

Nós, que no primeiro turno votamos em distintos candidatos e em diferentes partidos, nos unimos para apoiar Dilma Rousseff. Fazemos isso por sentir que é nosso dever somar forças para garantir os avanços alcançados. Para prosseguirmos juntos na construção de um país capaz de um crescimento econômico que signifique desenvolvimento para todos, que preserve os bens e serviços da natureza, um país socialmente justo, que continue acelerando a inclusão social, que consolide, soberano, sua nova posição no cenário internacional.

Um país que priorize a educação, a cultura, a sustentabilidade, a erradicação da miséria e da desiguladade social. Um país que preserve sua dignidade reconquistada.

Entendemos que essas são condições essenciais para que seja possível atender às necessidades básicas do povo, fortalecer a cidadania, assegurar a cada brasileiro seus direitos fundamentais.

Entendemos que é essencial seguir reconstruindo o Estado, para garantir o desenvolvimento sustentável, com justiça social e projeção de uma política externa soberana e solidária.
Entendemos que, muito mais que uma candidatura, o que está em jogo é o que foi conquistado.

Por tudo isso, declaramos, em conjunto, o apoio a Dilma Rousseff. É hora de unir nossas forças no segundo turno para garantir as conquistas e continuarmos na direção de uma sociedade justa, solidária e soberana.

Dilma e a fé cristã, por Frei Betto.


Conheço Dilma Rousseff desde criança. Éramos vizinhos na rua Major Lopes, em Belo Horizonte. Ela e Thereza, minha irmã, foram amigas de adolescência. Anos depois, nos encontramos no presídio Tiradentes, em São Paulo. Ex-aluna de colégio religioso, dirigido por freiras de Sion, Dilma, no cárcere, participava de orações e comentários do Evangelho. Nada tinha de "marxista ateia".

Nossos torturadores, sim, praticavam o ateísmo militante ao profanar, com violência, os templos vivos de Deus: as vítimas levadas ao pau-de-arara, ao choque elétrico, ao afogamento e à morte.

Em 2003, deu-se meu terceiro encontro com Dilma, em Brasília, nos dois anos em que participei do governo Lula. De nossa amizade, posso assegurar que não passa de campanha difamatória - diria, terrorista - acusar Dilma Rousseff de "abortista" ou contrária aos princípios evangélicos. Se um ou outro bispo critica Dilma, há que se lembrar que, por ser bispo, ninguém é dono da verdade.

Nem tem o direito de julgar o foro íntimo do próximo. Dilma, como Lula, é pessoa de fé cristã, formada na Igreja Católica. Na linha do que recomenda Jesus, ela e Lula não saem por aí propalando, como fariseus, suas convicções religiosas. Preferem comprovar, por suas atitudes, que "a árvore se conhece pelos frutos", como acentua o Evangelho.

É na coerência de suas ações, na ética de procedimentos políticos e na dedicação ao povo brasileiro que políticos como Dilma e Lula testemunham a fé que abraçam. Sobre Lula, desde as greves do ABC, espalharam horrores: se eleito, tomaria as mansões do Morumbi, em São Paulo; expropriaria fazendas e sítios produtivos; implantaria o socialismo por decreto...

Passados quase oito anos, o que vemos? Um Brasil mais justo, com menos miséria e mais distribuição de renda, sem criminalizar movimentos sociais ou privatizar o patrimônio público, respeitado internacionalmente.

Até o segundo turno, nichos da oposição ao governo Lula haverão de ecoar boataria e mentiras. Mas não podem alterar a essência de uma pessoa. Em tudo o que Dilma realizou, falou ou escreveu, jamais se encontrará uma única linha contrária ao conteúdo da fé cristã e aos princípios do Evangelho.

Certa vez indagaram a Jesus quem haveria de se salvar. Ele não respondeu que seriam aqueles que vivem batendo no peito e proclamando o nome de Deus. Nem os que vão à missa ou ao culto todos os domingos. Nem quem se julga dono da doutrina cristã e se arvora em juiz de seus semelhantes.

A resposta de Jesus surpreendeu: "Eu tive fome e me destes de comer; tive sede e me destes de beber; estive enfermo e me visitastes; oprimido, e me libertastes..." (Mateus 25, 31-46). Jesus se colocou no lugar dos mais pobres e frisou que a salvação está ao alcance de quem, por amor, busca saciar a fome dos miseráveis, não se omite diante das opressões, procura assegurar a todos vida digna e feliz.

Isso o governo Lula tem feito, segundo a opinião de 77% da população brasileira, como demonstram as pesquisas. Com certeza, Dilma, se eleita presidente, prosseguirá na mesma direção.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

O DEM, partido de Índio da Costa, vice de José Serra é contra o PROUNI e tem uma ação no STF para acabar o programa.


O PROUNI MANTÉM, HOJE, 700.000 JOVENS NA UNIVERSIDADE COM BOLSAS DE ESTUDO. AS VELHAS ELITES ESCANDALIZAM-SE COM ESTA OUSADIA DO GOVERNO LULA E GOSTARIAM QUE TUDO VOLTASSE A SER COMO ERA ANTES.

COLUNA DE ELIO GASPARI, NA FOLHA DE SÃO PAULO, 29/08)

Em benefício da qualidade do debate eleitoral, é necessário que seja esclarecida uma troca de farpas entre Dilma Rousseff e José Serra durante o debate do UOL/Folha. Dilma atacou dizendo o seguinte: “O partido de seu vice entrou na Justiça para acabar com o ProUni. Se a Justiça aceitasse o pedido, como você explicaria essa atitude para 704 mil alunos que dependem do programa?”

Serra respondeu: “O DEM não entrou com processo para acabar com o ProUni. Foi uma questão de inconstitucionalidade, um aspecto”.

Em seguida, o deputado Rodrigo Maia, presidente do DEM, foi na jugular: “Essa informação que ela deu é falsa, mentirosa”.

Mentirosa foi a contradita. O ProUni foi criado pela medida provisória 213 no dia 10 de setembro de 2004. Duas semanas depois o PFL, pai do DEM, entrou no Supremo Tribunal Federal com uma ação direta de inconstitucionalidade contra a iniciativa, e ela tomou o nome de ADIN 3314.

O ProUni transferiu para o MEC a seleção dos estudantes que devem receber bolsas de estudo em universidades privadas. Antes dele, elas usufruíam benefícios tributários e concediam gratuidades de acordo com regras abstrusas e preferências de cada instituição ou de seus donos.

Com o ProUni, a seleção dos bolsistas (1 para cada outros 9 alunos) passou a ser impessoal, seguindo critérios sociais (1,5 salário mínimo per capita de renda familiar, para os benefícios integrais), de acordo com o desempenho dos estudantes nas provas do Enem. Ninguém foi obrigado a aderir ao programa, só quem quisesse continuar isento de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, PIS e Cofins.

O DEM sustenta que são inconstitucionais a transferência da atribuição, o teto de renda familiar dos beneficiados, a fixação de normas de desempenho durante o curso, bem como as penas a que estariam sujeitas as faculdades que não cumprissem essas exigências.

A ADIN do ex-PFL está no Supremo, na companhia de outras duas e todas já foram rebarbadas pelo relator do processo, o ministro Carlos Ayres Britto. Se ela vier a ser aceita pelo tribunal, bye bye ProUni.

Quando o PFL/DEM decidiu detonar a medida provisória 213, sabia o que estava fazendo. Sua petição, de 23 páginas, está até bem argumentada. O que não vale é tentar esconder o gesto às vésperas de eleição.

Em 1944, quando o presidente Franklin Roosevelt criou a GI Bill que, entre outras coisas, abria as universidades para os soldados que retornavam da guerra, houve políticos (poucos) e educadores (de peso) que combateram a iniciativa.

Todos tiveram a coragem de sustentar suas posições. Em dez anos, a GI Bill botou 2,2 milhões de jovens veteranos nas universidades, tornando-se uma das molas propulsoras de uma nova classe média americana.

O ProUni não criou as bolsas, ele apenas introduziu critérios de desempenho e de alcance social para a obtenção do incentivo. Desde 2004 o programa já formou 110 mil jovens, e há hoje outros 429 mil cursando universidades. Algum dia será possível comparar o efeito social e qualificador do ProUni na formação da nova classe média brasileira. Nessa ocasião, como hoje, o DEM ficará no lugar que escolheu.